5 de junho de 2026

Professor de Dilma critica política econômica

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Jornal GGN – O economista João Manuel Cardoso de Mello, autor do livro “O capitalismo tardio”, professor da presidente Dilma na Unicamp, concedeu entrevista à Folha de S. Paulo e compartilhou sua visão sobre a situação do país. Ele focou sua crítica principalmente no desempenho da indústria.

“Estamos numa estagnação secular há 30 anos, crescendo a taxas ridículas de 2% ao ano. A agricultura vai bem. O grande problema é a indústria. Temos 20 anos de câmbio valorizado. Não há quem resista a isso. Entre 1950 e 1980 crescemos mais do que o Japão. Depois veio a crise da dívida e depois nada. Câmbio valorizado, taxas de juros absurdas e um sistema tributário torto, que penaliza a produção e ninguém quer saber de pagar imposto sobre a renda. A indústria, que correspondia a 29% do PIB em 1993, hoje significa 13% (2013). A indústria virou uma casca. As cadeias industriais foram todas desmontadas. Sem a indústria não há possibilidade de crescimento sustentável. Esse país pode passar mais 10 anos crescendo a 2% ao ano? As pessoas não entendem que o Brasil não pode parar de crescer. Porque somos um país muito grande e muito desigual”.

Enviado por Gustavo Belic Cherubina

Terceirização vai achatar salários, diz professor de Dilma

Eleonora de Lucena

Da Folha de S. Paulo

O ajuste fiscal promovido pelo governo provocará uma recessão brutal: o PIB pode despencar para -3%. O desemprego vai a 10% ou 12%. Se aprovada, a terceirização em debate no Congresso devastará o mercado de trabalho e achatará salários. Protestos virão e a popularidade da presidente encolherá a 7%.

A previsão é de João Manuel Cardoso de Mello, 73, em rara entrevista à Folha. Autor do clássico “O Capitalismo Tardio” (1975), ele foi professor de Dilma Rousseff na Unicamp –deu aulas sobre interpretações do Brasil e visões do capitalismo. Fundador do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas daquela universidade, ele criou a Facamp (Faculdades de Campinas), onde hoje é diretor geral.

Crítico da política econômica, ele avalia que o governo cedeu a pressões do mercado financeiro e define como ilusão a ideia de que a recuperação virá no final do ano. Defende a reconstrução da indústria e a reorganização política do país.

Para ele, o país vive “a cristalização de 30 anos de falta de estratégia, de projeto, de coordenação estatal, de burocracia estatal” –temas de seu próximo livro, em elaboração.

O professor e economista João Manuel Cardoso de Mello, 73, durante entrevista à Folha

Folha – Como vai o Brasil?

João Manuel Cardoso de Mello – Estamos numa estagnação secular há 30 anos, crescendo a taxas ridículas de 2% ao ano. A agricultura vai bem. O grande problema é a indústria. Temos 20 anos de câmbio valorizado. Não há quem resista a isso. Entre 1950 e 1980 crescemos mais do que o Japão. Depois veio a crise da dívida e depois nada. Câmbio valorizado, taxas de juros absurdas e um sistema tributário torto, que penaliza a produção e ninguém quer saber de pagar imposto sobre a renda. A indústria, que correspondia a 29% do PIB em 1993, hoje significa 13% (2013). A indústria virou uma casca. As cadeias industriais foram todas desmontadas. Sem a indústria não há possibilidade de crescimento sustentável. Esse país pode passar mais 10 anos crescendo a 2% ao ano? As pessoas não entendem que o Brasil não pode parar de crescer. Porque somos um país muito grande e muito desigual. Vou fazer um livro sobre isso.

Por que há estagnação?

Não temos estratégia nacional de desenvolvimento. Isso virou um palavrão. Os problemas não foram enfrentados e foram se acumulando. Apareceu tudo agora. Estamos vendo a cristalização de 30 anos de falta de estratégia, de projeto, de coordenação estatal, de burocracia estatal no sentido Weberiano. Não há Estado que funcione sem burocracia. Veja a China.

O Brasil está nas condições atuais porque perdeu capacidade de elaboração de um projeto próprio?

Completamente. A pobreza intelectual e moral do Brasil é muito maior do que a pobreza material. A China fez o contrário do que fizemos, que foi um ajuste passivo ao mundo. Encolhemos. Foi a derrocada do projeto nacional. Todos os países têm projeto nacional, a China tem. Essa história de que a globalização acabou com a nação! Imagine!

Mas todos perdem com essa posição do Brasil, inclusive a burguesia?

A burguesia nacional acabou. Nessa encalacrada em que nos encontramos, onde estão as lideranças políticas e empresariais? O processo de moagem da indústria acabou com o empresariado. Onde estão os empresários do manifesto de 1978 [que pediu mudanças na economia e a volta da democracia]? Ou venderam ou viraram rentistas ou comerciantes ou importadores.

A operação Lava Jato está colocando em risco empreiteiras que são ainda de capital nacional. Qual o impacto disso na economia?

Ninguém sabe. Tem corrupção. Tem que colocar os caras na cadeia, mas a empresa tem que ser mantida. Mas isso tem sido impossível, porque vem o judiciário, o tribunal de contas, os promotores. Os investimentos estão paralisados. E não só na cadeia de óleo e gás, o que é uma tragédia. Todo o negócio de infraestrutura está sendo desarticulado. Agora surgiu a ideia genial de chamar os americanos para fazer a infraestrutura no Brasil, Ora, tenha paciência!

Qual sua avaliação do ajuste do ministro Joaquim Levy?

Isso entra na cabeça de alguém? Ele dá um choque de câmbio, um choque de custos, faz corte de gastos. Vai produzir uma recessão brutal. Está produzindo. Está tudo parado. Há preocupação com a perda do grau de investimento. E daí? É uma chantagem do mercado financeiro dos bancos, que dizem que precisa fazer um ajuste. Algum ajuste precisava fazer, mas não nessa violência. O governo cedeu à chantagem do mercado financeiro com a ameaça da perda o grau de investimento.

O que o governo deveria fazer?

Um ajuste mais moderado. Não precisa fazer uma barbaridade dessas. Isso vai jogar o negócio a -3% este ano. A popularidade vai cair ainda mais, vai chegar a 7% de aprovação.

Qual o impacto da terceirização em discussão no Congresso?

Vai acabar com o mercado de trabalho. Estão achando que as pessoas vão fazer empresas. Vão é fazer cooperativas, que não pagam imposto. O estrago da terceirização é enorme, em cima de uma crise desse tamanho. Os empresários são 60% do Congresso. Estão voltando a favor deles. É uma devastação no mercado de trabalho. Vai desestruturar tudo e jogar os salários para baixo. É o que o Joaquim Levy quer: ajustar a relação salário/câmbio.

A população vai aceitar a mudança?

Acredito que não, portanto viveremos tempos interessantes, muito difíceis. As pessoas foram para a rua porque estão cheias. A economia já vem vindo mal, não foi de agora. Ela perdeu dois terços dos seus eleitores e vai perder mais um outro pedaço. É uma ilusão dizer que vai haver recuperação no fim do ano. Com a produção dessa recessão terrível, a arrecadação está despencando. Se se precisava de R$ 60 bilhões, agora são R$ 80 bilhões, amanhã R$ 100 bilhões. Aí se corta mais e se joga para baixo outra vez. O que eles estão fazendo é segurar no caixa. Em hospitais está faltando novalgina e termômetro. Onde isso vai parar? Não vai haver recuperação nenhuma. As apostas [para o PIB] vão de -1,5% e -3%. No ano que vem não recupera. Alguém investe algum centavo? Os bancos estão cortando credito, os juros, subindo, uma loucura.

Nesse quadro, como fica o emprego? A indústria automobilística está demitindo.

As demissões ainda não começaram porque existem os acordos coletivos. Em maio e junho vai começar a demissão em massa. O desemprego vai para 10%, 12% este ano [está em 7,4%]. E vai rápido. A alta dos juros está paralisando a construção civil residencial. Não tem investimento em construção pesada, está se desmontando a cadeia de óleo e gás, a indústria continua encolhendo. Isso vai pegando os serviços. A manicure vai quebrar. Aqui perto tem uma rua de restaurantes. Só ali, três quebraram nos últimos 20 dias. De onde vem a recuperação? Não sei de onde. Das concessões? Os filés aeroportos, estradas já foram feitos. Sobrou a carne de pescoço. Vão colocar dinheiro a 30 anos?

E a inflação?

A economia é em grande parte indexada. Sobe energia, água, combustível. Desvaloriza o câmbio, sobem todos os comercializáveis, a carne, o frango, trigo, pãozinho, macarrão. Tudo isso vai comendo renda. Temo que ela vai continuar subindo até o mercado de trabalho arriar de uma vez. É dado 8,5%; tem gente diz que vai a 9%. Cai a demanda e o sujeito sobe o preço, sobe a margem. A economia brasileira é muito oligopolista. Isso vai comendo renda que é uma coisa louca.

Qual sua visão da política cambial?

O câmbio desvalorizou e agora voltou. Essa instabilidade é uma calamidade para o empresário. Como sujeito vai agir? Qual é o câmbio? Deveria deixar desvalorizar o câmbio, mas não nessa velocidade, porque há um impacto inflacionário alto.

A reeleição foi há poucos meses. O que aconteceu de outubro para cá?

A economia cresceu no governo Dilma 2,1%. A mobilidade já era descendente em 2013, porque a economia já estava fraquíssima. Em cima de uma economia fraca desse jeito se faz um negócio desses! O que se quer que aconteça?

Por que a economia começou a frear a partir de 2010?

Isso se aprende no segundo ano de economia. O que houve foi um ciclo de consumo. No governo Lula, as exportações subiram em quantidade e em preços. Isso deu impulso na economia. Permitiu soltar o credito, o gasto público, a arrecadação subiu. Isso moveu a economia. Em 2009, Lula fez certo, uma política de sustentação para não deixar a economia afundar. Mas isso é um ciclo de consumo, que é curto.

Enquanto isso a indústria ia definhando?

Não fizeram nada. É verdade que FHC fez uma devastação. Achou que era o JK e descobriu que era o general Dutra. Ele interpretou mal o plano de metas. Porque o plano de metas não existe sem a coordenação estatal. Depois de eleito, JK tomou um avião e foi para a Europa. Porque os americanos não queriam saber da industrialização no Brasil. Ele falou com a Volkswagen, a Brown Boveri. Vieram os europeus. Os americanos só vieram depois que a indústria andou. FHC achou que foram só as multinacionais que fizeram o desenvolvimento do Brasil. Uma bobagem. Ele disse: vou abrir tudo; eles vêm aqui e fazem. Fazem nada! Veja o papel do Estado chinês.

Qual o papel hoje do Estado no Brasil?

Nada. É o estado mixado, que perdeu totalmente suas competências técnicas. Quando passei pelo governo, havia um pessoal que fazia e tinha projetos prontos. Hoje quem faz os projetos são as empreiteiras. Fazem projeto mal feito para ter aditivos. Nenhum Estado funciona sem uma burocracia de alto nível.

Para onde foi essa burocracia?

Foi aniquilada. Na receita, por exemplo, conheci jovens muito capazes, formidáveis, sabiam tudo. Saíram, sumiram. Um foi fazer reforma tributária na Rússia, sumiram. Burocracia quer dizer competência, mérito, honra, interesse público. Houve uma privatização do Estado de uma extensão inacreditável. Por isso sai da política; não tenho estomago. O Estado foi privatizado pelo dinheiro.

O que fazer?

O outro lado desse problema da corrupção é a crise moral da sociedade. As agências de socialização foram todas comidas: família, escola, igrejas. O neopentecostalismo é uma religião do dinheiro. O dinheiro vai tomando conta de tudo. Numa sociedade onde só o dinheiro e o consumo valem, como é que se faz? As pessoas acham que o problema da corrupção é o PT, o Vaccari. É também, mas os problemas nossos são muito mais graves.

Como enfrentar isso?

Primeiro é preciso entender do que se trata. Não há debate. Não há instância mediadora de formação de opinião pública entre a sociedade e o Estado. Nenhum partido tem credibilidade. Os mecanismos de coordenação estatal foram desmontados. Os governantes dos últimos anos não estiveram à altura. Os problemas não são insolúveis. É preciso reorganizar politicamente o país, porque com essa desordem política não se faz nada.

Como o sr. avalia a situação da Petrobras?

A roubalheira. A Petrobras vale alguns trilhões de dólares. O modelo do Pré-Sal é corretíssimo. Se não dá o que deu no México. Lá é privatizado por concessões. Se entrega Para a empresa privada a administração das reservas. Se ela quiser acelerar a produção e acabar as reservas logo, tudo bem, ao preço quiser. Por isso estão em crise. A Petrobras fez bem em mudar o regime para partilha. O problema é que os preços do combustível não subiram como deveriam e isso abriu um buraco enorme no caixa da Petrobras enorme. A Petrobras vai se recuperar.

Há interesses estrangeiros nessa crise?

As grandes companhias petroleiras mundiais estão de olho no Pré-Sal, que é o grande acontecimento na área de petróleo. Não é o gás de xisto, que está indo pro espaço. Os árabes jogaram o preço lá em baixo para quebrar o xisto. Todo dia quebra gente. Além disso, os custos ecológicos do xisto são uma calamidade. Nós aguentamos esses preços do petróleo. O Pré-Sal aguenta até 35, 37 dólares [o barril]. Isso é uma oportunidade, porque nos vai tirar de problemas de balanço de pagamentos. Mas temos que fazer a recomposição da indústria. Não é voltar ao desenvolvimentismo, pois ninguém volta a história; o mundo é outro.

Como o sr. definia o modelo que devemos perseguir?

Reconstrução da indústria com inserção em cadeias internacionais. É possível. Os chineses estão dispostos a receber exportações de fábricas brasileiras, ao contrário do que dizem.

Que tipo de manufaturado?

Esse é o problema. É preciso modernizar a indústria, estudar isso. Remontar a indústria com muita coordenação. O problema é que há desordem e não tem política para nada. Houve uma sucessão de presidentes que não fez nada. Quando você olha para daqui a dez anos, vê o país se arrastando.

Nessa sua análise, quando foi que o país perdeu o rumo?

Tudo começou com a crise da dívida [nos anos 1980]. Houve transformações e fomos nos acomodando por baixo, em lugar de respondermos de forma dinâmica e positiva. Há problemas que são de 30 anos. O caos institucional no Brasil é uma coisa louca. A crise é muito grande.

Ela tem paralelo?

Nunca vi. 1964 foi outra coisa. Foi um embate que perdemos por burrice, incompetência, loucura. Havia dois projetos de Brasil. Um era o nosso, que era uma beleza. O outro era o da direita.

No modelo dos militares houve crescimento com concentração de renda, a modernização conservadora. Agora, não houve redução da desigualdade?

Não falo em desconcentração de renda, porque não tenho dados para avaliar isso. De qualquer maneira, houve uma baita mobilidade. Foram 60 milhões de pessoas e com um pouquinho de crescimento. O crescimento é uma coisa formidável. Teve 3, 4 anos de crescimento um pouquinho maior e o país já deu aquela respirada; as pessoas ficaram mais bem humoradas. Agora estão muito mal humoradas. O que me assusta é que as pessoas não têm noção do problema. O governo está desorientado. Não sabemos o que fazer com o país, o que é desesperador.

Com a China pode haver um caminho?

Mas precisa construir o caminho. Exemplo. Fizemos com eles e a Índia o Banco dos Brics, que é maravilhoso. Mas ele está encalhado aqui no Brasil. O Banco Central aqui não quer, os norte-americanos não querem. Há pressão enorme dos EUA. O BC não quer porque vai ter que colocar reservas, o que é ridículo.

A China vai continuar avançando?

Vai embora. Era impossível sustentar aquelas taxas de crescimento. Lá tem Estado competente, que está fazendo uma virada devagarzinho para desenvolver o mercado interno. Estão contendo o credito ao consumo. A emergência da China é um acontecimento que marca uma época. O centro do mundo está se deslocando para o leste da Ásia e estamos fora. Há os que dizem que temos que exportar para os EUA! Meu deus! Os números da economia dos EUA são falsos. No PIB norte-americano tem um peso enorme do setor financeiro e está inflado. É uma bolha que vai estourar de forma inexorável. Basta olhar o preço das ações e a alavancagem dos derivativos. O governo foi enfiando dinheiro. E houve investimento? A taxa de investimento dos EUA continua em 13%.

O dinheiro foi para o mercado financeiro?

Perfeitamente. Por isso eu a Janet Yellen [presidente do Fed] não vai subir os juros. Se subir, vem tudo abaixo. E a economia não cresce, os EUA se arrastam. As empresas americanas estão bem por causa da China.

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  1. Ricardo Cavalcanti-Schiel

    5 de maio de 2015 6:28 pm

    Sobre o começo da entrevista…

    A falta de um projeto nacional:

    https://jornalggn.com.br/noticia/falta-uma-agenda-intelectual-ao-pais-por-ricardo-cavalcanti-schiel

  2. Conde de Rochester

    5 de maio de 2015 7:31 pm

    Estadista ou salvador da patria

    Estamos numa estagnação secular há 30 anos, crescendo a taxas ridículas de 2% ao ano. A agricultura vai bem. O grande problema é a indústria.

    A indústria e toda a cadeia do mercado interno e so de pensar em conseguir dar sustentabilidade econômica para este mercado é de desanimar. Porque a agricultura é a única área no Brasil que esta dando certo?

    O que sustenta a indústria é um mercado interno forte, esperar uma indústria alavancada principalmente pelas exportações, não da certo nem é suficiente, para manter um crescimento sustentável de longa duração.

    A agricultura no Brasil é, historicamente, umas das principais bases da economia do país, desde os primórdios da colonização até o século XXI, evoluindo das extensas monoculturas para a diversificação da produção. A agricultura é uma atividade que faz parte do setor primário onde a terra é cultivada e colhida para subsistência, exportação ou comércio. Segundo resultados de pesquisa feita pelo IBGE, no ano de 2008, apesar da crise financeira mundial, o Brasil teve uma produção agrícola recorde, com crescimento na ordem de 9,1% em relação ao ano anterior, motivada principalmente pelas condições climáticas favoráveis. A produção de grãos no ano atingiu a cifra inédita de cento e quarenta e cinco milhões e quatrocentas mil toneladas.[2]

    Mas pela primeira vez na historia deste Pais, não foi somente a monocultura a responsável por este sucesso. No Brasil dos latifúndios, a robusta produção da agricultura familiar disputa com o agronegócio exportador a atenção do poder público e o reconhecimento de sua participação no desenvolvimento do país.

    Cerca de quatro milhões de pequenas propriedades rurais empregam 80% da mão-de-obra do campo e produzem 60% dos alimentos consumidos pela população brasileira. No país dos latifúndios, a bem-sucedida produção da agricultura familiar disputa com o agronegócio exportador a atenção do poder público e o reconhecimento de sua participação no desenvolvimento. A alta produtividade das pequenas propriedades contrasta com as extensas áreas ocupadas por lavouras de monoculturas e pastagens de pecuária extensiva.

    É tão claro a solução que é difícil entender, como se discute tanto o porque do Brasil não dar certo, se a solução esta escancarada na cara de todo mundo. É imprescindível, dotar o mercado interno constituído de pequenas empresas, comercio e serviços, da capacidade de crescimento de que contou o setor agrícola. E ai tem-se que mexer numa legislação trabalhista arcaica e uma jurisprudência da justiça do trabalho que viveu as ultimas décadas para penalizar quem pretendeu empreender alguma coisa.

    Não temos estratégia nacional de desenvolvimento. Isso virou um palavrão. Os problemas não foram enfrentados e foram se acumulando. Apareceu tudo agora.

    Por que a economia começou a frear a partir de 2010?

    Isso se aprende no segundo ano de economia. O que houve foi um ciclo de consumo. No governo Lula, as exportações subiram em quantidade e em preços. Isso deu impulso na economia. Permitiu soltar o credito, o gasto público, a arrecadação subiu. Isso moveu a economia. Em 2009, Lula fez certo, uma política de sustentação para não deixar a economia afundar. Mas isso é um ciclo de consumo, que é curto.

    O Lula se deixou levar por um entusiasmo e ingenuidade embalado por um otimismo inconsequente, a única coisa boa da atuação do Lula foi sua origem metalúrgica e a educação da ideologia que a prosperidade somente seria possível diante do resultado da produção. Porem, infelizmente só ficou nisto, Acontece que a falta de experiência administrativa e gerencial do Lula falou mais alto em detrimento de sua disposição de utilizar os parcos conhecimentos empresariais fruto da sua convivência com os empresários de seu tempo. O que falta para os teóricos e os economistas que em ultimo caso são os que verdadeiramente ditam os rumos das politicas econômicas adotadas é exatamente esta convivência com aqueles que efetivamente geram riqueza e produtividade. Os teóricos e os economistas estão muito mais alinhados com o rentismo do que com a produção.

    Enquanto os partidos tradicionais do Poder antigo traziam o know, o berço, as raízes do conhecimento das alavancas, o “mando ancestral” de que falava Jorge Amado, o PT não tinha essa experiência acumulada. Assumiu um poder como quem entra pela porta de serviço, acanhado e respeitoso. Não soube fazer uma aliança vital com as Forças Armadas e talvez nem pudesse, seu DNA vinha de uma vertente anti-militar não doutrinária, porque nem sabiam por que eram, afinal, o PT nasceu durante o regime militar e sob a tolerância, para não dizer, bênçãos do General Golbery.

    Quem vai inverter esta situação?

  3. DjalmaSP

    5 de maio de 2015 7:38 pm

    Dois pontos

    1)Catastrofismo me lembra uma femea de urubu do PIG e mesmo assim nunca foi consultado pra nada. Estamos tão estagnados que somos uma das maiores economias do mundo. Sei não muito pouco conteúdo

    2)Ao dar de cara com as fotos escolhidas da Dilma pensei por uma fração de tmpo ter aberto site da UOL ou do globo.com ou do IG;

     

    Talvez um ponto seja complementar ao outro.

  4. Hcc

    5 de maio de 2015 8:39 pm

    Economistas

    Conseguem ser quase pior que a nossa imprensa. Bem intencionados e bonzinhos, mas para aí. Porque eles não vão lá para a europa e a fazem crescer. São os mestres do tudo que se fez foi errado. São profetas que erram ao fazer previsão do passado. Como o proprio nassif.

    O mundo não vai se refazer se não criar uma verdadeira ciencia econômica que esta longe do que se ensina nas escolas.

    Percebam que as milhares de crianças de deixaram de morrer devido ao bolsa família não representa nada para eles. Desconhecem esta inexpressiva e vazia “variavel economica”. Preferem dizer,  com ares de importancia que o governo Dilma Lula é um desastre. Ajudam muito ao pig,

     

     

     

  5. Anarquista Lúcida

    5 de maio de 2015 8:51 pm

    Cacilda! Em q o fato dele ter sido professor d Dilma é relevant?

    Se o título fosse da Folha, até que faria sentido, o PIG é o PIG. Mas o Blog agora quer competir com o PIG para ver quem faz mais coisas próprias do PIG… 

    1. Calvin

      6 de maio de 2015 2:04 am

      Ainda acredita nisso nessa idade?

      Peppa pig? Inclui a The Economist, Financial Times e o STF nos golpistas? Ora….

  6. Ze Guimarães

    5 de maio de 2015 11:27 pm

    Excelente artigo

    Excelente artigo, da primeira à última palavra, corretíssimo.

     

    Isto quer dizer que a situação é ainda mais assustadora do que se imagina. E o pior é que se espera um rescrudescimento da recessão mundial, pois como o Professor mesmo disse, a economia dos EUA se mantém artificialmente inflada numa bolha, que estourará de novo logo em breve.

    A popularidade de Dilma em 7%, no fim do mandato; pelo menos em alguma coisa ela conseguirá terminar o governo vencendo FHC, que teve 9% de popularidade. O record de menor popularidade será arrebatado das mãos de Fernando Henrique.

    Em momentos tão graves assim, corre-se o risco de soluções radicais; a tercerização foi apenas o começo do que pode estar por vir. Corre-se o risco desde clamarem por uma nova constituição, ou até o risco de mudarem o regime. As vezes erra-se mais ainda ao tentar mudar algo apressadamente sem pensarem com muita calma.

    Em meio a tantas incertezas, começa a aparecer uma certeza; a de que Dilma não sofrerá impeachment, afinal de contas a oposição vai querer mante-la no poder até o fim, uma vez que já percebeu que o maior inimigo do PT é a própria presidenta, com suas políticas monetárias inacreditavelmente desastrosas.

  7. bfcosta

    6 de maio de 2015 12:44 am

    Particularmente não vou muito

    Particularmente não vou muito com a cara de João Manuel, talvez por tê-lo conhecido como pessoa. Há que se dar o braço a torcer que não estamos bem, muito longe disso. O que ele fala sobre a crise da dívida e como perdemos o rumo desde então é verdade e poucs pessoas atentam a isso. Mas o mais interessante é ver que nem eles sabem dizer qual seria o rumo correto. Ou melhor, até sabem mas não tem coragem de arcar com as consequências de ter que dizer isso em alto e bom som.

  8. Maria Luisa

    6 de maio de 2015 7:27 am

    Sem concessão

    O professor João Manuel, ao meu ver, acerta em quase tudo, sobretudo quando diz “A pobreza intelectual e moral do Brasil é muito maior do que a pobreza material.” 

  9. Marcos I Mendes

    6 de maio de 2015 2:22 pm

    O tiro saiu pela culatra

    A Folha foi arrancar do professor que a Dilma está ruim, mas ele arrastou o FHC dizendo que este foi péssimo. 

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