4 de junho de 2026

Câmara vota emendas do Projeto de Lei da terceirização

O presidente da Câmara Eduardo Cunha pretende “esgotar o assunto” até, no máximo, amanhã. Partidos vão tentar mudar a possibilidade de a terceirização ser usada para as atividades-fim da empresa contratrante.
 
 
Jornal GGN – O Projeto de Lei que prevê o aumento de trabalhadores terceirizados (PL 4.330) volta à pauta da Câmara, dessa vez para discutir as emendas. O texto-base já foi aprovado recentemente pela Casa, mas poderá ganhar modificações. Os deputados reunem-se às 14h para a sessão.
 
O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) afirmou que pretende encerrar o andamento do tema na Casa até, no máximo, amanhã (15). E que manterá como pauta exclusiva até “esgotar o assunto”. “Em última instância faz uma [votação] nominal atrás da outra”, disse.
 
Se aprovado pelo Senado, da forma como está, o projeto amplia a terceirização para todos os setores, incluindo para os cargos da atividade principal da empresa contratante. Hoje, a prática só é permitida para atividades-meio, aquelas que não envolvem a função principal do serviço oferecido.
 
Essa é uma das principais polêmicas do projeto, incidindo na precarização da relação trabalhista. O receio foi demonstrado em audiência pública na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado, que contou com representantes de associações e diversos setores e categorias profissionais.
 
Sindicatos, movimentos sociais, representantes da OAB, do Ministério Público do Trabalho e de outras áreas alertaram para os impactos do projeto de lei. O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Antônio José de Barros Levenhagen, foi um dos que se posicionou contrária à proposta. 
 
Para o magistrado, o Congresso deve, ao contrário, estabelecer tetos para a terceirização, como o de até 30% dos prestadores de serviço de uma empresa. Também sugeriu que os vencimentos dos terceirizados não possam ser inferiores a 80% do salário dos empregados concursados, para evitar distorções salariais. 
 
Nesta terça-feira (14), os partidos que são contra alguns pontos do projeto vão tentar mudar a possibilidade de a terceirização ser usada para as atividades-fim da empresa contratrante. Outro ponto que pode ser incluído em emendas é o tipo de responsabilidade dfa empresa, como subsidiária e não solidária. Neste último, o trabalhador pode processar a empresa apenas se ela não fiscalizar os pagamentos devidos – definição aprovada no texto-base. 
 
O texto do projeto de lei ainda não garante a filiação dos terceirizados no sindicato da atividade, fragilizando a organização e defesa dos direitos dos trabalhadores.
 
Ainda assim, Cunha entende que um consenso será estabelecido entre os parlamentares. “Tudo está mais ou menos consolidado e há divergência só de controle. Há o convencimento de que [o acordo] não vai aumentar alíquota mas também não vai permitir que o governo possa ter qualquer tipo de perda”, afirmou.

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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8 Comentários
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  1. Francisco Andrade

    14 de abril de 2015 2:50 pm

    não passará,….

    O PL  4330 deve ser vetado integralmente pela presidência da República, respaldada pela CLT.

    1. gabi_lisboa

      14 de abril de 2015 3:44 pm

      Eu espero que você esteja certo,

      mas depois que o Levy fez um acordo com o congresso para garantir que a arrecadação de impostos seja mantida com a aprovação da terceirização, eu já não tenho tanta fé no bom senso da Dilma. 

      1. EJ

        14 de abril de 2015 6:45 pm

        Eu não tenho mais fé nenhuma, Gabi. Se Dilma fosse contra, estaria trabalhando contra, como está fazendo, com razão, no caso da diminuição da maioriadade. Neste projeto da terceirização ampla e irrestrita, o governo tem demonstrado preocupar-se apenas com a sua arrecadação. Até agora, deixou-nos, os trabalhadores, entregues à picaretagem dos 324 que preferiram agradar os empresários, certamente, os financiadores das suas campanhas. Mas, se o Senado confirmar o golpe contra os trabalhadores e ela não vetar, merece o repúdio de todos nós,  por ter apoiado a revogação de um dos princípios basilares da CLT. Daí em diante, vire-se sozinha, perante os golpistas que lhe querem o impeachment. Apoio não terá mais.

  2. jns

    14 de abril de 2015 3:24 pm

    Vá entender

     

    “Somos loucos ou o país é um hospício.”

     

    1 – Para entender a natureza da crise política

    Luis Nassif | GGN | 09/04/2015

    Há diversos fatores explicando esse esgarçamento do poder.

     Uma das características da crise atual é o da implosão das formas de poder e dos sistemas de controle social.

    Em todos esses casos, o elemento deflagrador são as campanhas midiáticas semeadas em solo fértil, fabricando o ódio e criando a figura do grande Satã a ser combatido.

    Nos próximos meses a recessão se aprofundará assim como o desemprego. Não haverá nada que possa ser oferecido à opinião pública, a não ser ideias coerentes que apontem claramente o rumo do país e ajudem a atravessar  a tempestade.

     

    2 – Desde a ditadura ninguém metia a mão no bolso do povo desse jeito. Por Paulo Nogueira

    DCM | PAULO NOGUEIRA | 10/04/2015

     

    3 – Presidenta, vá à TV e denuncie a Terceirização. E depois vete

    Se Dilma não pode governar, que não se torne sócia das medidas antipopulares que PMDB, PSDB e os outros partidos de direita (alguns da base) estão tomando

    EDUARDO GUIMARÃES | 9 DE ABRIL DE 2015

     

    4 – Sívio Matos resume: – “Nós tamos fudidos!”

    [video:https://youtu.be/2QdAz2mlNuY width:600 height:450]

     

    FONTE:

    https://jornalggn.com.br/noticia/para-entender-a-natureza-da-crise-politica

    http://www.diariodocentrodomundo.com.br/desde-a-ditadura-ninguem-metia-a-mao-no-bolso-dos-trabalhadores-da-forma-como-fez-o-congresso/

    http://www.brasil247.com/pt/247/artigos/176557/Presidenta-v%C3%A1-%C3%A0-TV-e-denuncie-a-terceiriza%C3%A7%C3%A3o-E-depois-vete.htm

  3. Cunha

    14 de abril de 2015 3:47 pm

    #vetadilma

    #vetadilma

  4. Anna Dutra

    14 de abril de 2015 5:43 pm

    #vetadilma

    #vetadilma

  5. Bruno GH

    23 de abril de 2015 6:14 pm

    Terceirização

    Opinião minha: muito difícil barrar/impedir a terceirização. A única forma seria fazer, via emendas, que ficasse mais caro terceirizar que primarizar. Aí somente terceirizariam o que de fato a empresa ‘mãe’ não tem expertise para executar.

     

    Link interessante:

    http://brasileconomico.ig.com.br/brasil/2015-04-23/a-terceirizacao-degrada-as-condicoes-de-trabalho.html

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