4 de junho de 2026

Uma prova histórica de que os militares não tiveram apoio popular para o golpe de 1964

Tanto Bolsonaro quanto alguns militares dizem que o Golpe ocorreu com apoio da sociedade. Mas a verdade é inversa: o Golpe ocorreu porque golpistas não tinham o apoio da sociedade e, por isso, a necessidade de destruir a democracia. Os documentos são mantidos pela Unicamp
Reprodução: Hora do Povo

Da Carta Campinas

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Versão de Bolsonaro e militares para o Golpe é falsa desde 2003, revelou dados que estão na Unicamp

Reportagem da Agência Senado de 2014 mostrou que a versão do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e de parte dos militares sobre o Golpe de 64 é totalmente falsa, pelo menos desde 2003, quando foi comprovada a falsidade da justificativa para a Ditadura. Tanto Bolsonaro quanto alguns militares dizem que o Golpe ocorreu com apoio da sociedade. Mas a verdade é inversa: o Golpe ocorreu porque golpistas não tinham o apoio da sociedade e, por isso, a necessidade de destruir a democracia. Os documentos são mantidos pela Unicamp. Veja texto:

Pesquisas feitas pelo Ibope às vésperas do golpe de 31 de março de 1964 mostram que o então presidente da República, João Goulart, deposto pelos militares, tinha amplo apoio popular. Doadas à Universidade de Campinas (Unicamp) em 2003, as sondagens não foram reveladas à época.

Pelos números levantados, Jango, como Goulart também era conhecido, ganharia as eleições do ano seguinte se elas tivessem ocorrido. Entrevistas realizadas na cidade de São Paulo na semana anterior ao golpe mostravam que quase 70% da população aprovavam as medidas do governo.

Pesquisa contradiz militares
O professor Luiz Antônio Dias, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), afirma que uma das pesquisas do Ibope, desconhecida durante 40 anos, havia sido encomendada pela Federação do Comércio de São Paulo (Fecomércio), que fazia oposição a Jango.

Ele participou do programa Ponto de Vista, da TV Câmara. O especialista destaca que o levantamento derruba uma das justificativas dos militares para tomarem o poder em 1964: a de que o governo de João Goulart era frágil e impopular.

“Muitos historiadores, até dez anos atrás, ainda tinham essa ideia de que Goulart caiu porque era frágil, não tinha o apoio dos partidos e, sobretudo, da população”, comenta Dias.

Radicalização ideológica
Historiador da Universidade de Brasília (UnB), Antonio Barbosa ressalta o clima de polarização ideológica que o País vivia. Para os opositores, Jango representava uma “ameaça comunista”. “A partir de 1963, cria-se um quadro de crescente radicalização: a Igreja Católica, o empresariado, as Forças Armadas e a imprensa vão assumir uma posição contrária às reformas defendidas por Jango, identificadas como a ‘comunização’, a ‘esquerdização’, a ‘bolchevização’ do Brasil”, explica.

Imprensa
O professor Luiz Antônio Dias vai além e diz que a grande imprensa participou da articulação do golpe militar. Segundo ele, esse movimento inclui todos os maiores jornais da época, como: Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo e Jornal do Brasil.

“Eram recorrentes matérias ou editorais vinculando o governo aos comunistas. Não me lembro de ter visto nenhuma afirmação direta de que Goulart fosse comunista, mas era muito comum, por exemplo, atribuir ao Ministério da Educação, um programa comunista, como a criação de cartilhas para doutrinar nossos jovens”, informa. “Outra situação relativamente comum, tanto na Folha quanto no Estadão, era a preocupação com a possibilidade de Goulart dar um golpe para se manter no poder”, completa.

Dias lembra que o jornal A Última Hora, que apoiava o governo Jango, sofreu boicote de anunciantes e foi à falência, até ser comprado pela Folha de S.Paulo. (Da Agência Senado/Carta Campinas)

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8 Comentários
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  1. republicano arrependido

    29 de março de 2019 8:40 pm

    lembro era jango
    como uma das mais felizes e democráticas.
    a partir do golpe, veio o obscurantismo, a tristeza…
    sentimento de adolescente que
    naõ participava politicamente
    e tem plena certeza de que as mentiras
    da grande mídia em conluio com os militares
    é que propiciaram o golpe infame
    que travou a democracia por longo tempo….

  2. antipaneleiro

    29 de março de 2019 8:50 pm

    Nunca tiveram e não terão o apoio da população. Todo mundo (menos o Barroso) sabe que a eleição de 2018 foi uma fraude hondureña e que Lula é o presidente que o povo quer.
    Os militares insistem em posar de 1001 coisas: liberais, neoliberais, fascistas, evangélicos, neopentecostais, nacionalistas, conservadores, cristãos, anti-tudo-que-cheire-esquerda ou simplesmente humanismo e tutti quanti. Mas no final acabarão mais desmoralizados do que em 1985. Pois quem trabalha contra aquele que deveria proteger, sempre será desprezado: o juiz que afunda a economia de seu país, o pai que rifa o futuro de seus filhos, o exército que joga seu país numa guerra estúpida.

  3. Hc.coelho

    29 de março de 2019 9:25 pm

    Até hoje estes terroristas da globo falseam sobre o que o povo quer e não quer.
    O método é-o mesmo. Eles são os grandes responsáveis pela desgraça dos golpes de 64 e 2016.
    São os grandes responsáveis.

  4. Carlos Elisio

    30 de março de 2019 5:53 am

    Esqueceram de citar que foram os EUA o grande fiador do golpe de 1964.
    O golpe aplicado em 2016, simplesmente repetiu os atores e processo de 1964 com ênfase no judiciário e com a novidade das redes sociais com utilização das fake news.
    A janela de transição até as eleições de 2018 foi preenchida com o ódio e a desinformação, que resultaram nesta tremenda catástrofe política e social da qual, acredito, levaremos alguns anos até apagar da nossa história.

  5. Sérgio Cardiano

    30 de março de 2019 1:19 pm

    Demonstra claramente que, um dos objetivos declarados de Jair Bolsonaro; “fazer o país voltar ao que era há 50 anos atrás”, já foi atingido. Antes mesmo dele assumir o cargo.
    Nada mudou! Os atores, as mentiras e os métodos continuam os mesmos.

  6. Cláudio

    30 de março de 2019 4:45 pm

    Jango foi o Lula de 64. Lula é o Jango atual.

  7. Fernando Oliveira

    2 de abril de 2019 1:33 am

    Assustador o artigo. Pretende desacreditar fotos bem conhecidas, passeatas, notícias e testemunhos vários, apenas por uma supostamente bem realizada pesquisa do IBOPE naquela época..rsrs qual terá sido a amostragem… Rsrsrs. Pior que o antigo só mesmo os comentários… Rsrsrsrsrsrs

  8. Fernando Oliveira

    2 de abril de 2019 1:34 am

    Assustador o artigo. Pretende desacreditar fotos bem conhecidas, passeatas, notícias e testemunhos vários, apenas por uma supostamente bem realizada pesquisa do IBOPE naquela época..rsrs qual terá sido a amostragem… Rsrsrs. Pior que o artigo só mesmo os comentários… Rsrsrsrsrsrs

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