Jornal GGN – O governo Bolsonaro se rendeu ao presidencialismo de coalizão após entender que a retórica de atacar o jogo de forças com o poder Legislativo foi responsável por paralisar o desempenho nos primeiros três meses de Planalto.
Nesta quarta-feira (03), enquanto ainda segue como presidente em exercício, antes de Bolsonaro desembarcar em solo brasileiro, Hamilton Mourão disse à imprensa que o governo pode oferecer aos partidos políticos cargos em órgãos federais nos estados ou nos ministérios para manter sua base aliada no Congresso Nacional e garantir apoio nas votações de projetos governistas, especialmente a reforma da Previdência.
“Primeiro lugar, o governo tem que ter clareza em apresentar suas propostas, de modo que traga os partidos em torno dessas propostas. Esse é o ponto focal. A partir daí, no momento em que esses partidos estejam concordando com o que o governo pretende fazer, é óbvio que terão algum tipo de participação, seja cargos nos estados ou em algum ministério, isso é decisão do presidente”, disse segundo informações da Agência Brasil.
Nesta manhã, Mourão recebeu no gabinete da Vice-Presidência, em Brasília, parlamentares do PRB, mas disse que foi uma visita de cortesia. Ele ressaltou ainda que os articuladores do Palácio do Planalto com o Congresso nacional são os ministros da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e da Secretaria de Governo, Alberto Santos Cruz.
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O presidente Jair Bolsonaro tem encontro marcado nesta quinta-feira (04) com lideranças partidárias do PSDB, MDB, PP, DEM, PSD e PRB. O objetivo é buscar apoios e construir uma base aliada no Congresso.
Em entrevista à Folha de S.Paulo no dia 20 de março, o professor aposentado da USP e docente na escola de economia da Fundação Getúlio Vargas, Fernando Limongi, um dos principais estudiosos do sistema político brasileiro, avaliou que a disposição do governo Bolsonaro de articular apenas com bancadas temáticas, colocando de lado as lideranças partidárias, colocava em risco a própria governabilidade do Planalto.
O discurso contra acordos com os partidos no Congresso demonstrava ainda despreparo de Bolsonaro como líder do Executivo.
“É muito pouco provável que o governo seja capaz de governar sem costurar acordos com partidos. É assim no mundo inteiro. Partidos organizam o processo político. Nasceram dessa necessidade”, explicou Limongi pontuando que “não há relação necessária entre governo de coalizão e corrupção” – um dos argumentos retóricos utilizados por Bolsonaro para evitar dividir forças com o Congresso.
“Além disso, basta ler os regimentos internos do Senado e da Câmara para ver que os partidos são peças-chaves do processo decisório. Por força dos regimentos, líderes partidários definem quais matérias serão votadas, quando e como. Sem a participação dos líderes, as coisas não andam. Os líderes de bancadas temáticas não têm essas prerrogativas. É simples assim. É básico”, completou o cientista político.
Roberto
3 de abril de 2019 5:52 pmDeclarou que governar o Brasil é um abacaxi, só para incompetentes, aliás, o que não falta neste país, só acumula fraxassos, com exceção a outros verdadeiros presidentes, Getúlio Vargas eJK.
Renato Lazzari
4 de abril de 2019 9:24 amHumm… Quer dizer que a indisponibilidade do Executivo em acatar as demandas dos partidos por cargos e poderes, pela divisão do butim, era só o bode na sala, hein?
A considerar tudo que cerca esse governo de agora, inclusive com o Ministério da Justiça e o Judiciário tomados pelos golpistas, creio que podemos esperar muita, muita corrupção ativa, passiva, peculato, tráfico de influência por aí…