Negar acordo com partidos no Congresso demonstra despreparo de Bolsonaro, diz cientista político

‘Não há relação necessária entre governo de coalizão e corrupção. Em um grande número de países não se escapa da necessidade de partilhar o poder’, pondera Fernando Limongi.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Jornal GGN – Ao negar a necessidade de acordo com os partidos no Congresso e se focar apenas nas bancadas, Bolsonaro põe em risco a própria governabilidade. Essa é a avaliação do professor aposentado da USP e docente na escola de economia da Fundação Getúlio Vargas, Fernando Limongi.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, ele aponta que a corrupção não é consequência do processo de coalizão. Um exemplo disso é o caso da Dersa, estatal paulista de estradas envolvida em uma série de escândalos nos governos tucanos.

Assim, para o cientista político, o discurso de Bolsonaro na defesa de alianças com bancadas temáticas, ao invés da estratégia da coalizão, demonstra o despreparo de líder do Planalto.

“Não há relação necessária entre governo de coalizão e corrupção. Não há dúvidas de que, no Brasil, as duas coisas conviveram no passado recente, mas daí a concluir que uma coisa leva à outra é a mais pura bobagem. A relação está longe de ser causal. Há corrupção sem o tal do presidencialismo de coalizão”, destaca Limongi.

A expressão “presidencialismo de coalizão” foi usada pela primeira vez há mais de 30 anos no título acadêmico do cientista político Sérgio Abranches e designa a realidade de um país presidencialista onde o chefe do executivo, para governar, precisa fazer acordo com os partidos no Congresso. Essa divisão do poder com o parlamento muitas vezes significa a concessão de cargos e ministérios.

“É muito pouco provável que o governo seja capaz de governar sem costurar acordos com partidos. É assim no mundo inteiro. Partidos organizam o processo político. Nasceram dessa necessidade”, explica Limongi.

“Além disso, basta ler os regimentos internos do Senado e da Câmara para ver que os partidos são peças-chaves do processo decisório. Por força dos regimentos, líderes partidários definem quais matérias serão votadas, quando e como. Sem a participação dos líderes, as coisas não andam. Os líderes de bancadas temáticas não têm essas prerrogativas. É simples assim. É básico”, completa o cientista político.

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O professor destaca que esse não é um fenômeno puramente brasileiro. “Em um grande número de países não se escapa da necessidade de partilhar o poder”.

“Toda e qualquer proposta legislativa do presidente precisa ser aprovada por uma maioria. Se o partido do presidente não controla a maioria das cadeiras, tem que conseguir apoio de parlamentares dos demais partidos”, ressalta.

Limongi pontua que o partido do presidente no Congresso, o PSL, não conseguiu demonstrar ainda organização ou propostas concretas. Então existe a necessidade de o governo articular com os demais partidos para garantir o apoio para passar projetos e reformas, e isso inclui e Previdência.

Em outras palavras, uma base estável no Congresso é fundamental para a governabilidade.

“É uma questão de estratégia política e que não tem nada a ver com montar o governo em torno de ideias, competência ou o que for. Nas duas opções [o partido presidencial controlando a maioria das cadeiras e o apoio da maior parte dos partidos no Congresso], para obter maioria, o governo tem que ampliar sua base, obter apoio da maioria. No primeiro caso, de uma forma limitada, circunstancial. No segundo, de uma maneira estável, permanente”.

A estratégia desenhada por Bolsonaro até aqui, de privilegiar o caso a caso, “diminui o horizonte temporal de negociação do governo”. “A resistência a apoiar o governo aumenta, o preço em concessões e o tempo gasto em negociações crescem”, resume Limongi. Para ler a entrevista na íntegra, clique aqui.

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3 comentários

  1. “”O BOLSONARO, QUE “SE VENDEU” AOS ELEITORES E AOS JUSTICEIROS DA TV: DATENA RATINHO, BACCI E ETC; COMO SENDO “UM LIDER”. UM CARA FORTE E DESTEMIDO””. Mas já no primeiro mês de governo, O BOLSONARO, que em 28 ANOS com deputado Federal só teve DUAS IDEIAS PARA O BRASIL, se mostrou “UMA MARIONETE”, manipulada pelos: GOLPISTAS DA DIREITA, PASTORES FALSOS MORALISTAS, RETRÓGRADOS DA SANGUINÁRIA DITADURA e um tal Guru, Olavo Carvalho, que é UMA ESPÉCIE DO JOÃO DE DEUSVDP BOLSONARO. É claro então que “”AO LADO DESSE TIPO DE GENTE, E FALANDO TANTA BESTEIRA QUE CRIAM INTRIGAS COM OS MAIORES PARCEIROS COMERCIAIS: CHINA, RÚSSIA, PAÍSES ÁRABES E VENEZUELA; ACHANDO QUE VAI ATINGIR O LULA E O PT, NÃO DÁ PRO BOLSONARO NEGAR QUE É A CONTINUIDADE DO GOVERNO GOLPISTA DO TEMER”””

  2. Coalizão, aliança, pacto político, e tudo que está por trás desses nomes são fatos da vida política, e Bolsonaro faz isto o tempo inteiro, junto com todos os atos por trás desses nomes, e da pior forma possível. O discurso e a retórica de não fazer isto é uma balela grotesca e mentirosa. Bolsonaro vive fazendo isto com os seus amigos, chamados agora de alinhados ideologicos. O que ora ocorre é que a conta das alianças com bancadas está sendo comprada. O discurso de Bolsonaro, é que não faz nada do que ele faz. Discursa e a mídia bate palma e propaga a idéia de escolhas técnicas, quanto sabemos que as escolhas são de amigos, e da turma. O retrato disto é ele levar o filho para passear na CIA. O problema de Bolsonaro não é aversão a coalizao,aliança ou pacto político, mas sim falta de entendimento sobre o que é isto. Para começar ele indicou Onyx, (que não é o antílope-chifrudo mas) que vive dando cabeçadas e jamais primou pela inteligência política e ou pela diplomacia na negociação. Depois Bolsonaro pensou que bastava apenas a bancada militar ( que cá para nós é um grupo com muitos militares com idéias diferentes do que é uma nação) e um ministro Moro para enquadrar as outras bancadas. E o outro superministro é Guedes o mão de tesoura, cuja educação e polidez política é indescritível. Veremos no que segue, ( apos a reforma) que a imprensa só então irá difundir o que esta rolando nos bastidores do toma lá da cá. A inepcia política de Bolsonaro não tem a ver com pruridos éticos e políticos, mas sim com seu perfil político, intelectual e humano.

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