4 de junho de 2026

As refinarias da Petrobras e sua história, por André Motta Araújo

Seria uma ironia agora vender essas refinarias para essas mesmas "majors" que não correram o risco de construí-las.

As refinarias da Petrobras e sua história, por André Motta Araújo

A PETROBRAS ESTATAL DESCOBRIU O PRÉ-SAL

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Os privatistas da PETROBRAS pegaram o patrimônio construído por patriotas, já pronto, nada, absolutamente nada construíram eles mesmos, e com a obra pronta e realizada, 7ª petrolífera do mundo, querem vender rapidamente, tudo, desintegrando uma empresa sólida, eles querem liquidar por razões de ideologia em primeiro lugar e, em segundo, agradando os “mercados”. A primeira onda de privatizações enriqueceu os neoliberais, a venda da Petrobras é um projeto dos anos 90, vem do governo FHC (Petrobrax) mas lá atrás eles não tinham condições politicas de realizar o desmonte do Estado.

Os neoliberais da Casa das Garças tem o sonho de liquidar com todas as estatais, na contramão dos países emergentes, da China, da Russia, do México, tem como maior troféu esquartejar a PETROBRAS e vende-la em pedaços, desintegrada, destruindo essa grande empresa, a maior do Brasil.

PARENTE E CASTELLO BRANCO NUNCA PENSARAM NO FUTURO DA PETROBRAS, SÓ EM VENDÊ-LA
Os dois neoliberais de apostila, um que presidiu e quase quebrou e outro que a preside agora, JAMAIS deram uma entrevista sobre seus planos para o futuro da empresa, como por exemplo, aumentar o refino do diesel no Brasil, que é menor do que o necessário, aproveitar o gás queimado no pré-sal, modernizar as refinarias que precisam de upgrade, explorar concessões no pré-sal angolano, NÃO HÁ PLANO ALGUM PORQUE ELES QUEREM É VENDER A EMPRESA EM PEDAÇOS OU NO TOTAL, não querem engrandece-la, fazer maior, mais sólida e mais poderosa.
Um presidente de empresa tem o DEVER FIDUCIÁRIO de zelar pela sua empresa, seu patrimônio, lucros e mercado, ele não pode ajudar concorrentes, pela nossa Lei das Sociedades Anonimas (Lei 6.404- art.155) e pelas regras legais do mercado de capitais daqui e do mundo. Ao anunciar que vai vender metade das refinarias para “estimular a concorrência”, o presidente da PETROBRAS trabalha CONTRA A EMPRESA.
Imagine um dono de padaria exclusiva no bairro procurar um concorrente para montar uma padaria vizinha à sua, com o objetivo de “estimular a concorrência” e assim baixar os preços. ELE ESTARIA TRABALHANDO CONTRA SEUS PRÓPRIOS INTERESSES, até uma criança sabe disso. Pois o presidente da PETROBRAS anuncia que vai fazer exatamente isso, vai vender refinarias e entregar mercado para concorrentes da PETROBRAS. Qualquer acionista pode processá-lo, ele estará agindo CONTRA O INTERESSE da empresa que preside e para a qual deve lealdade, não lhe cabe trazer concorrentes para entregar seu mercado.
Aliás, caberia uma investigação do Congresso sobre a razão econômica que faz a PETROBRAS preferir importar óleo diesel de concorrentes americanos a refinar mais petróleo no Brasil para produzir mais diesel aqui. Parte das refinaras da PETROBRAS estão ociosas porque está se importando muito diesel dos EUA e deixando de produzir no Brasil, não tem nenhuma logica, mesmo se a importação for um pouco mais barata, a produção local gera empregos e impostos no Brasil, os EUA produzem em casa petróleo muito mais caro que o importado por razões estratégicas. Petróleo não é só conta de padaria,
petróleo é politica energética de País, todos os países importantes tratam o petróleo como assunto estratégico, não só econômico.

As refinarias da Petrobras e sua história

Quando a Petrobras foi criada, em 1953, o Brasil já era um grande mercado de combustíveis, o maior das Américas depois do norte-americano. Aqui já estavam com grande presença a ESSO, a SHELL, a GULF, a ATLANTIC, importando combustível refinado e distribuindo sob suas bandeiras no País.

Mas essas empresas nunca se interessaram em montar refinarias no Brasil. Tínhamos algumas pequenas, a Ipiranga no Rio Grande do Sul, de acionistas argentinos, em 1954 a Manguinhos, do deputado Drault Ernnany no Rio e a Capuava dos Soares Sampaio em SP. Foi a PETROBRAS que começou a montar uma rede de grandes refinarias no Brasil, com construção em parte dirigida por militares, como a de Cubatão (general Stenio Caio de Albuquerque Lima).

Portanto, foi a PETROBRAS quem construiu o parque nacional de refino, pela ausência das majors nesse investimento. Seria uma ironia agora vender essas refinarias para essas mesmas “majors” que não correram o risco de construí-las. Uma das prováveis interessadas será a RAIZEN, onde a Shell é a grande acionista. Quer dizer, a PETROBRAS correu o risco e o esforço de construir e agora vem quem não quis construir comprar o prato feito.

O PRÉ-SAL FOI UM EMPREENDIMENTO DA EMPRESA ESTATAL

Os privatistas neoliberais jamais comentam que a maior realização do Brasil em petróleo, a exploração do PRÉ-SAL, foi do começo ao fim uma aposta da PETROBRAS, que só poderia ser feito por uma estatal que visava o interesse nacional. Nenhuma empresa privada iria arriscar tal volume de recursos em um empreendimento que poderia ter resultado zero. Foi a PETROBRAS, com pesquisas de longo prazo, com apoio de universidades federais, especialmente do COPPE da UFRJ, quem levou a frente esse grande projeto estratégico.  Nenhum “investidor” desses que dão entrevista no VALOR se arriscaria a uma operação de altíssimo risco no meio do Atlântico e com potencial, se tudo desse certo, exclusivamente de longo prazo.

AS MUDANÇAS NO MUNDO DO PETRÓLEO

Os anos 70 conheceram uma grande mudança no mapa geopolítico do petróleo. As “Sete Irmãs” do petróleo, todas americanas e europeias, foram ultrapassadas por uma onda de nacionalizações nos países produtores, a começar pela mítica ANGLO PERSIAN, que foi estatizada e deu lugar à NIOC – National Iranian Oil Co. Nessa mesma onda, o Iraque nacionalizou a Iraq Petroleum Co., fundada por Calouste Gulbenkian e mais quatro das “Sete Irmãs”.

A Arabia Saudita estatizou a ARAMCO, que pertencia a quatro americanas das “Sete Irmãs”, o Kuwait nacionalizou a Kuwait Oil Co., britanica, da BP, novo nome da parte não iraniana da antiga Anglo Persian, a Venezuela estatizou as três das “Sete Irmãs” que tinham concessão, a Shell, a Texaco e a Esso, muito antes do governo Chavez, depois juntando as três “ven”, lideradas pela Lagoven,para formar a PDVSA.

O México foi o pioneiro na nacionalização do petróleo, em 1938, quando o Presidente Lazaro Cardenas criou a PEMEX. A PETROBRAS foi a segunda grande estatal do petróleo, fundada em 1953 sob pesados protestos dos neoliberais da época encabeçados por Eugenio Gudin, avô espiritual dos atuais neoliberais. Gudin achava que o Brasil deveria se conformar em produzir café, não ter indústria e importar petróleo.

A criação da PETROBRAS foi fruto de uma pesada luta política, os conservadores não queriam de forma alguma mas até a UDN, por sua ala nacionalista liderada por Gabriel Passos,  acabou votando no Congresso a favor da Lei 2004 que criou a PETROBRAS, a mesma empresa histórica que hoje fanáticos de Chicago querem vender em pedaços.

A PETROBRAS E A INDÚSTRIA

A PETROBRAS foi uma das grandes incentivadoras da indústria nacional com suas encomendas, propiciando o desenvolvimento da fabricação de tubos sem costura, de compressores, válvulas, motores (o primeiro motor elétrico à prova de explosão foi desenvolvido por minha empresa, a PETROBRAS foi por muitos anos nossa maior cliente), trocadores de calor, bombas centrifugas, disjuntores, tintas especiais, indústria naval.

O INTERESSE NACIONAL, AS FORÇAS ARMADAS E O DESMONTE DA PETROBRAS

A PETROBRAS antes de ser uma ação cotada na Bolsa de Nova York, uma trama dos privatistas da Era FHC para preparar desnacionalização da empresa, era um empreendimento de interesse nacional e assim sempre foi visto pelas Forças Armadas brasileiras. Permitir o seu esfacelamento e desmonte, como querem os neoliberais, é um crime de lesa pátria. As FFAA devem ter essa consciência e impedir tal loucura de fanáticos ideológicos, a alma, os recursos e as aspirações das Forças Armadas brasileiras estão coladas na formação da PETROBRAS, que teve grandes presidentes militares como Janary Nunes, Levy Cardoso, Faria Lima, Ernesto Geisel. Nenhum dos países que tem estatais de petróleo pensa em se desfazer delas, que hoje dominam o mundo do petróleo.

Uma estratégia mais racional seria fechar o capital da PETROBRAS, o governo comprando as ações dos minoritários, é perfeitamente legal e eliminando a absurda jurisdição americana sobre os negócios da PETROBRAS, hoje com inspetores do Departamento de Justiça dentro de sua sede, trazendo a empresa de volta para seu papel estratégico de interesse nacional e não dos acionistas chantagistas de Nova York que já levaram US$3 bilhões de indenizações, sob aplausos dos “mercadistas” brasileiros e seus aliados na mídia bajuladora e nas corporações da indústria anticorrupção.

AA

Andre Motta Araujo

Advogado, foi dirigente do Sindicato Nacional da Indústria Elétrica, presidente da Emplasa-Empresa de Planejamento Urbano do Estado de S. Paulo

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8 Comentários
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  1. Maria Luisa

    25 de abril de 2019 12:41 pm

    Até quando a maioria do povo brasileiro, em todos os estratos sociais, vai viver sem conhecer a propria historia; as mulheres e os homens que deram sangue e suor para o desenvolvimento do Pais, suas riquezas e complexidades? Eh terrivel ver a Petrobras sendo desmontada dessa forma sob silêncio da imprensa que no Brasil defende os direitos estrangeiros e a imensa maioria nem sabe muito bem o que esta acontecendo. Disseram ao povo brasileiro que a Petrobras é um ninho de corrupção, mal administrada e que por isso deve ser privatizada. E repete-se esse estribilho pelos diversos estamentos da republica até que as pessoas abaixam a cabeça e dizem que o brasileiro não tem capacidade para gerir um empresa como essa, que o melhor mesmo é “vender” para os gringos… O Brasil, como dizia com propriedade Tom Jobim, não é para tolos…

  2. Joel lima

    25 de abril de 2019 1:37 pm

    Quando for concluído a venda da Petrobras já poderia se desfazer das forças armadas, que pelo jeito só deve pra fuzilar civis inocentes. Infelizmentetalvez estejamos testemunhando hoje a destruição do pais ser um país que conta pro cenário mundial .

  3. andre araujo

    25 de abril de 2019 3:27 pm

    Deixei de registrar a importante presença da TEXACO no Brasil desde os anos 40. Lembrando tambem o peso e a importancia da Standard Oil Company of New Jesey no Brasil já grande e na
    Segunda Guerra dispunha do REPORTER ESSO, programa de noticias mais importante do Pais
    na Radio Nacional, ancorado pelo celebre locutor Heron Domingues. A Standard Oil construi no Rio
    uma historica sede com um relogio referencial na cidade, na Av.Presidente Wilson, o prédio de 1927 ainda existe, e um marco arquitetonico da Art Deco do Rio, é hoje a FACULDADE IBMEC.
    Tais observações para se ter a ideia da dimensão ja naquela época do mercado de combustiveis
    no Brasil, servido exclusivamente com importação inclusive de oleos lubrificantes.

  4. AMORAIZA

    25 de abril de 2019 6:27 pm

    A fórmula única de se dispor bens do estado no regime capitalista é privatizar o lucro e estatizar o prejuizo.
    Com um controle internacionalizado, a petrobrás não é mais do brasil mas os eventuais prejuizos serão cobrados de brasileiros.
    Não é segredo e nem se há de citar todas as empresas nacionais estratégicas que foram privatizadas nesse esquema.
    Quando elas começam a dar prejuízo voltam a ser nacionalizadas e recuperadas às custas do tesouro. Uma vez saneadas as suas finanças voltam à exploração do particular até novo ciclo. Vide teles, elétricas, saneamento…

  5. AMORAIZA

    25 de abril de 2019 6:32 pm

    A fórmula única de se dispor bens do estado no regime capitalista é privatizar o lucro e estatizar o prejuizo.
    Com um controle internacionalizado, a petrobrás não é mais do brasil mas os eventuais prejuizos serão cobrados de brasileiros.
    Não é segredo e nem se há de citar todas as empresas nacionais estratégicas que foram privatizadas nesse esquema.
    Quando elas começam a dar prejuízo voltam a ser nacionalizadas e recuperadas às custas do tesouro. Uma vez saneadas as suas finanças voltam à exploração do particular até novo ciclo. Vide teles, elétricas, saneamento…

    Continuando…
    Nossos governantes são escolhidos a dedo (dedo podre do capital) para implementar políticas que mantenham essas práticas deletérias amplamente divulgadas pelos meios de comunicação – também parte do esquema – de modo a convencer o povo, o verdadeiro proprietário dos bens do estado, (BENS E DIREITOS) de que a privatização se faz urgente e necessária.

  6. Zé Sérgio

    26 de abril de 2019 11:51 am

    Caro sr. André : (Carta Capital 26.04) ‘…Brasil perde com desnacionalização de empreiteiras contra boicote do BNDES’ ANTICAPITALISMO DE ESTADO. Somos Surreais !!!! Mas a culpa deve ser do Trump?!! Projeto de enorme sucesso, o Brasil destes 88 anos replicados por mais 40 anos calhordas e redemocráticos. Não é preciso nem desenhar. País de muito fácil explicação.

  7. Carlos Elisio

    26 de abril de 2019 11:07 pm

    Lamentável, mas as hienas neoliberais já comunicaram as diretrizes para venda de ativos do povo brasileiro:
    https://www.jb.com.br/economia/2019/04/997124-petrobras-poe-a-venda-8-refinarias–o-dobro-da-meta-anterior.html

    Vagabundo vai sair rico com entrega de nosso patrimônio. Mas, tranquilo. Este grupo é só uma gonorréia; incomoda, mas vai passar.

  8. Guimarães Roberto

    1 de maio de 2019 10:19 am

    Quando o Brasil montou seu parque industrial, o fez com petróleo importado e durante décadas. Os empresários que aqui se instalavam, nacionais e/ou estrangeiros, nunca perguntaram de onde vinha ou qual era o seu custo. O que interessava era a disponibilidade do produto para que suas máquinas e seus lucros não parassem. Enquanto isso, a Petrobras, ou melhor, os governos investiam no sentido de alcançarem a auto-suficiência nessa commodity. Depois de tudo pronto (reservas e refino) governos entreguistas resolvem simplesmente vender, sem que Congresso, Judiciário ou até mesmo as FFAA se pronunciem quanto a esse nefasto objetivo. Popularmente falando é: “Tá tudo dominado”. Se o país vier a ficar, de novo, na dependência de petróleo importado (refinado ou não) corre o sério risco de desabastecimento. O petróleo é reserva de valor enquanto no solo. O pré-sal é a garantia de abastecimento futuro para o parque industrial brasileiro. São poucos os países no mundo que possuem reserva de petróleo em grande quantidade e tecnologia para sua exploração.
    Petróleo ainda não tem substituto, sendo, portanto, a garantia de independência presente e futura. Quem não o tiver estará fadado a ver seus parques industriais paralisados e dependentes de decisões tomadas por outras nações, normalmente, as já desenvolvidas.

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