4 de junho de 2026

Em meio à crise, Sabesp firma acordos vantajosos aos grandes consumidores

 
Jornal GGN – Em meio à crise hídrica que atinge desde o ano passado a região metropolitana de São Paulo, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) firma acordos vantajosos para os grandes consumidores. Segundo informações do jornal Estado de S.Paulo, a estatal realizou, desde janeiro de 2014, 36 contratos com redução do custo da água a fim de atender estabelecimentos comerciais com alto consumo de água. O preço do metro cúbico cobrado na faixa de consumo de até 1 milhão de litros, por exemplo, é de R$ 11,67, enquanto o valor cobrado para o consumo acima de 40 milhões de litros é de R$ R$ 7,72 o metro cúbico de água.  
 
Atualmente a Sabesp tem 526 contratos nesse perfil, com grandes consumidores, chamados de “demanda firme”. A relação desses acordos foi divulgada recentemente pela  agência de notícias Pública que teve que recorrer à Corregedoria­-Geral da Administração (CGA) para conseguir esses dados da Sabesp. Até então, a companhia alegava “preserva a relação comercial estabelecida com seus clientes”.
 
 
 
FABIO LEITE 
07 Março 2015 | 03h 00
 
Já são 526 ‘clientes fidelizados’, incluindo shoppings e indústrias, que têm, juntos, cota mínima de consumo de 27,3 bilhões de litros
 
SÃO PAULO ­ A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) assinou 36 contratos que dão tarifas vantajosas a grandes consumidores de água na Grande São Paulo, mesmo após o início declarado da crise hídrica, em 27 de janeiro de 2014. Com os novos negócios, no valor de R$ 83,2 milhões, a empresa chegou a 526 clientes “fidelizados”, como shoppings, supermercados e indústrias, que têm juntos uma cota mínima de consumo contratado de 27,3 bilhões de litros, 3% da demanda total de água na Região Metropolitana.
 
Segundo a Sabesp, parte dos contratos fechados na crise foi exclusiva para o tratamento de esgoto e parte por renovação ou fusão de empresas que já integravam a carteira, mas tiveram de assinar novos negócios. A estatal afirma que “não houve incremento de consumo de água” e desde fevereiro de 2014 os clientes foram liberados do consumo mínimo obrigatório e estimulados a usar fontes alternativas, como poço e caminhão­pipa, o que resultou em uma redução de 24% no consumo mensal em janeiro deste ano.
 
A relação dos 526 contratos, chamados “demanda firme”, foi divulgada no dia 3 pela agência de notícias Pública, que só conseguiu os dados da Sabesp após recorrer à Corregedoria­Geral da Administração (CGA). O Estado já havia solicitado por duas vezes, em setembro de 2014 e em fevereiro deste ano, a lista e o consumo por meio da Lei de Acesso à Informação. A Sabesp negou os pedidos com o argumento de que “preserva a relação comercial estabelecida com seus clientes”.
 
Os contratos de “demanda firme” são destinados a comércios e indústrias que consomem pelo menos 500 mil litros por mês. Enquanto que para o cliente comum a tarifa aumenta conforme o consumo cresce, para os grandes consumidores o custo da água cai. Por exemplo: na faixa de consumo de até 1 milhão de litros, o preço do metro cúbico é de R$ 11,67. Já acima de 40 milhões de litros, o valor é de R$ 7,72/m³.
 
Os descontos tarifários para grandes consumidores ganhou o centro da discussão da crise no mês passado, após a divulgação de uma lista das 294 empresas “fidelizadas” da capital enviada à CPI da Sabesp na Câmara Municipal de São Paulo. A relação completa dos 526 clientes deverá ser divulgada pela companhia nos próximos dias.
 
Estratégico. A gerente de relacionamento com os clientes da Sabesp, Samanta Souza, explica que o programa demanda firme foi estruturado em 2002 para conter o “êxodo de indústrias que começaram a sair de São Paulo por causa do custo da água”. Segundo ela, o movimento estava provocando um desequilíbrio na estrutura tarifária e poderia levar ao aumento da conta de água. Hoje, afirmou, 20% dos clientes da Sabesp, entre os quais os “fidelizados”, subsidiam 80% dos consumidores comuns, que pagam uma tarifa abaixo da média.
 
Segundo a Sabesp, o volume de água consumido na “demanda firme” aumentou 92 vezes em dez anos, de 266 milhões de litros para oito clientes, em 2005, para 24,5 bilhões de litros em 2014. “Quando começou a crise, visitamos todos os clientes para pedir economia, 70% migraram para fontes alternativas e todos os setores reduziram consumo”, disse Samanta.
 

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4 Comentários
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  1. AlvaroTadeu

    7 de março de 2015 4:56 pm

    Demanda infame.

    Se a SABESP vendesse ceroulas ou cebolas, o sigilo com o cliente, naquilo que não ofendesse a lei, seria sagrado. Mas não é o caso. A água é um bem comum, não é propriedade do PSDB nem tampouco do Alckminho, o governadorzinho que infelicita um estado maior que metade dos estados nacionais da Europa. Se o sacrifício na economia de água será praticado por toda a população da região metropolitana, temos o direito de saber quem está levando vantagem, para saber se a vantagem é indevida ou não. A SABESP não é só vergonha de todos os paulistas, mas principalmente de seus dirigentes, “gerentes” que queriam dirigir o Brasil, os quais seriam recusados até naquelas lanchonetes que vendem hambúrgueres com pão, gergelim, cebola, picles e molho especial.

  2. Quintiles.br

    7 de março de 2015 5:28 pm

    Cacete! Tô acreditando platô

    Cacete! Tô acreditando platô lendo aqui!

    Parece piada de português!

    Novamente e sempre os tucanos privilegiando quem tem poder e dinheiro. 

    A população que se dane!

  3. Alzir

    7 de março de 2015 7:41 pm

    A água agora tem dono


    Água da melhor qualidade (sem limite) pras indústrias. Lama do volume morto (racionada) pras pessoas.

    Pobre de diretia morre de apanhar e não aprende.

  4. Ramon Rosa

    8 de março de 2015 3:41 am

    A mesma fórmula mágica…

    Como sempre apontam os outros gestores públicos como parte do problema:

    http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2015-01/sabesp-amplia-numero-de-cidades-que-terao-sobretaxa-contra-desperdicio-de-agua

    E colocam as PPP como panacéia universal:

    http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2015/03/1598946-alckmin-planeja-ppp-para-reduzir-desperdicio-de-agua.shtml

    Neoliberalismo à paulista.

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