5 de junho de 2026

Os nomes que FHC não contou dos 50 anos do CEBRAP

Alencastro destaca a importância de Elza Berquó, Guillermo O’Donnel e José Arthur Giannotti no Centro Brasileiro de Análise e Planejamento
José Arthur Giannotti, Elza Berquó e FHC - Foto: Divulgação

Jornal GGN – Fernando Henrique Cardoso narrou detalhes das gestões do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP), desde a sua criação, logo após o AI-5, em artigo para a Folha de S.Paulo neste domingo, 12 (acesse aqui). Da mesma forma, Angela Alonso, que acaba de encerrar o comando do instituto, também trouxe apreensões dos tempos atuais (leia aqui). Mas coube ao historiador e cientista político, Luiz Felipe de Alencastro, narrar nas redes sociais um período não mencionado do Cebrap.

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Entre as partes, Alencastro aponta que FHC esqueceu de falar do papel de Bresser Pereira na fundação do Cebrap. “Falou de Angarita e Roberto Gusmão, da FGV, que deram apoio institucional ao Cebrap, mas não citou Bresser, importante na FGV, que sempre foi apoiante e participante muito próximo das atividades do Cebrap”, introduziu.

Foto: Léo Ramos Chaves

Em seguida, o historiador comenta sobre a fundadora do Cebrap, Elza Berquó, que mais tarde ficou conhecida como pioneira no estudo da demografia no Brasil. “Elza fundou o CEBRAP. Na paranoia do Clube de Roma com a ‘bomba populacional’, Elza demonstrou que a fecundidade no Brasil caia. Guiada por C. Procopio [Cândido Procópio Ferreira de Camargo], que quando dirigia o CEBRAP hipotecou seu apto para pagar os funcionário, sublinhou o impacto das novelas na queda da fecundidade.”

“Foi isso que interessou a Ford Foundation, e foi para Elza que veio o capital inicial: estudar a demografia brasileira”, continuou, lembrando que foi a partir daí que “FHC, Giannotti, Paulo Singer, todo o mundo virou demógrafo”. “Elza, V. Faria [Vilmar Faria, sociólogo] e P. Singer trabalharam na hard data (só tinha uma linha telefônica ligada ao computador da Fapesp, que debulhava os dados), em pesquisas e elaboraram a maior descoberta do Cebrap: a fecundidade cai porque o povo brasileira copia o modelo das novelas: as famílias de um filho só”, seguiu.

Mais sobre o tema também neste vídeo:

Esse enredo de Elza Berquó como pioneira no estudo da demografia brasileira foi bem detalhado em artigo de Neldson Marcolin para a revista Fapesp, em dezembro de 2017: acesse aqui. E também pela socióloga Maria Andrea Loyola, durante seminário de 50 anos do Cebrap, aqui.

Alencastro continua a explicar o que seguiu nos comandos da instituição. É quando FHC assume o mandato do senador Franco Montoro, em 1978, que Ruth Gold, Guillermo O’Donnel, com José Arthur Giannotti assumem a Presidência do Cebrap, e Juarez Brandão Lopes no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). “Todo mundo é Fernandista, o homem que anda a cavalo para o Planalto, como Napoleão com a dita cuja na garupa em Iena”, brinca Alencastro.

Em 1985, mostra o historiador, ocorre um racha no órgão, quando o sociólogo Chico Oliveira propõe a FHC uma aliança do PT-PSDB para a Prefeitura de São Paulo: “FHC não topou, mas a alta burguesia não acreditou: Setúbal apoio Jânio Quadros [que foi eleito]. FHC não esqueceu: o Planalto valeria bem 55 missas”, escreve Alencastro.

Imagem relacionada
Guillermo O’Donnel

E neste contexto, “Guillermo O’Donnel vira figura central no Cebrap: assegura a transição na Ciência Política, num momento fundamental: a democratização dos países de Leste e o modelo latino se presta a comparações”. Ao lado de Guillermo e Giannotti, Ruth Gold faz o papel de mediadora na gestão, ao mesmo tempo que Giannotti, Rodrigo Naves e Roberto Schwarz renovam e ampliam a influência da revista Novos Estudos (leia aqui e aqui).

“Giannotti, grávido até as gengivas de Filosofia, liderou identidade do CEBRAP pós-ditadura: universidades retomavam as pesquisas em ciências humanas. Goldemberg (USP) e Paulo Renato (Unicamp), propuseram levar o CEBRAP para os seus campi respectivos, mas Giannotti resistiu”, relatou.

Luiz Felipe de Alencastro conclui com uma homenagem a Giannotti, nestes 50 anos de Cebrap: “Giannotti teve uma dedicação franciscana à identidade cebrapiana, no dia a dia da Vila Mariana, no Morumbi, em Brasilia, em Amsterdã e em New York. A ele minhas homenagens neste aniversario do meio século do CEBRAP”.

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3 Comentários
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  1. Maria Luisa

    13 de maio de 2019 11:52 am

    Fernando Henrique Cardoso – O pequeno – não vai citar o professor Bresser Pereira assim como não atende ligações de ex-ministros de seu govenro, que não apoiaram seu desatino ao lado de Aécio Neves na campanha golpista. A ultima vez que ouvi esse senhor falar sobre politica e Brasil, logo apos a posse de Bolsonaro, tive a certeza de que ele vai morrer se dizendo um grande democrata, o maior presidente que o Brasil ja teve e que Lula e PT estão colhendo o que plantaram. Não ha nada a fazer sobre isso. Mas a historia não sera pelas incorreções que esse senhor tenta passar a forceps.

  2. Dermeval Santos Lopes Junior

    13 de maio de 2019 12:10 pm

    Fernando Henrique Cardoso.Sobre ele,recorro à memoria do Papai,um intelectual do mais alto coturno,que sobre ele fulminaria:Esse sujeito é uma infelicidade.Falaria algo mais,mas não devo me exceder em tempos de vaca louca.

  3. Não é o Narciso

    13 de maio de 2019 12:32 pm

    Mas tem um fantasma “não-cebrapiano” que puxa o pé do Príncipe nos momentos de sonho de honestidade intelectual.
    O fantasma se chama Ruy Mauro Marini.

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