5 de junho de 2026

Marx já previa a economia digital: é o extremo da técnica, por Wilton Cardoso

A tão aclamada indústria 4.0 nada mais é que a digitalização geral da indústria, serviços, comércio e até mesmo das casas e pessoas

Por Wilton Cardoso

Comentário no post Por que a economia deve ser digital?

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Eu sugiro que se mude a abordagem radicalmente. Nenhuma linha econômica conseguirá entender o fenômeno digital porque ele escapa ao econômico, na medida em que, no fim das contas não gera valor para a economia global, embora dê muito lucro para o monopólio que domina o mercado.

É preciso sair da economia política e partir para a crítica da economia política para entender, de fato, a era digital. Sim, estamos falando de Marx. O digital é o desenvolvimento extremo da técnica previsto por Marx, que multiplica a produtividade do trabalho à enésima potência. Uma vez feito o programa e pago o trabalhador/programador, praticamente não há mais custo de reprodução, distribuição e consumo da mercadoria (que talvez nem seja mais mercadoria). O mundo digital foi o primeiro a chegar no ponto de ruptura da contradição mais importante do capitalismo: o momento em que a técnica seria tão produtiva, exigindo tão pouco trabalho humano que o valor gerado na produção da mercadoria seria irrisório.

Por outras palavras, o mundo digital é incapaz de gerar lucro, a não ser para umas pouquíssimas empresas vencedoras e que se tornam monopolistas. Quem trabalha associado a elas deve se contentar a viver de migalhas, como, por exemplo,os motoristas de uber, a maioria absoluta de youtubers, blogueiros e twiteiros, e quase todos os webdesigners e programadores.

E isto é só começo, pois a tão aclamada indústria 4.0 nada mais é que a digitalização geral da indústria, serviços, comércio e até mesmo das casas e pessoas. As imposição das leis de flexibilização do trabalho, que é um fenômeno mundial, visa adaptar o trabalho e o trabalhador ao admirável mundo novo digital ou, por outras palavras, institucionalizar a precariedade e os rendimentos inconstantes num mercado que não consegue mais produzir valor e mais valor (lucro) na economia real, que seja suficiente para remunerar as pessoas além do limite de sobrevivência. Isto sem falar no número crescente de pessoas postas definitivamente para fora do mundo do trabalho, por serem inservíveis (supérfluas) para a produção de valor: o futuro se anuncia próspero de ambulantes e mendigos, e não só nas nações periféricas como o Brasil.

Parafraseando o ditado, só Marx explica.

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3 Comentários
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  1. peregrino

    9 de junho de 2019 3:53 pm

    Novos tempos…
    foi para isso que retiraram toda ênfase ao mundo real e ao raciocínio

    criaram uma realidade de migalhas, aparências e, pasmem, cujo único contato direto se dá através deles

    colocaram todos em uma grande sala de aula sem professor

  2. Pedro de A. Figueira

    9 de junho de 2019 7:16 pm

    Marx disse, também, que o capital tinha virado um destruidor de forças produtivas na sua tentativa de se salvar e tentar eternizar-se. A cada progresso que o capital não conseguia evitar, outro modo de produção batia às portas. Atualmente, esse novo modo de produção não ficará circunscrito a ações políticas tradicionais, mas, sim, arrobará as portas do capitalismo.

  3. José Paulo Ximenes da Silva

    10 de junho de 2019 6:50 am

    A salvação está em voltar pra roça!

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