5 de junho de 2026

Moro: conversei mesmo, não teve ilegalidade, mas não confirmo as mensagens

"Se formos analisar o que saiu não vi nada demais. Embora, como disse, não tenha condições de reconhecer a autenticidade daquilo", diz o ex-juiz
Foto: Agência Brasil

Jornal GGN – Sergio Moro, ministro da Justiça, usou entrevista no Estadão desta sexta (14) para se defender das reportagens do The Intercept Brasil que expõem conversas privadas entre o ex-juiz e o coordenador da força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol, cujo teor sugere conluio nas ações que tramitaram em Curitiba.

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Na entrevista, Moro adotou um discurso “sabonete”: admitiu que conversava com frequência com os procuradores, agentes da Polícia Federal e afirma que fazia o mesmo com advogados. Ele também disse que, em sua visão, o que o Intercept revelou até agora, “despido o sensacionalismo”, não tem nenhuma ilegalidade. Mas não quis assumir fala A ou B, por dois motivos: alguém pode ter adulterado as mensagens, e ele não se lembra do contexto em que se deram algumas conversas.

A frase que resume o discurso de Moro é: “Se formos analisar o que saiu não vi nada demais. Embora, como disse, não tenha condições de reconhecer a autenticidade daquilo.”

Em outra passagem, ele acrescentou: “Veja, são fatos que aconteceram dois três anos atrás. Não tenho memória de tudo. Vejo algumas coisas que podem ter sido coisas que eu tenha dito. Agora podem ter inserções maliciosas.”

Segundo Moro, a “situação (é) delicada porque eu não posso reconhecer a autenticidade dessas mensagens, porque é assim, em vez de eles apresentarem tudo, e que a gente possa verificar a integridade desse material, eles estão com essa ideia de apresentar paulatinamente.”

“E eu não excluo a possibilidade de serem inseridos trechos modificados, porque eles não se dignaram nem sequer a apresentar o material a autoridades independentes para verificação.”

Moro ainda disse que acredita que o Intercept obteve as mensagens por meio do ataque hacker no celular dos procuradores da Lava Jato, pois a invasão que ele sofreu há alguns dias não teria tido resultado.

O hoje ministro também afirmou que não está mais no Telegram, o que teria dificultado o trabalho do hacker. “Não tenho essas mensagens.”

Na visão do ex-juiz que condenou Lula em primeira instância, “não existe conluio” nas conversas vazadas até agora. Mas “a dinâmica de um caso dessa dimensão leva a esse debate mais dinâmico, que às vezes pode envolver essa troca de conversas pessoais ou por aplicativos. Mas é só uma forma de acelerar o que vai ser decidido no processo”, disse, ao justificar porque conversava com Dallagnol com certa frequência.

Sobre o fato de ter repassado para o procurador uma pista para a investigação contra Lula, Moro respondeu: “(…) as pessoas ouviam histórias verdadeiras, plausíveis e, às vezes, histórias fantasiosas. E, muitas vezes, em vez de levar ao Ministério Público, levavam a mim. O que a gente fazia? A gente mandava para o Ministério Público. Mandava normalmente pelos meios formais, mas, às vezes, existia uma situação da dinâmica ali do dia, naquela correria, e enviava por mensagem.”

“Isso não tem nenhum comprometimento das provas, das acusações, do papel separado entre o juiz, o procurador e o advogado.”

Segundo Moro, não há como usar o que foi divulgado para anular qualquer decisão da Lava Jato.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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14 Comentários
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  1. Fábio de Oliveira Ribeiro

    14 de junho de 2019 11:17 am

    Ao que parece, como todo justiceiro o cidadão Sérgio Moro não consegue entender uma verdade inexorável: ele não é e não pode ser o único juiz dos próprios atos. A carreira deste Cabo Bruno de toga acabou, mas será preciso enfiar algumas estacas judiciárias no coração deste vampiro da legalidade.

    1. Renato Lazzari

      14 de junho de 2019 6:06 pm

      Exatamente! É impressionante como nenhum parlamentar ainda percebeu que as declarações de Moro, de que não vê nada demais nos crimes que cometeu, facilmente tipificáveis, não têm a menor importância. O que se espera é que Moro se defenda com fatos, não com julgamentos e “convicções”. Se quando era juiz suas declarações de suspeição já eram absurdas, agora quem o julga são, na esfera legal, o poder judiciário e na vida pública, os cidadãos comuns. Ele agora é réu.

  2. Maria Luisa

    14 de junho de 2019 11:26 am

    E todos aceitando a narrativa da Globo de que foi coisa de hacker para dar um tom de ilegalidades às revelações. Eu digo que em vista do que o Intercept disse ter recebido como material, isso veio de dentro.

  3. Anônimo

    14 de junho de 2019 11:47 am

    Entramos no limbo…
    Depois desta atitude das forças armadas de dar aval a tudo que está acontecendo acabou-se a pátria amada…
    Agora é pátria usada.
    Por alto, só de incentivos desde o governo temer que já estão valendo, vendas sub-avaliadas que foram e que estão a caminho, estimo 1,5 trilhões de reais!
    E temos medo de fazer uma greve!
    Que futuro os filhos desta pátria, na sua maioria poderá esperar?

  4. Jose Erivaldo F Silva

    14 de junho de 2019 11:51 am

    vitima de si mesmo: GreenWald sabiamente será o o Sr do TEMPO, pois vai mostra as patifaria de Moro a conta-gotas paulatinamente. Ou seja vau usar do mesmo modo como a Lava Jato e a Globo usou contra Lula.

  5. Evandro

    14 de junho de 2019 12:06 pm

    Eu não sei qual o problema: ou não se encontra juízes para entrevistar para reportarem (modismo) se os mesmos se comportam da mesma forma ou se realmente juiz só se manifesta nos autos.

  6. Rui Ribeiro

    14 de junho de 2019 12:41 pm

    Formaliza a apocrifia, então

    Se não tem nada demais, então a autenticidade não importa.

    Quem não deve, não treme.

    A casa caiu, a Veja te desmoronou. Bye!

  7. Rui Ribeiro

    14 de junho de 2019 12:49 pm

    Se ele também conversava com advogados, vai sair suas conversas com o Zucolotto

  8. Arthemisia

    14 de junho de 2019 2:14 pm

    Mara Gabrilli já confirmou a conversa, marreco. Você é carta fora do baralho, inútil agora. Vai queimar no inferno, mas ainda vai ganhar uns trocados fazendo palestra e vendendo compliance.

  9. Jose Ribeiro Jr

    14 de junho de 2019 2:56 pm

    Sérgio Moro é um caso de internamento, ou prisão. Ele dizer que um juiz mandar o Ministério Público forjar uma denúncia é normal se assemelha a um molestador de crianças que dissesse não ver nada de anormal nos atos criminosos que pratica. Como alguém já disse, o poder corrompe, mas o poder absoluto corrompe absolutamente!

    1. peregrino

      14 de junho de 2019 4:24 pm

      A prática criminosa, envolvendo juízes, é uma das principais consequências da formação acelerada…

      para o bem de todos, felizmente, desconhecem que o caminho que leva para cima fica sendo o mesmo que que levará para baixo

  10. peregrino

    14 de junho de 2019 3:34 pm

    Deixa ele pensar apenas que conversar pode…
    e pode mesmo

    o que não pode, por ser crime, é instruir o procurador a repensar a estratégia de acusação

    sinal de condenação já pronta antes do julgamento, como será visto nos próximos dias, mais que suficiente para anulação completa

  11. republicano arrependido

    14 de junho de 2019 8:48 pm

    tem gente que pensa que cobra o escanteio e
    ainda tem coNdições de correr lá no meio
    e cabecerar para fazer o gol…..
    impossível dr. demiurgo….
    Billy Blanco já disse, outor, em
    A Banca do Distinto

    Não fala com pobre, não dá mão a preto, não carrega embrulho
    Prá que tanta pose doutor?
    Prá que esse orgulho?
    A bruxa que é cega, esbarra na gente, a vida estanca
    O infarto te pega doutor, acaba essa banca

    A vaidade é assim, põe o tonto no alto, retira a escada
    Fica por perto esperando sentada
    Mais cedo ou mais tarde ele acaba no chão
    Mais alto o coqueiro, maior é o tombo do tonto
    Afinal, todo mundo é igual, quando o tombo termina
    Com terra por cima e na horizontal

    Não fala com pobre, não dá mão a preto, não carrega embrulho
    Prá que tanta pose doutor?
    Prá que esse orgulho?
    A bruxa que é cega, esbarra na gente, a vida estanca
    Trombose te pega doutor, acaba essa banca

    A vaidade é assim, põe o tonto no alto retira a escada
    Fica por perto esperando sentada
    Cedo ou tarde ele acaba no chão
    Mais alto o coqueiro maior é o tombo do coco afinal
    Todo mundo é igual quando o tombo termina
    Com terra por cima e na horizontal

  12. Felipe Souza

    14 de junho de 2019 10:02 pm

    Lembrei de uma história que contavam de um velho conhecido meu.
    Ao ser abordado fumando maconha pela polícia, desesperado ele solta essa: “doutô! Fumei, mas não traguei!!”

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