10 de junho de 2026

0.20: A Derrota de Classe, por Arnobio Rocha

A hora é da reflexão e da ações de contenção, de defesa intransigente dos Direitos Humanos e da vida.
Fernando Frazão - Agência Brasil

0.20: A Derrota de Classe

por Arnobio Rocha

Simbolicamente fomos derrotados por R$ 0,20, aquele movimento que culminou com as jornadas de junho de 2013, que abriu a caixa de Pandora, no Brasil.

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Perto do fim de 2012 escrevi que achava estranho que as primaveras Árabes, digitais, indignados, occupies, ainda não tivessem chegado ao Brasil, pois já tinham varrido o mundo, África, Europa, EUA.

Tunisia, Egito, Espanha, Grécia, Turquia, Síria, todos balançaram pela crise e os novos ventos soprados pelo Departamento de Estado, via suas ONGs (Soros, Omidyar) e as redes sociais.

No Brasil de 2013, nomeadamente em São Paulo, tivemos o erro fatal, nos alinhamos ao truculento governo tucano, na questão das passagens, o alvo sempre foi o PT, a pauta era contra a prefeitura e governo federal, nunca passou pelo governo tucano, por quê?

Era onde a classe trabalhadora tinha suas referências de sua defesa, nos governos identificados com suas causas, óbvio que o ataque fatal veio contra estes.

Foi inapelável, como também não tivemos o reflexo para nos defender, inebriados pelo sucesso, pelos feitos, não nos demos conta, o que era aquele movimento.

Os setores mais à esquerda, viram naqueles movimentos, uma oportunidade de se descolar do petismo, o que não parecia errado, entretanto faltou percepção sobre quem efetivamente controlava as manifestações e as redes sociais.

A derrota veio em crescente, exceto a Vitória de Pirro, com a reeleição de Dilma, toda a pauta foi contra os trabalhadores, conta a sociedade e contra a civilização.

O auge é o governo Bolsonaro, aqui, aquilo que parecia ainda disputa de narrativas, se materializou na imposição de classe mais forte desde a queda do muro de Berlim.

A recomposição é lenta, nem resistir se consegue, é uma avalanche de destruição de todas as pontes de civilização construídas desde a redemocratização, nem uma obra de FHC, nem as de Lula/Dilma ficarão de pé.

O reflexo é bem claro, nesse refluxo, por que a classe trabalhadora iria se expor mais ainda? Desemprego violente, uberização, miséria, fim das políticas públicas, o que busca hoje é sobreviver, bem ou mal.

A hora é da reflexão e da ações de contenção, de defesa intransigente dos Direitos Humanos e da vida. A perspectiva não é de enfrentar, mas de resistir, sob duras condições, as piores da classe trabalhadora, do povo em geral.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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