0.20: A Derrota de Classe, por Arnobio Rocha

A hora é da reflexão e da ações de contenção, de defesa intransigente dos Direitos Humanos e da vida.

Fernando Frazão - Agência Brasil

0.20: A Derrota de Classe

por Arnobio Rocha

Simbolicamente fomos derrotados por R$ 0,20, aquele movimento que culminou com as jornadas de junho de 2013, que abriu a caixa de Pandora, no Brasil.

Perto do fim de 2012 escrevi que achava estranho que as primaveras Árabes, digitais, indignados, occupies, ainda não tivessem chegado ao Brasil, pois já tinham varrido o mundo, África, Europa, EUA.

Tunisia, Egito, Espanha, Grécia, Turquia, Síria, todos balançaram pela crise e os novos ventos soprados pelo Departamento de Estado, via suas ONGs (Soros, Omidyar) e as redes sociais.

No Brasil de 2013, nomeadamente em São Paulo, tivemos o erro fatal, nos alinhamos ao truculento governo tucano, na questão das passagens, o alvo sempre foi o PT, a pauta era contra a prefeitura e governo federal, nunca passou pelo governo tucano, por quê?

Era onde a classe trabalhadora tinha suas referências de sua defesa, nos governos identificados com suas causas, óbvio que o ataque fatal veio contra estes.

Foi inapelável, como também não tivemos o reflexo para nos defender, inebriados pelo sucesso, pelos feitos, não nos demos conta, o que era aquele movimento.

Os setores mais à esquerda, viram naqueles movimentos, uma oportunidade de se descolar do petismo, o que não parecia errado, entretanto faltou percepção sobre quem efetivamente controlava as manifestações e as redes sociais.

A derrota veio em crescente, exceto a Vitória de Pirro, com a reeleição de Dilma, toda a pauta foi contra os trabalhadores, conta a sociedade e contra a civilização.

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O auge é o governo Bolsonaro, aqui, aquilo que parecia ainda disputa de narrativas, se materializou na imposição de classe mais forte desde a queda do muro de Berlim.

A recomposição é lenta, nem resistir se consegue, é uma avalanche de destruição de todas as pontes de civilização construídas desde a redemocratização, nem uma obra de FHC, nem as de Lula/Dilma ficarão de pé.

O reflexo é bem claro, nesse refluxo, por que a classe trabalhadora iria se expor mais ainda? Desemprego violente, uberização, miséria, fim das políticas públicas, o que busca hoje é sobreviver, bem ou mal.

A hora é da reflexão e da ações de contenção, de defesa intransigente dos Direitos Humanos e da vida. A perspectiva não é de enfrentar, mas de resistir, sob duras condições, as piores da classe trabalhadora, do povo em geral.

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