
Os EUA paralisam a economia mundial
Por Motta Araujo
Com a desculpa de combater o terrorismo, o tráfico de drogas e a corrupção certos grupos de poder nos EUA reunidos em torno do Partido Democrata colocaram a economia americana e a mundial em uma camisa de força burocrática que atende pelo nome de COMPLIANCE. Para fazer qualquer negócio pequeno ou grande com uma empresa americana a contra-parte, sócio potencial, executivo a ser contratado, fornecedor de bens ou serviços que queira vender, precisa responder a questionários enormes e absurdos, que descem a micro detalhes. É uma agenda policialesca, de desconfiança a priori, de vigilância sobre o nada, para esse interrogatório, o sistema bancário mundial foi transformado em delator para qualquer transação acima de 10 mil dólares, complicando, atrasando, impedindo e infernizando a vida de milhões de pessoas comuns e especialmente empresários. A cultura jurídico burocrática que vem do Departamento de Justiça americano contaminou os Judiciários e Ministérios Públicos de todo o planeta, como um vírus de ebola policialesco, TRAVANDO A ECONOMIA MUNDIAL sem nenhum beneficio para as populações, Estados ou para as empresas.
Mas essa burocracia não seria útil para combate ao terrorismo, ao trafico e à corrução? DEFINITIVAMENTE NÃO.
Esses três ambientes PASSAM POR FORA DO COMPLIANCE, que só inferniza empresários estabelecidos, com residência fixa, patrimônio, filhas para serem ameaçadas e bens a serem confiscados.
O COMPLIANCE NÃO DIMINUI UMA FRAÇÃO DE TERRORISMO, TRÁFICO E CRIME, atividade que operam sem se incomodar a mínima com esse ridículo receituário. O Estado Islâmico decapitador maneja centenas de milhões de dólares sem qualquer problema, os carteis de cocaína giram com bilhões em malas, a corrupção continua fazendo parte de muitas culturas.
O COMPLIANCE faz a festa dos advogados, muitos se especializaram nesse ramo, tem serviço a vontade, MAS A ECONOMIA MUNDIAL ESTÁ TRAVANDO POR CAUSA DO COMPLIANCE, muitas transações não se realizam porque a outra parte tem a bisavó com um processo por briga de vizinhos, então não passa no compliance e se desmancha o combinado.
E como certos processos na Justiça brasileira, o rigor é seletivo. Como o Departamento de Justiça investiga a PETROBRAS e não investiga outra empresa de petróleo que exporta 90% de sua produção para os EUA? Me refiro à SONANGOL, a petroleira estatal angolana que fez de Isabel dos Santos a mulher mais rica da África. E ai não tem compliance em cima da SONANGOL? Para onde vai o dinheiro do petróleo de Angola? Para o povão é que não é.
Por todo Oriente Médio o petróleo é hoje 100% explorado por empresas estatais, como a ARAMCO saudita, a KUWAIT OIL, a IRAQ NATIONAL OIL, todas manejadas por empresas americanas com contatos de prestação de serviços.
E cadê o compliance das empresas que confundem seu patrimônio com o do emir, sheik ou Rei?
O COMPLIANCE é um ramo da burocracia, da visão estreita do burocrata, que não estabelece relações de custo-benefício, um risco a correr é muitas vezes muito mais barato do que o custo de controlar o risco, o burocrata, assim como o chefe de COMPLIANCE nas grandes empresas, não mede isso, gasta 100 mil Reais para controlar um pequeno risco de 2 mil Reais. Isso perpassa por todo serviço publico.
Por exemplo, paralisar uma obra de 5 bilhões por causa de uma irregularidade de 12 milhões, a paralisação vai custar 150 milhões, muito mais que a irregularidade, a mentalidade burocrática não enxerga assim.
Uma queda de 1% no crescimento do Brasil em 2015 (acredito que será maior) equivale a 25 bilhões de dólares, muito mais que o suposto valor-propina da Lava Jato, aliás com um discurso absurdo de que serão recuperados 10 bilhões de reais, valor sonhático, se chegar a 500 milhões de Reais será muito, isso a custa de quebra de pelo menos duas das nove empreiteiras, qualquer uma dessas quebras custará ao Pais muito mais que a Lava Jato.
A culpa de tudo isso é dos EUA que espalham suas praticas, manias, medos, idiosincrasias pelo mundo, criam emprego para aduitores e advogados a custo do crescimento da economia porque com esse clima NINGUÉM MAIS CONTRATA, COMPRA OU INVESTE, na Petrobras nem sequer se pagam as faturas devidas porque os funcionários tem medo de assinar, os atrasos de pagamento pelos “”não me comprometa”” vai arrebentar dezenas de fornecedores.
O custo interno do COMPLIANCE nas empresas é enorme, as médias e grandes já tem um Diretor de Compliance, só para cuidar da burocracia. As companhias americanas se fanatizaram a tal ponto que no ano passado um diretor de firma cliente devolveu uma garrafa de vinho que dei de presente de Natal, o sujeito foi à loja do vinho perguntar o valor e me retornou a garrafa dizendo que estava 7 Reais acima do teto que ele poderia receber, conseguiram estragar até um gesto carinhoso com um parceiro, do meio termo para um exagero é um lance de escada.
Depois se queixam que o mundo não cresce, MAS SÃO ELES QUE ESTÃO TRAVANDO.
Sylvio Souza
25 de novembro de 2014 12:59 pmParei de ler….
Parei de ler no: “grupos de poder nos EUA reunidos em torno do Partido Democrata colocaram a economia americana e a mundial em uma camisa de força burocrática”……
A pessoa que não entende que os ‘dois’ partidos, Democrata e Republicano, tem o mesmo DNA e crê que, como no Brasil com o PT, os males começaram com os Democratas não sabe nada do que se porpôs a falar.
Ivan de Union
25 de novembro de 2014 1:08 pmEu assino! Os corruptos
Eu assino! Os corruptos lunaticos sao do partido republicano.
Zanchetta
25 de novembro de 2014 1:22 pmPutz, ninguém entendeu nada?
Putz, ninguém entendeu nada? Os republicanos são os corruptos potenciais, aí os democratas puseram uma camisa de força chamada COMPLIANCE.
Precisa desenhar?
Lionel Rupaud
25 de novembro de 2014 1:12 pmCondordo mas este “bias”
não invalida a tese.
Ivan de Union
25 de novembro de 2014 1:33 pmLionel, me pareceu que o
Lionel, me pareceu que o centro da tese eh que os DEMOCRATAS estao ao centro de politica de Estado nos EUA… perdoe me por saber que nao eh verdade!
Motta Araujo
25 de novembro de 2014 1:15 pmOs Democratas tem a “”agenda
Os Democratas tem a “”agenda dos direitos civis”” que vem dos anos 30, não é igual ao PT mas é parecido.
Os Republicanos são CONTRA essa agenda, os grupos de poder são COMPLETAMENTE diferentes.
Há milionarios Democratas mas são exceção, como os Harriman, os Kennedy, o Soros, o MAINSTREAM do business é Republicano e é contra tudo o que o COMPLIANCE representa, o COMPLIANCE é filosoficamente anti-business, considera todo empresario um bandido em potencial.
Fernando J.
25 de novembro de 2014 1:18 pmO compliance no Banco do Brasil
Quando o compliance começou a ser implantado no Banco do Brasil, timidamente no final dos anos 90 e com força total na virada dos 2000 foi um pega pra capar. Praticamente paralisou a liberação de créditos, uma simples abertura de conta passava pelo crivo dos Gerentes de Controle, que impugnavam dossiês cadastrais de funcionários do próprio Banco porque não tinham comprovantes de endereço. Mais tarde, chegou-se uma forma civilizada de convivência, e hoje funciona muito bem, sem os exageros do passado. São completamente autônomos e independentes, respondem hierarquicamente diretamente à Diretoria de Controles Internos, o que confere independência absoluta à conduta dos Gerentes de Controle.
junior50
25 de novembro de 2014 1:26 pmEndereço do inferno
Da burocracia: http://www.gao.gov/index.html
Se seu negócio cair neste local, nem lobby da jeito – desista – o IRS perto desta agencia, é um passeio no parque.
W K
25 de novembro de 2014 1:53 pmDiria o saudoso Joelmir Betting:
gastam-se bilhões para economizar uns tostões …
Mogisenio
25 de novembro de 2014 2:07 pmPropriedade e liberdade o resto fica pra depois.
Olha só, eu também acho que este negócio de com… como fala mermo? Compliance?
Sim, este troço ai é um atraso burocrático. Coisa chata, afinal, temos de flexibilizar as coisas hoje em dia!
E esse negócio então de ” a priori”. Isso é argumentação chata do Kant que já morreu. Burocracia? Weber já morreu também. Aliás, Keynes também já morreu , Friedman já morreu, Hayek já morreu, Mises já morreu ( natimorto) muita gente já morreu.
Enron já morreu e até a Arthur Andersen já morreu, não é mesmo? E olha que o Lehman Brothers mesmo com sox também morreu.
Enfim, todo mundo morre mesmo, mormente, no longo prazo
Se a deus, a priori, pertence o futuro mercado, então para que olhar para o passado?
Nesse sentido, parece idiota essa coisa de Compliance, Sarbanes-Oxle (sox), auditoria externa. Enfim, essas burocracias atrasadas!
O melhor a fazer é fazer, pragmaticamente. Se der errado a gente corrige aqui e ali, dá um jeito repartir o prejuízo privado entre os “nacionais” e “toca o barco”, sem realizar o “risco sistêmico!
Nesse sentido, alteridade parece existir só em tese e a priori. Na prática a gente dá um jeito de dividí-la.
Mas, é claro, uma coisa precisamos garantir a priori e a posteriori: o direito de propriedade SEM função social.
A fortiori, devemos garantir a liberdade!
Saudações
Flics
25 de novembro de 2014 2:43 pmNota DEZ!
.. é isso ai cara!…. quando li, logo pensei, esse cara – o autor do post,digo – teve algum “bom negócio” atrapalhado pela tal madame Compliance.
Ivan de Union
25 de novembro de 2014 3:29 pm“Olha só, eu também acho que
“Olha só, eu também acho que este negócio de com… como fala mermo? Compliance?
Sim, este troço ai é um atraso burocrático. Coisa chata, afinal, temos de flexibilizar as coisas hoje em dia!”:
Se o Brasil tivesse uma Administracao de Compliance, por exemplo, o PIG nao existiria como eh, as telecoms nao existiriam como sao, as policias nao existiriam como sao, a Sabesp ja teria sido re-estatizada- com varias e varias outras companias privatariadas, e os rios nao estariam cheios de esgoto puro sem tratamento.
As multas sao pesadissimas, as companias sao abertamente hostilizadas pelo governo quando nao adherem aos protocolos e regulamentacoes, as exigencias sao muito tecnicas/cientificas e TEM que ser seguidas.
Por exemplo, mostre me somente uma telecom brasileira que poderia passar um teste de compliance. Advinhe…
Elas nao existem. Pra se assegurar que nao existiriam eh que as Ana’s foram arquitetadas, pra estar do lado das companias e fodam se os brasileiros.
Antes fosse somente com telecoms.
Ivan de Union
25 de novembro de 2014 4:18 pmLembranca tardia: se
Lembranca tardia: se existisse uma Compliance Administration no Brasil ja haveria uma montanha de juizes sem emprego.
Fernando J.
25 de novembro de 2014 3:56 pmQuem acompanha atentamente o
Quem acompanha atentamente o noticiário, ficaria sabendo que a Graça Foster, presidente da Petrobras, anunciou há poucos dias a criação de uma Diretoria de Governança Corporativa e Compliance (complaiance). Toda grande empresa tem, é assustador descobrir que em pleno 2014 a Petrobras ainda não tinha esse mecanismo de controle, que no Banco do Brasil foi criado em 1998/1999.
http://www.conversaafiada.com.br/economia/2014/11/17/petrobras-graca-foster-quer-criar-diretoria-de-governanca/
O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://economia.estadao.com.br/noticias/governanca,apos-denuncias-petrobras-vai-criar-diretoria-de-governanca-corporativa,1594008O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://economia.estadao.com.br/noticias/governanca,apos-denuncias-petrobras-vai-criar-diretoria-de-governanca-corporativa,159400Publicado em 17/11/2014
Petrobras: Graça Foster
quer criar diretoria de governança
Diretoria visa “o cumprimento de leis e regulamentos internos e externos”
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De Neto Sampaio, no twitter
Do G1:
APÓS DENÚNCIAS, PETROBRAS QUER CRIAR DIRETORIA DE GOVERNANÇA
Presidente declarou que Petrobras não está pronta para divulgar balanços.
Divulgação de resultados do terceiro trimestre de 2014 foi adiada.
A presidente da Petrobras, Graça Foster, anunciou nesta segunda-feira (17) que a estatal vai criar uma diretoria de governança após as denúncias de corrupção na estatal. A executiva disse ter proposto a criação do novo órgão na sexta (14), ao Conselho de Administração da companhia, e que obteve dele “a autorização para aprofundamento e preparação de proposta para criação – na diretoria do colegiado na Petrobras – dessa diretoria de compliance”.
“Foi apoio unânime que nós recebemos do comitê de administração da Petrobras. Temos capacidade de governar, de governança da companhia”, disse Graça durante a divulgação de dados operacionais do terceiro trimestre de 2014, em conferência com analistas e investidores.
Ela não informou, no entanto, quem estará a frente da nova diretoria, que visa o “cumprimento de leis e regulamentos internos e externos”. Mas explicou que a nova diretoria é “um passo além” da gerência executiva de auditoria.
(…)
Mogiseno
25 de novembro de 2014 4:31 pmQuem controla o controle?
Caros debatedores Fernando, Flics e Ivan,
Ainda com pitadas de ironia.
É claro que reconheço a importância do compliance. Afinal, a tal da sox que agora , pra variar, é “copiada” pelo brasil, não veio de graça.
De qualquer forma, sabemos que NÃO HÁ controle infalível. Arrisco-me a dizer que NADA é infalível já deixando claro que o fato de eu afirmar que “NADA é infalível” não quer dizer que eu sei o que é infalível para ter a condição de afirmar que nada é infalível.
De uma forma mais simples podemos dizer que o setor de controles internos necessita de um controle . Logo, deve existir um setor que controla aquele setor de controle interno que também necessita de um controle e assim, sucessivamente, até chegar no dono da propriedade. Chegando ai, o estado vai controlar , de alguma forma, a propriedade. Todavia, o Estado também precisa ser controlado. Logo, recomeça-se a sequência de pensamentos em “controles”.
Nessa linha, podemos concluir que todos controlam todos. Ou talvez, ninguém controla ninguém. Ou ainda, alguns controlam todos. Ou quem sabe, alguns não controlam ninguém. Ninguém controla alguns etc.
Caímos no quadrado aristotélico!
Como primeira derivada podemos concluir que nós nos controlamos. Numa segunda derivada, nós não temos controles, e assim sucessivamente.
Deixando a filisofia um pouco de lado, é claro que os controles internos e externos são importantes.
Mas como dito , penso que não há controle infalível.
Voltando para a filosofia: Talvez ” o criador” poderia ser o controlador-mor.
O problema é que não sabemos com segurança, firmeza e, portanto, controle, quem ele “é” ou onde podemos encontrá-lo.
Por fim, ainda permaneço com a opinião de que alguns controlam todos.
Saudações
Fernando J.
25 de novembro de 2014 5:35 pmCaro Mogiseno
Sem querer polemizar, não precisamos cair no quadrado Aristotélico (que acabei de descobrir que existe), muito menos na quadratura do círculo. No meu tempo da ativa, tinha ganas homicidas contra o compliance, que travava nossos negócios, mas, decorridos 15 anos, e há 7 na inativa, sou obrigado a reconhecer que a altíssima qualidade das operações de crédito do BB deve-se ao trabalho do Compliance, que estão ali para não deixar vc errar ou cometer uma barbaridade contra as normas e a boa prática bancária. E, em última análise, arriscar seu emprego por um arroubo de heroísmo.
Mogisenio
25 de novembro de 2014 6:46 pmSubordinação com sal é controle poderoso! Uni-vos!
Estou lhe compreendendo caro Fernando.
Embora possa ter parecido, eu não sou contra ao processo de controle, sobretudo, hodiernamente, assim, num ambiente organizacional qualquer que gere algum resultado. Isso esta aí para todo mundo ver e perceber.
Em suma, temos de controlar mesmo nossas “condutas” para alcançarmos algum resultado pré estabelecido etc.
Portanto, quanto a isso sem problemas.
Todavia, quis realçar que o controle é falível. O controle que pode ser aparentemente técnico é, ao fundo, político.
Max Weber já nos ensinou como funciona o processo de dominação.
Comte, Durkeim, saint simon e marx entre outros , cujos ensinamentos são amplamente conhecidos, também já nos mostraram os rumos das “regras do jogo”.
Você usou o vocábulo “emprego”. Xiii, nem vou entrar nesse mérito do “controle” via subordinação com salário.
Saudações
josé adailton
25 de novembro de 2014 2:09 pmImpérios
O tema do post se refere a um império político e econômico. Seria interessante que o próximo envolva a China no que este país representa para a economia global.A propósito, à suposta e difamada inabilidade política dos ianques, soma-se agora a sua burrice burocrática; é de se perguntar de quem poderíamos seguir o bom exemplo de liderança mundial?
Wendel
25 de novembro de 2014 2:09 pmO quê ???????????????????
O AA fazendo criticas aos sistemas de controle do “States” ?
Deixa ver se eu entendí direito, ou se estou surtando !!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Se bem que a critica é direcionada somente aos Democratas, né ?
Vida que segue……………
Motta Araujo
25 de novembro de 2014 11:00 pmEu sou o maior critico dos
Eu sou o maior critico dos EUA aqui no blog. Tem alguns pandegos que falam bobagens frutos da ignorancia e que não tem a menor ideia do que são os EUA, contra esses eu solto meus rojões não porque atacam os EUA mas porque falam muita besteira.
Daytona
25 de novembro de 2014 4:13 pmNota 2,5 pelo humor
Nota 2,5 pelo humor involuntário produzido pelo historiador de botequim.
Que maravilha, foram os democratas que criaram esse estado policialesco nos EUA!
Eden SP
25 de novembro de 2014 8:49 pmSarbanes-Oxley
Sua perspectiva – realista – é muito interessante e a relevo.
No entanto, apresento alguns contrapontos, sem, é claro, desmerecer o seu ponto de vista.
A Lei Sarbanes-Oxley representou um marco para as corporações norte-americanas e do mundo, na medida em que veio a rebustecer a governança corporativa das empresas. Isso para conformar segurança e transparência para se evitar desincentivos a investimentos, sobretudo no mercado de capitais. Trata-se de iniciativa pluripartidaria (Sarbanes, um senador Democrata – Oxley, um congressista Republicano), que veio a reboque o famigerado caso Enron-ArthurAndersen.
Para quem trabalha ou trabalhou em corporações norte-americanas, especialmente aquelas com ações na bolsa de NY, sabe que “Sarbox” representa uma iniciativa draconica de controle e de gestão, fortalendo a chamada “indústria do Compliance” (auditorias, consultorias, grandes escritorios de advocacia, até headhunters). Não teve segmento mais valorizado de executivos do que os Controlers, nos anos 2000. Se de um lado, enrijeceu, burocratizou e “nerdeou” (de nerd) a estrutura das empresas, por outro consolidou-se uma nova cultura de relações com o mercado, tornando as empresas mais transparentes para investidores e para a sociedade como um todo.
Quem participa das “conference-call” de investidores, sabe muito bem, por exemplo, que um consagrado CEO pode ser massacrado por um analista-junior-trainee de qualquer banco de investimento, caso se prefigure conflito de informações.
Nesse sentido, acredito que não dá para questionar 100% esse negocio de Compliance. Talvez sim, colocar em questão uma discricionaridade de autoridades como a Comissão Valores, etc. Mas, questionar e generalizar que a economia mundial paralizou-se com conta dessa burocratização, acho um pouco exagero.
Abraços,
Calvin
27 de novembro de 2014 11:27 am+ ISO
Perfeito o comentário. A lei SOX é que potencializou o GRC : governance, risk and compliance.
Mas o processo começou antes do escândalo da Enron (que faliu junto com a consultoria Andersen!).
Começou com as certificações ISO 9000, na década de 90.
Cesar Ferreira
25 de novembro de 2014 9:03 pmArtigo excelente.
Fugindo um pouco do viés geopolítico gostaria de fazer um comentário generalista…
Burocracia equivale a seguir norma. E norma [de boas práticas] é a compilação de um método ou processo visando alguma otimização apreendida por muita experiência. Isto é, quem constrói normas são “engenheiros”. O burocrata é na verdade aquele que cabe policiar a aplicação da norma, e via de regra não precisa ter a capacidade de criá-las. Isto é, a capacidade de engendrar a otimização de processos e sistemas. Infelizmente essa peculiaridade profissional leva a uma perversidade…
Os burocratas necessitam de normas porque é delas que sobrevivem. Logo, assim que podem se apoderam delas e passam eles mesmos a criá-las para manter e ampliar seu status quo. Ou seja, deixada livre a erva daninha prosperará produzindo burocracia ruim e em excesso até estrangular o hospedeiro. É praticamente um fato da natureza.
junior50
25 de novembro de 2014 11:10 pmMenos, meu caro
Muito válida sua peroração embasada em fatos, referente as práticas de “disclosure and compliance “, que congressistas comunistas (democratas), associados, as vezes, a liberais – republicanos ( todos oriundos da Nova Inglaterra), enfiaram, desde de 1977 ( época do plantador de amendoim socialista, e sua bebada esposa ), na legislação comercial-financeira e empresarial, dos Estados Unidos.
É fato real que determinadas leis, como regulações em relações trabalhistas em outros paises, normas contabeis EBIDTA, ações referentes a proteção do meio ambiente, disclosure ou trasnparencia nas relações “miudas” de executivos, absurdos relativos a “fringe benefits” ( até mesmo relacionados a empregados não-americanos, como vc. descreveu – tipo o Obama não pode receber um presente pessoal de custo acima de US$ 50,00) – enchem o saco, e quando relativas a operações de investimento externo, após os escandalos do inicio do século, levaram a operação de varios investimentos americanos, a serem feitas em outros locais, ou seja: uma terceirização dos negócios, que prejudicou a economia financeira americana, em parte, por que os lucros retornam ao “Muro”.
Mas, meu caro, as regulações de compliance and disclosure, não são tão rigidas assim, dependendo da FAR ( Federal Act Regulations), que a elas se apliquem, são contornaveis – claro, desde que seu lobby acione congressistas qque a apoiem – nada muito diferente de um certo país da América do Sul – o dinheiro, o orçamento, circula pelos dois lados da Avenida, e quem quer negócio, deve agradar aos dois lados.
P.S.: Meus filhos, que creem nos democratas – a unica diferença deles para os republicanos, é que eles são mais baratos, e quem acha que o Congresso Americano é melhor que o nosso, é porque nunca se relacionou com eles.
Aliás um amigo de lá me disse: A maior diferença entre o burro e o elefante, é a utilização de camisinha enquanto te fo….