…Brasil! Precisamos tomar o nosso país das mãos dos que semeiam o ódio…
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Posso dizer com muita certeza e propriedade que temos entre nós o melhor povo do mundo! Por vinte anos trabalhei diretamente com os brasileiros moradores de quatro favelas cariocas. Agradeço a Deus todos os dias esse privilégio, essa honra à minha existência. Se preconceitos tivesse, os teria perdido, e deles sentiria vergonha.
Quando elocubram imagens em suas mentes sobre nossos pobres, muitos pensam apenas “no lado ruim”, o propagado pela mídia e amplificado por pré-conceitos perversos: traficantes, bêbados, crianças largadas em lares amorais de mães irresponsáveis “que têm um filho atrás do outro”, pensam nas favelas como uma espécie de “depósito de gente degradada” ou uma espécie de “depósito de futuros marginais”…
Será que, por tal visão deturpada, doentia, importam-se tão pouco com as “Ágathas” assassinadas há décadas, encontrando no GENOCIDA Witzel apenas o maior expoente, sádico e covarde, de uma perversão “tornada natural”? Que país é esse? Que sociedade é essa, meu Deus?!?
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O que vi, é que entre misérias de todo o tipo, preconceitos, obstáculos terríveis, ataques brutais de traficantes, polícias, governos, uma falta de assistência quase total, uma multidão de homens e mulheres, jovens e crianças, agarram-se à vida com uma garra e coragem que nós, da classe média pouco sabemos e pouco chegamos perto – até por não precisarmos, é outra a nossa condição de vida…
Vi uma gente honesta, trabalhadora, conseguindo arrancar “leite de pedra” para trazerem dignidade, amor, paz, afetos e beleza às suas vidas, CONTRA TUDO E CONTRA TODOS, com demonstrações de uma solidariedade tão infinita entre eles, que afirmaria sem medo de errar: querem ver os conceitos do verdadeiro cristianismo de perto? Visitem uma favela! Vejam o que fazem quando um deles está desempregado e sem ter o que comer, quando alguém adoece e precisa de um transporte para o Hospital ou um remédio, quando uma mãe precisa que alguém cuide de seus filhos por um motivo urgente…
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No nosso narcisismo patético e egocêntrico, pensamos no Brasil enquanto “o Brasil do asfalto”, de suas elites e classes médias, esquecidos, como num texto que li hoje (não anotei o nome do autor), do “pessoal do morro”, que faz nossa comida, limpa nossas casas, prédios e ruas, são nossos porteiros, garçons, faxineiros… Que Brasil haveria sem o trabalho árduo desses milhões de brasileiros tornados INVISÍVEIS por nossa indiferença crônica, mal disfarçada por nossos pequenos gestos de educação e gratidão a eles dirigidos e, para muitos, “uma prova de humildade”? – (sic…).
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Entre miseráveis, pobres e classe média baixa, falamos aqui de mais de cento e cinquenta milhões de brasileiros! Seres humanos a quem são negadas secularmente as oportunidades fartas, fáceis, à mão dos filhos de uma classe média branca que jamais se articulou politicamente em torno de nada, nunca, para tornar esse país mais justo, mais digno para esse enorme e desprotegido contingente de seus irmãos de Pátria. Temos um Brasil, imenso, repleto de torturas, sofrimentos, problemas, desassistências, que simplesmente é NEGADO pelo “Brasil que conta”. Como disse o Fábio Oliveira em seu artigo no GGN, temos o Brasil que mata as crianças nas favelas, “para proteger o Brasil das crianças de classe média branca dos bairros nobres” – Temos um Brasil que odeia, e um Brasil que é odiado, temos um Brasil onde as pessoas trocam gentilezas, civilidades, impressões sobre viagens e bens novos, e um Brasil que, para os primeiros, é como um “incômodo”, um peso, e sobre o o qual sentem, no fundo, uma profunda e desumana indiferença…
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Mas hoje, a situação é mais grave, mais horrenda! Antes, esse “Brasil que conta”, ao menos permitia que o Brasil dos miseráveis tentasse uma esperança através da política, da democracia, de governos que implementassem programas sociais que lhes trouxessem essa potencialidade, essa possibilidade das tais OPORTUNIDADES, que nossa hipócrita doutrina da “meritocracia” tanto decanta. O Brasil dos indiferentes, dos preconceituosos e fanáticos, aliados aos descaradamente cínicos, esse Brasil, se antes perdia-se apenas em suas futilidades e ignorâncias, nesse tempo, aprendeu o ÓDIO!
E dá-lhe vazão ao tal do ódio! Ódio a Lula, o “Nine” (para o gozo sádico de Moro e Deltan…), Lula, “o ladrão”, Lula, “o cachaceiro”, Lula, “o petralha”.
E dá-lhe ódio a tudo o que tinha as digitais do PT, tudo era “ruim”, era “o Brasil virando uma Cuba, uma Venezuela”, o ódio cegando as pessoas, tornando-as nesse rebanho tosco de homens babando seu ódio nas ruas e redes sociais, celebrando gente sórdida como Moro, Bretas, Deltan, Janot, Joaquim Barbosa, qualquer um enfim, que se tornasse um herói de seus ódios…
E dá-lhe vazão ao ódio a Dilma, “a puta”, “a vaca”, “a anta”…
E dá-lhe vazão ao ódio a todos os petistas, atacados nas ruas, nos hospitais, pela turba enfurecida dos nossos “homens e brasileiros de bem”…
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Ódio, quando a PM assassina de Alckmin cegou uma jovem estudante de apenas vinte anos, e a turba celebrou nas redes sociais.
Ódio, quando um PM covarde quebrou seu cassetete na cabeça do universitário em Goiás quase provocando sua morte, e o Brasil que conta se omitiu, porque esse é um tempo em que a lei e a violência são usados apenas contra os “inimigos da Pátria”…
Ódio contra dona Marisa, mulher de Lula, quando um médico explicou passo a passo como fazer para que ela “fosse abraçar o capeta”
Ódio do policial federal que sugeriu aos pilotos do avião que levava Lula preso, que “atirassem aquele lixo do avião…”
Tornamo-nos a sociedade dos ódios multifacetados. E tão doente se tornou a nossa sociedade, tão semelhante à Alemanha nazista, que todos percebemos no comportamento dos nossos amigos e parentes, que nada disso tem a ver com “corrupção” ou outro “bom motivo” qualquer. Dependendo do político, de seu partido, não há ódio algum, indignação alguma, mesmo contra os mais contumazes corruptos. A hipocrisia é tanta, que virilizou o mantra desses “brasileiros de bem”, na frase inacreditável: “Somos todos Cunha!” – na ocasião em que o deputado estava para pedir o impeachment da presidente Dilma.
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O Brasil não é o país da corja que o trouxe a esse inferno, os barões da mídia, os juízes, procuradores e ministros de STJ e STF que abraçaram esse processo vil, canalha, farsesco, do desmonte de nossa democracia, soberania, e os sonhos que pudemos sonhar por treze anos, e tantas foram as nossas realizações, que o mundo inteiro nos celebrava, se alegrava por nós, éramos “a novidade no mundo que está dando certo”… – até que eles, os oligarcas, os militares, a elite tosca e perversa, pisassem em tudo, nos transformando “no país do Bolsonaro”… – como somos vistos lá fora.
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Não somos o Brasil dessa elite e classe média rasas, ignaras, preconceituosas, narcísicas e indiferentes, e que agora, uma boa parte se banha de vez no ódio que lhes gerou o movimento social e político que abraçaram…
Essa gente NÃO REPRESENTA O BRASIL, apenas são os que têm mais voz e força política, apenas isso.
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Somos o Brasil da mistura racial, dos europeus misturados aos negros e índios, somos o Brasil das favelas, do samba, do futebol, de Tom Jobim misturado com Cartola, de Chico Buarque misturado com Nelson Sargento, somos o Brasil da alegria de Garrincha, da intuição única de um estadista como Lula, que encantou o mundo, somos o Brasil em que uma imensa maioria dos nossos pobres e miseráveis arranca da vida à força, alegria e esperança para seguir em frente, num país que é o seu grande inimigo e até assassino…
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O tal “Brasil que conta”, o Brasil da família Marinho e seu capacho Sérgio Moro, o Brasil das dondocas fúteis batendo panelas em suas varandas, o Brasil de Deltan e Luciano Huck, esse pedaço do Brasil, ODEIA O BRASIL, é a parcela da sociedade que, mantendo em escravidão disfarçada o contingente de pobres que os servem, apenas usufruem das riquezas que podem arrancar do Brasil verdadeiro… A expressão “Casa Grande & Senzala” ainda é a que melhor nos retrata.
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Precisamos resgatar o Brasil, da parcela social que o odeia, precisamos resgatar nosso país da família Marinho, das Forças armadas e seu conservadorismo tosco e sua tendência à ditadura, precisamos resgatar o Brasil de Dória Jr., de Witzel, de Moro, Deltan e da família Bolsonaro.
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O sangue de nossas crianças nas favelas, as lágrimas do sofrimento desumano de nossos milhões de miseráveis, nos grita que basta!
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Chegou a hora de lutarmos contra a doença, os discursos e as ações dos que nos odeiam. É preciso combater o ódio antes que ele nos mate.
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