4 de junho de 2026

Sobre novos julgamentos de Lula, por Eugênio Aragão

Novos julgamentos de Lula não resolverão o imbróglio criado pela hipócrita turma dos novos convertidos ao #LulaLivre.

Sobre novos julgamentos de Lula

por Eugênio Aragão

A coluna de Mônica Bergamo, na Folha de São Paulo, notícia hoje que integrantes da velha equipe de Rodrigo Janot na Operação Lava Jato sugerem que, “para pacificar o país”, seria necessário julgar Lula novamente, considerando que pesam sobre Sérgio Moro e a turma do MPF em Curitiba fundadas razões de parcialidade ante as revelações do The Intercept Brasil.

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Devemos lembrar, todavia, que suspeitas de ação política não pesam somente contra os procuradores e juízes de Curitiba. Parece que a fonte da colunista da Folha de São Paulo está, mais do que buscando a “pacificação”, tentando esquivar-se do julgamento histórico que a toda Operação Lava Jato atingirá, em Curitiba e no resto do Brasil.

Em Brasília, a atuação de Rodrigo Janot foi responsável pelo vendaval que derrubou a presidenta Dilma Rousseff, através de um golpe parlamentar. Foi o ex PGR que comandou o tempo do ataque e dos recuos no cenário político. Foi ele também, que fez vazar a delação de Delcidio do Amaral em plena crise, para dar um “empurrãozinho” no governo prestes a ser destituído por um vingativo Eduardo Cunha. E disse a mim, enquanto eu ocupava a cadeira de ministro da Justiça, que o vazamento saíra do gabinete do ministro Teori, exibindo, para isso, uma cópia da delação com marca d’água do STF. A delação de Delcídio serviu para acusar a presidenta Dilma de querer obstruir a justiça com a indicação do então desembargador federal Marcelo Navarro ao STJ, sendo que o próprio ex PGR pedira por essa indicação. Agora, talvez para se mostrar generoso, diz na mesma entrevista que revela ter tentado assassinar um ministro do Supremo e suicidar-se depois, que sempre achou Dilma honesta.

Depois, não satisfeito com a forma como Michel Temer lidava com a questão sucessória da PGR, quis também derrubá-lo, usando, para tanto, uma escuta ambiental de uma conversa entre Joesley Batista e o então presidente. A escuta fora plantada sem autorização judicial, sob orientação da equipe de Rodrigo Janot, ao que tudo indica. O objetivo era claro: vincular Michel Temer a suposto suborno de Eduardo Cunha para que este ficasse de boca fechada.

O estratagema não deu certo e o que veio à tona foi toda armação de projeto de delação premiada engendrado pelo auxiliar do ex PGR, Marcelo Miller, que, apesar de ainda não exonerado do cargo de procurador da República, já atuava articulado com um grande escritório de advocacia, mediante pagamento de honorários, para livrar Joesley da cadeia. E, segundo Miller, tudo com conhecimento do chefe de gabinete de Janot.

Em resumo, o comando da Operação Lava Jato agiu criminosamente. Prevaricou, chantageou e agiu com perfídia contra o governo constitucional. E seus atores, agora, querem “pacificar” o país, ao atribuir toda culpa pelo caos aos colegas de Curitiba e a Sérgio Moro, lambuzados pelas revelações do The Intercept Brasil.

Novos julgamentos de Lula não resolverão o imbróglio criado pela hipócrita turma dos novos convertidos ao #LulaLivre.

O ambiente midiático criado por esses maus procuradores contra a pessoa e a liderança política de Lula, com o escopo de retirá-lo da campanha presidencial, não permite uma revisão imparcial do julgamento. Os fatos que lhe foram atribuídos politiqueiramente já passaram pelo distorcido crivo da chamada “opinião pública” e qualquer julgador estará inexoravelmente submetido a intoleráveis pressões numa eventual revisão dos processos. Não há neutralidade possível diante da campanha de pré-julgamento calunioso que movimentou toda a sociedade. Não se pode depender do caráter fora do comum de um juiz raro que não se deixe influenciar pela balbúrdia. Juízes federais, lembre-se, fizeram abaixo-assinados em prol de Moro. Sua associação nacional se posicionou. E agora se acham capazes de promover um julgamento justo? É o coletivo de magistrados que se politizou nessas causas que está sob suspeita! E a contaminação pelo fúria linchadora atingiu todas as instâncias, porque todas coonestaram os abusos da operação, “olhando para as ruas”, como recomendava Joaquim Barbosa ao colega Gilmar Mendes num dos embates notórios entre “galos de briga togados”.

Já que até mesmo os operadores da Lava Jato do gabinete de Janot reconhecem as inúmeras injustiças cometidas nos processos contra Lula e se dizem prontos para “pacificar o país”, que tenham a coragem de reconhecer sua própria suspeição, como instituição persecutória, e, anuladas as decisões de Sérgio Moro e de sua sucessora Gabriela Hardt, postularem o arquivamento dos processos por absoluta inviabilidade da prestação jurisdicional imparcial. Qualquer outra solução não pacificará o Brasil e manterá no Ministério Público e no judiciário a pecha eterna da prevaricação politiqueira.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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11 Comentários
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  1. JOSIAS

    30 de setembro de 2019 12:52 pm

    Vale ressaltar que, também a chamada “grande mídia”, com seu interesses impublicáveis, atuaram em conjunto com toda a máfia do ministério público no suposto impedimento de Dilma e no afastamento da possibilidade do Lula se candidatar à presidência da república. Por tratar-se de concessões públicas, também são responsáveis por esse crime e como tal devem responder judicialmente e perder as tais concessões.

    1. MARCIANO ALMEIDA MELO

      30 de setembro de 2019 2:50 pm

      O Brasil é um pais difícil de se compreender. Nele prevalece a impunidade, corrupção e a mentira. Tres palavras que permanecem invariavelmente na vida do cidadão brasileiro. A responsabilidade disso, digo eu, é do povo. Alguns dirão que ela pertence aos políticos. Pergunto, então? Quem são os políticos?
      A resposta é a constatação da própria verdade. Vivemos problemas? Vivemos e muitos. Mas, os problemas não são de hoje. Eles veem se acumulando através do tempo, por que não dizer de séculos, e, enquanto não tivermos a coragem de mudar essa trajetória, o país não alcançara as condições almejada por todos. As necessidades de mudança são visíveis, todos sabem o que deve ser feito. No entanto, aqueles que podem fazer algo para que isso aconteça, estão atolados até o pescoço na lama na lama da corrupção e protegidos pela impunidade reinante no Brasil.

  2. Vladimir

    30 de setembro de 2019 1:16 pm

    Estou com o ex-presidente ministro. Não há a menor hipótese de um julgamento justo para o presidente Lula. Aliás, antes de qualquer julgamento é preciso que haja uma acusação que seja justa,o que também não ocorreu com o presidente Lula.
    Agora,alguns colunistas golpistas,fantoches de seus patrões, já tomaram à frente defendendo um novo julgamento para o presidente Lula mas,de antemão, afirmando que acreditam que ele é culpado.
    Portanto,,correta a análise do ex-ministro

  3. Maria Luisa

    30 de setembro de 2019 2:04 pm

    Um novo julgamento sera mais uma armadilha para Lula. Vão condena-lo novamente e com isso avalizar a Lava Jato. E que ele não aceita, jamais, semiaberto com tornozeleira. A situação do Lula é incrivel, não deve ter muito igual na historia. Quando contei ao meu marido sobre o PGR que quis assassinar um juiz do Supremo, ele respondeu, o Brasil é inacreditavel. E continua valendo a maxima de Tom Jobim: não é para principiantes!

  4. Nélson Viana

    30 de setembro de 2019 2:39 pm

    Eugênio Aragão faz uma brilhante análise da degradação da cúpula do MP e da maior parte da magistratura.
    Rasgaram as leis e a Constituição, aviltaram as instituições e, pior, não se arrependem dos crimes e da prevaricação.
    No futuro, juntamente com seus comparsas, estarão no lixo da história.

  5. Jorge Neto

    30 de setembro de 2019 4:03 pm

    Os criminosos procuradores integrantes da quadrilha de curitiba, soltaram um balão de ensaio. querem que o pete volte a ter comportamento republicano.

    quero ver quais tucanos dentro do pete, vão abraçar a ideia

    Esses procuradores aão bandidos criminosos e devem ser presos

  6. altamiro souza

    30 de setembro de 2019 4:30 pm

    os golpistas foram desmascaados e querem
    escapar das consequencias de suas mentiras
    e falácias, infamias e traições…
    muitos deles mereceriam ser presos, no mínimo.

  7. peregrino

    30 de setembro de 2019 6:17 pm

    Vale a pena confirmar se antes do golpe o STF e MPF já estavam em guerra…
    até hoje desconfio que Dilma e Lula sofreram danos colaterais dessa guerra, o que obrigou a Globo a ficar do lado dos procuradores para esconder ou desviar o foco do verdadeiro campo de batalha

  8. Denise Cavalcanti

    1 de outubro de 2019 7:01 am

    Concordo com sua análise Aragão, aliás sempre clara e honesta. No entanto, nesse país que boa parte se deixou fazer uma lavagem cerebral e acreditaram/acreditam que o PT é a besta do apocalipse e Lula é o pior político desses mundos, como fazer o povo (essa maioria de eleitores que nos levaram à barbárie em que estamos metidos), enxergue o que é óbvio e cristalino?????

  9. Gil

    9 de novembro de 2019 7:54 am

    Dr. Aragão, o que me preocupa , agora com soltura de Lula, é que o Supremo tirou de suas costas a pressão de julgar a anulação do processo de Lula e com certeza eles não o farão tão cedo e isso manterá Lula como condenado, apenas solto , ma condenado, sem poder participar do processo politico do Brasil.
    Penso até que o supremo trocou esse julgamento de segunda instância pelo de cancelamento dos processos contra Lula, isso sem contar que Lula ainda tem inúmeros processos correndo na justiça e eles podem condena-lo a hora que bem desejar e voltar a coloca-lo na cadeia.

  10. Ivelise Marie Cara

    9 de novembro de 2019 8:22 pm

    A solução a ser adotada, vai ser ir empurrando todos os processos com a barriga. Passaraõ alguns anos, novos escandalos surgirão, e cairá no esquecimento.

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