4 de junho de 2026

Conta de dividir, por Janio de Freitas

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da Folha

Janio de Freitas

Conta de dividir

A soma dos votos em Dilma e Aécio leva a 105,5 milhões; logo, o que está dividido são os votos, não o país

Entre as incontáveis confusões propaladas a respeito da eleição presidencial, já se tornou lugar-comum a afirmação de que o Brasil dividiu-se ao meio. Afirmação que vem de antes da votação, induzida pelas pesquisas, e dada como definitiva e comprovada pela proximidade dos 51,64% de votos em Dilma e 48,36% em Aécio, ou 54,5 milhões para ela e 51 milhões para ele. Mas o tal país dividido em dois não existe. Ao menos no Brasil.

A soma dos votos em Dilma e Aécio leva a 105,5 milhões de eleitores, equivalentes à metade da população, também em número redondo, de 200 milhões. Logo, o que está dividido ao meio, ou quase, são os votos, não o país. No qual os 51 milhões de Aécio correspondem a 1/4 da população. O mesmo se dando com Dilma. E, portanto, nenhum deles dividindo o país em dois. Cada um é apenas metade da metade dos brasileiros. Além dos totais de eleitores que se aproximam, sobra outro tanto na população do Brasil.

Mas a ideia do país dividido ao meio, rachado, metade contra metade, é necessária. Como diz o velho slogan, “a luta continua” –tão consagrado quanto seu companheiro de derrotas “o povo unido jamais será vencido”. “Fora Lula”, “Fora PT”, “Fora Dilma” foram levados à urna por um símbolo físico, o símbolo que foi possível arranjar, nas circunstâncias ingratas. Não sucumbem, porém, no desastre do seu representante ocasional. São uma ideia de força. E, mal a contagem concluíra, já um dublê de blogueiro e colunista político lançava, altissonante e global, o brado da beligerância: “O país está dividido e a culpa é do PT”. Beligerância ferida, sim, mas não de morte. Apenas no cotovelo.

Há que considerar ainda, na divisão do país, a quantidade imensa de eleitores que não se manifestaram por um nem por outro candidato. Os ausentes na votação foram 30,13 milhões. Os que anularam o voto, 5,21 milhões. Somados também os que deixaram o voto em branco, totalizam-se 37,27 milhões de eleitores. Ou 27,44% do eleitorado. Excluídos os possíveis ausentes por morte, não é imaginável que esse povaréu, quase um quinto da população, seja desprovido de toda preferência com sentido político. A propaganda de divisão meio a meio os elimina do cômputo, mas existem e são comprovantes, também, do país multifacetado –como sempre.

As referências de Dilma ao diálogo aproximativo com a oposição e, de outra parte, o espírito da propaganda de país dividido são conflitantes. E não por um instante de sensibilidades contrárias de vitoriosos e derrotados. As divergências são de fundo, na percepção das necessidades e na prospecção de futuros do Brasil. A meta dos derrotados na urna continua a mesma. Os meios de buscá-la, também, se todos os recém-usados continuarem possíveis. E se não vierem a contar com outros, não menos conhecidos.

União, nem em Minas, onde foi feito o julgamento de Aécio, derrotado duas vezes por seus ex-governados. União, só a de Marina, do nome Eduardo Campos, da viúva Campos, de Aécio e do PSB para o vexame presunçoso de perder para Dilma por 70% a 30%, o 7 x 1 em versão eleitoral.

Lourdes Nassif

Redatora-chefe no GGN

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18 Comentários
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  1. Gerson Pompeu

    28 de outubro de 2014 9:45 am

    Matematicamente.

    Bom, mesmo, é somar para multiplicar.

  2. Gardenal

    28 de outubro de 2014 11:05 am

    Tenta-se impor, como verdade

    Tenta-se impor, como verdade acabada, uma mentira repetida. Não há como enxergar esse extemporâneo e transversal Tratado de Tordesilhas Eleitoral separando o norte/nordeste do sul~centrosudoeste. Afinal, Dilma ganhou no Rio e em Minas. O que há, sim, é uma clara divisão por condição sócio econômica. Dilma ganhou nas áreas periféricas em quase todas as cidades brasileiras. Sobre os votos da Dilma, que teriam origem entre o mais ignorantes, o FHC poderia explicar a contradição que encontramos quando olhamos para Minas, estado cujo candidato que ele apóia toma como argumento se tratar do estado com os melhores índices positivos na área da Educação. 

    1. Mariano S Silva

      28 de outubro de 2014 5:50 pm

      Vão passear no Saara, Dilma

      Vão passear no Saara, Dilma ganhou em Uberlândia! Não me consta que esta é uma cidade pobre!

  3. Eduardo Ramos

    28 de outubro de 2014 11:32 am

    fraturados, sim!!!

    Quando você tem dois ou mais lados políticos em um país, disputando o poder pelo debate, mesmo que acirrado, duro, e as instituições são democráticas, soberanas, exercem suas funções de modo normal, então é fato: você não tem um país fraturado, tem um país DIVIDIDO em opiniões, sobre o que é o melhor caminho, isso é bem vindo, é saudável.

    Quando você tem dois ou mais lados políticos em um país, disputando o poder, não mais pelo debate, mas um joga sujo, extrapola a democracia, tem TODA a mídia ao seu lado, massacrando apenas um dos lados, dia e noite, inclusive utilizando inverdades e distorções, manipulando parte do povo, formando um rebanho fanatizado e cheio de medos, preconceitos e ódios, e conta com o apoio do Ministério Público e do Judiciário, para armar acusações, sempre contra um lado, sempre, sem trégua alguma, a ponto de uma parcela dessa nação chorar desconsolada a perda da eleição, com argumentos do tipo: “o Brasil acabou, os ladrões continuarão no poder, tentemos o impeachment!!!” – seguidos, tudo isso, de várias e várias manifestações de ódio, contra a presidente eleita, seus eleitores, nordestinos, etc. etc., então, não temos “um país dividido por opiniões divergentes, em debates democráticos saudáveis e civilizados…” – é extremamente ingênuo, pensar / sentir assim….

    Temos uma FRATURA, sim, porque há um estado de GUERRA, criado pela oposição, apoiado este estado de beligerância PERMANENTE, pela grande mídia, e a blindagem ABSOLUTA do Judiciário.

    Se isso, o que eles fazem, não se aproxima de um fanatismo tosco, um fascismo perverso, uma tentativa de TIRAR O GOVERNO eleito pelo povo, por força de golpes sucessivos (as artimanhas sujas…), então eu devo estar surdo, cego e incapaz do menor raciocínio…

    Sempre que um partido, apoiado pela mídia e pelo judiciário, em qualquer país do mundo, cria ESSE TIPO de ambiente social, onde o partido A representa “o mal absoluto, os ladrões, os canalhas…..” e o partido B representa “o BEM”, a “limpeza dos corruptos”, a “dignidade da nação de volta” e outros mantras rasos, farsescos, tolos, então temos um momento de histeria social, onde a verdade dos fatos passa a inexistir, a capacidade de RACIOCÍNIO ISENTO, idem, e isso é solo fértil para tudo o que há de pior no ser humano, o que pode vir de pior, numa sociedade.

    Quem não lutar contra isso, omite-se, e não é lutar “pelo PT”, tirem o PT pelo voto, pelo debate, não importa, não é o PT o que está em jogo. É a saúde psico-social de todo o país.

    Tirá-lo do poder, sem UMA PROPOSTA MELHOR, apenas por medos, preconceitos e ódios, e através de golpismos, é de uma pobreza atroz.

    Somos e merecemos mais do que isso….

    (eduardo ramos)

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    1. Mareu Soares

      28 de outubro de 2014 12:09 pm

      BLOG

      Eduardo,

      Posso colocar ua argumentação no nosso blog? http://www.imagempolitica.com.br

    2. Gardenal

      28 de outubro de 2014 1:14 pm

      Perfeito Eduardo. Obama e

      Perfeito Eduardo. Obama e François Hollande venceram em seus respectivos países com margem exatamente igual à que reelegeu Dilma. Ninguém fala que Estado Unidos e França são “PAÍSES DIVIDIDOS”. A diferença é que, aqui, os reacionários estão abrigados numa mídia parcial em quase sua totalidade. E, deferimos desses países no fato de que, entre nós, temos uma democracia que precisa ser tutorada, ainda, pelo ECA – ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. 

  4. Edgard Albuquerque

    28 de outubro de 2014 11:50 am

    Divisão?

    “Acabo de conferir: o score das eleições francesas de 2012 foi praticamente o mesmo do Brasil – Hollande 51,6 X Sarkozy 48,4.

    E NINGUÉM, nem a extrema direita da Marine Le Pen, evocou em nenhum momento qualquer ideia de ilegitimidade, divisão do país ao meio ou Golpe que o valha.” CAF/PHA

    1. Mariano S Silva

      28 de outubro de 2014 5:47 pm

      É por que lá os gringos não

      É por que lá os gringos não “apitam” tanto com por aqui!

  5. KNeto

    28 de outubro de 2014 11:51 am

    Gráfico Ponderado dos Resultados

    Esta postagem foi tirada do Facebook. Merece ser  divulgada à exaustão.

     

    Foi trabalho do Thomas Conti

     

    Contra o Preconceito! Pessoal, não resisti e acabei fazendo esse gráfico! Quem quiser/puder ajudar a compartilhar, agradeço muito!

    RESULTADO DAS ELEIÇÕES – MENOS ÓDIO POR FAVOR (a imagem em tamanho está no meu blog: http://wp.me/p3lDLt-sH – mas o servidor pifou de tantos acessos que teve, logo deve voltar!)

    Devido ao enxame de declarações preconceituosas vergonhosas que invadiu o Facebook depois de apurados os votos, acho bom as pessoas terem em mente que não apenas estão propagando um discurso de ódio tacanho e lastimável, como ainda estão com uma visão completamente equivocada da realidade deste país!

    Os gráficos que foram veiculados distorcem o cenário eleitoral: dezenas de milhões de nordestinos não votaram na Dilma, dezenas de milhões do sudeste não votaram no Aécio! Não adianta ficar propagando ódio contra esse ou aquele grupo, venceu quem teve o maior número de votos ENTRE 144 MILHÕES DE ELEITORES.

    Qualquer generalização de gênero, cor e classe social não vai conseguir dar conta de tudo isso, então façam o favor de parar de instilar veneno e preconceito!!!! Ninguém é obrigado a continuar ouvindo isso!

    Mais amor viralizando também no twitter: https://twitter.com/_ThomasConti/status/526564793696931841

  6. Mareu Soares

    28 de outubro de 2014 12:32 pm

    União, sim!

    Caro Janio,

    Permita-me uma pequena correção ao início de tua frase “União, nem em Minas…” , pressupondo-se de que em nenhum local tivesse havido uma união dos eleitores em torno de uma causa, uma ideologia, um pricípio de prioridade na atuação governamental. Houve sim, amigo. Em seis estados a votação para Dilma foi vitoriosa em todos os municípios: Sergipe, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí, Amapá e Amazonas. Nesses estados houve, portanto, unanimidade favorável ao projeto administrativo que é adotado pelo Governo Federal há 12 anos, e continuará por mais quatro, para felicidade de todos os brasileiros. Nesse período todo Lula e Dilma governaram para todo o povo, inclusive para os que foram ou ainda são oposição (1/4 como colocaste) e até para os fanáticos e sectários que vêm tomando atitudes manifestamente neo-nazistas. Parabéns pelo artigo.

    Mareu Soares

    Do blog dos velhos médicos: http://www.imagempolitica.com.br

  7. anarquista sério

    28 de outubro de 2014 1:31 pm

    Pra sua coluna ser sempre

    Pra sua coluna ser sempre  colocada no blog, só pode ser esquerdista.Que é a linha do blog.

    Nada  contra esquerdistas, apenas o fato que não salietam seus erros.

    Tirante o fato que Janio devereria ser impacial, como colunista que é, ainda estupra os números.

     Ele acerta sem qierer que o país não está dividido por 2 .E coloca fantaasuas niméricas.

        Mas ”esquece ”  se escrever está dividido por 3.

              Em números redondos temos: 35 POR CENTO de cado lado, e mais uns 28 por cento de abstenções,nulos ou inválidos. Seriiam os votos do movimentor junho 3013? NãO SEI.

             Mas que o país está dividido por 3 não resta dúvidas.

                  Além de Janio não admitir a divisão por 2, que diira por 3…

                    Isso não é opinião dele ou de quem quer que seja,

                       São fatos!

    1. Zarastro

      28 de outubro de 2014 3:53 pm

      Os fatos são esses aqui, ó:

    2. Mariano S Silva

      28 de outubro de 2014 5:44 pm

      Anarquista, não sei se você

      Anarquista, não sei se você notou, nos dados do TSE, que o índice de abstenções, nulos e brancos em São Paulo foi quase 20% no total, enquanto no NE, foi da ordem de 30%. No Rio de Janeiro, ainda foi maior que isto. Como você interpretaria estes dados? A minha interpretação é que faltou condução (ônibus) no NE e na periferia do Rio de Janeiro. No Rio eu até admitiria uma percentagem de eleitores de Marina e outras esquerdas (PSTU, PCB, PCO, uma parte do PSOL) que preferiram se ausentar. 

  8. Zarastro

    28 de outubro de 2014 3:50 pm

    Aqui é Brasil, não EUA

    Acho muito engraçado essa história de ficar vendo qual candidato a presidente ganhou em qual estado, tal como se fôssemos os EUA onde a eleição para presidente é indireta e as pessoas votam nos delegados de cada estado. Imagino, inclusive, se esse não é sonho de dourado da direita para fazer a democracia sem povo.

    1. Almeida

      28 de outubro de 2014 6:17 pm

      A ideologia vem de lá.

      Não é de estranhar que a turma que a macaqueia em tudo repita aqui, sem notar a diferença dos sistemas eleitorais. Foram cidadãos que escolheram o chefe da nação, não foram entes federativos. Não importa que eles morem no Maranhão ou mesmo em Miami: um cidadão, um voto; ninguém é mais igual do que outro porque mora neste, naquele estado ou qualquer outro recanto do mundo.

      FHC tinha um vice de Pernambuco, Marco Maciel, e apoio de ACM, Sarney, Roberto Freire, Arthur Virgílio e inúmeros outros nortistas e nordestinos; Aécio também foi apoiado por nordestinos e nortistas, buscou e sentiu-se honrado pelo apoio da acreana Marina e da família pernambucana Campos. Não se ouviu uma palavra desses macaquitos intolerantes de condenação a esses apoios e de críticas a seu candidato por aceitá-los.

       

       

       

  9. humberto costa pereira

    28 de outubro de 2014 4:57 pm

    Caso o vitorioso fosse Aécio

    Caso o vitorioso fosse Aécio os que votaram em Dilma se somariam rapidade a boa parte dos eleitores de Aécio que ficariam decepcionados e sentindo na carne o arrocho que viria.

    Dos que não votaram em Dilma só uma parcela de classe média (não emergente) vai continuar na oposição, estimo em no mãximo 20%.

    Então a divisão é: 80 % com Dilma e 20% contra Dilma (PT).

     

     

  10. altamiro souza

    28 de outubro de 2014 7:17 pm

    temos de somar.

    temos de somar.

  11. Raul Abreu Leite

    28 de outubro de 2014 7:27 pm

    Minas representa Brasil.

    O Merval durante as apurações, não satisfeito em dividir o Brasil, ainda dividiu Minas. No contexto em que martelavam que “‘a culpa’ é do Nordeste”, usou o termo que “Minas representa toda a cultura brasileira”, pra justificar que o lado Nordestino de Minas é que afundou o Estado.

    Não que eu assista lá muita TV mas (esses dias me aventurei um pouco mais que o normal) vi vários repórteres e comentaristas gaguejando sobre Minas, mas ainda não vi unzinho se quer, admitir o óbvio, ao menos que por hipótese, do Aécio ter feito um mal governos por lá, e por isto o povo reprovou-o. Mas é evidente que esta verdade, não será oferecida ao país nem como hipótese, principalmente visto o potencial que ela tem por si só, de quebrar em frangalhos o candidato deles.

    O tema “Minas” ontem no Roda Viva foi demais.

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