4 de junho de 2026

Satélite da Índia já está na órbita de Marte e com orçamento modesto

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da BBC Brasil

Como a Índia chegou a Marte gastando menos que um filme de Hollywood

Jonathan AmosCorrespondente de Ciência da BBC News
Credito: AP
A missão da Índia a Marte foi uma das iniciativas interplanetárias mais baratas já realizadas

O programa espacial da Índia conseguiu, na primeira tentativa, o que outros países tentam há anos: enviar uma missão operacional para Marte.

O satélite Mangalyaan foi confirmado na órbita do planeta vermelho na terça-feira. Um feito considerável.

A missão foi orçada em 4,5 bilhões de rúpias (cerca de US$ 74 milhões, ou R$ 178 milhões), o que, para os padrões ocidentais, é incrivelmente barato.

A sonda americana Maven, que chegou a Marte na segunda-feira, está custando quase dez vezes mais.

Em junho, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, brincou que a ‘aventura na vida real’ da Índia custava menos do que o filme de ficção de Hollywood Gravidade, orçado em US$ 100 milhões.

Mesmo os filmes de ficção científica de Bollywood, como Ra.One, custam menos que o que foi gasto para levar Mangalyaan a Marte.

Como a Índia fez isso?

Gerenciando custos

Com certeza, os custos com pessoal são menores na populosa nação de 1,4 bilhão de pessoas, e os cientistas e engenheiros que trabalham em qualquer missão espacial são sempre a maior fatia do preço da passagem espacial.

Componentes e tecnologias domésticas também foram priorizadas em detrimento das caras importações estrangeiras.

Mas, além disso, a Índia teve o cuidado de fazer as coisas de forma simples.

“Eles mantiveram o satélite pequeno. A carga pesa só cerca de 15 kg”, diz o professor Andrew Coates, da Grã-Bretanha, que será investigador-chefe da missão da Europa a Marte em 2018.

“É claro que essa complexidade reduzida sugere que a missão não será tão cientificamente avançada, mas a Índia foi inteligente ao priorizar algumas áreas que irão complementar o que os outros estão fazendo.”

Missão

O Mangalyaan está equipado com um instrumento que vai tentar medir o metano na atmosfera. Este é um dos tópicos mais quentes na pesquisa em Marte no momento, após observações preliminares sobre o gás.

A atmosfera da Terra contém bilhões de toneladas de metano, a grande maioria proveniente de micróbios, como os encontrados no trato digestivo dos animais.

A suspeita dos cientistas é que alguns organismos produtores de metano, ou metanogênicos, possam existir em Marte se viverem no subterrâneo, longe das duras condições da superfície do planeta.

Imagem enviada pela sonda indiana e publicada no Twitter

Os cientistas ocidentais também estão animados de ter a sonda indiana na estação. Suas medições de outros componentes atmosféricos complementarão as medições da Maven e as observações feitas pela europeia Mars Express.

“Isso significa que estaremos recebendo as medições de três pontos, o que é muito importante”, diz o professor Coates.

Isto irá permitir que os pesquisadores entendam melhor como o planeta perdeu o grosso de sua atmosfera bilhões de anos atrás, determinar que tipo de clima o planeta pode ter tido, e se era ou não propício à vida.

Gerador de riqueza

Mas há muitas críticas a respeito do programa espacial da Índia.

Uma delas parte do princípio de que a atividade espacial é um brinquedo melhor deixado para os países ricos e industrializados, sem valor para as nações em desenvolvimento.

Para os que defendem este argumento, seria melhor aplicar o dinheiro do contribuinte indiano em saúde e saneamento básico.

Mas o que essa posição muitas vezes ignora é que o investimento em ciência e tecnologia também constrói aptidão e capacidade, desenvolvendo o tipo de mão-de-obra que beneficia a economia e a sociedade de forma mais ampla.

A atividade espacial é geradora de riqueza. Algumas das coisas feitas no espaço fazem circular dinheiro aqui embaixo. As nações industrializadas sabem disso e essa é uma das razões pelas quais eles investem pesadamente na atividade espacial.

O Reino Unido, por exemplo, aumentou drasticamente seus gastos com espaço nos últimos anos. O governo até identificou a área de satélites como sendo uma das “oito grandes” tecnologias que podem ajudar a reequilibrar a economia do país.

Credito: Reuters
Investimento em ciência em tecnologia pode beneficiar todo o país

A Índia quer embarcar nesta tendência. Com o Mangalyaan e os outros programas de satélites e foguetes, o país está se posicionando fortemente em mercados internacionais de produtos e serviços espaciais.

Lourdes Nassif

Redatora-chefe no GGN

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4 Comentários
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  1. Ataíde Coutinho

    26 de setembro de 2014 8:51 pm

    Nasa

    As empresaas particulares que investem no turismo espacial colocaram o pessoal da NASA em cheque ,como podem gastar tanto dinheiro com resultados considerados até inferiores a por exemplo  o da virgin galactys ?

  2. Ricardo Cesar

    26 de setembro de 2014 9:03 pm

    Talvez eles não tenham

    Talvez eles não tenham militares no comando do programa espacial…..

  3. Rabo de Foguete

    27 de setembro de 2014 1:31 pm

    A qualidade da informação copia-e-cola: mais com menos.

    Já estou cansado de ver notícias que nãon dão informações básicas sobre o tema.

    Exemplo é a cobertura dos protesto difusos, onde não havia uma informação sobre as razões do protesttos,embora rica em detalhes do que foi quebrado, quem bateu em quem, as máscaras utilizadas, et. e tal,

    Já li esta (idêntica) notícia em outras fontes e até agora (será que comi mosca 3 vezes?) ainda não sei se os indianos colocaram seu satélite de carona em algum foguete alheio ou se o levaram em vetor próprio, lançado por eles.

    Embora suspeite desta última, já que ao dispor de bombas nucleares devem ter desenvolvido mísseis, não há uma sílaba sobre isto. Afinal lançar um foguete a Marte e colocar um satélite em sua órbita parece mais caro e complexo do que fazer um satélite para ser levado por tecnologias parceiras. Portanto, informação relevante!.

    Ou seja, por conta (também da manipulação e) da incompetência, cada vez há mais e mais notícias.

    E menos informações!

  4. Rabo de Foguete

    27 de setembro de 2014 1:52 pm

    A qualidade da informação copia-e-cola: mais com menos.

    Já estou cansado de ver notícias que nãon dão informações básicas sobre o tema.

    Exemplo é a cobertura dos protesto difusos, onde não havia uma informação sobre as razões do protesttos,embora rica em detalhes do que foi quebrado, quem bateu em quem, as máscaras utilizadas, et. e tal,

    Já li esta (idêntica) notícia em outras fontes e até agora (será que comi mosca 3 vezes?) ainda não sei se os indianos colocaram seu satélite de carona em algum foguete alheio ou se o levaram em vetor próprio, lançado por eles.

    Embora suspeite desta última, já que ao dispor de bombas nucleares devem ter desenvolvido mísseis, não há uma sílaba sobre isto. Afinal lançar um foguete a Marte e colocar um satélite em sua órbita parece mais caro e complexo do que fazer um satélite para ser levado por tecnologias parceiras. Portanto, informação relevante!.

    Ou seja, por conta (também da manipulação e) da incompetência, cada vez há mais e mais notícias.

    E menos informações!

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