12 de junho de 2026

Moro maior que Bolsonaro?, por Wilson Luiz Müller

O presidente Bolsonaro é avaliado, pelas pessoas pesquisadas, em relação ao governo como um todo, contra o qual existe uma oposição crescente.

Moro maior que Bolsonaro?

por Wilson Luiz Müller

Por que estamos todos discutindo se Moro é maior ou menor que Bolsonaro? A discussão foi artificialmente introduzida pelas pesquisas da Veja e da Folha de São Paulo. Como tudo envolve interesses políticos, seria ingenuidade crer que esses dois veículos,  representantes do establishment, fizessem as perguntas que fizeram por simples curiosidade.

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As últimas semanas revelaram o desconforto de vários setores da direita civilizada com os rumos que Bolsonaro vem impondo ao país, principalmente pelo risco real de estar preparando o terreno para justificar um golpe ditatorial. Há duas motivações principais para as perguntas feitas nas pesquisas: a libertação de Lula e a dificuldade do establishment em “fabricar” outro candidato fora do entorno bolsonarista. Sendo difícil fabricar o candidato ideal (o que já foi demonstrado na eleição de 2018 com a derrota acachapante dos tucanos), qual poderia ser o candidato bolsonarista com o qual a direita civilizada se sentiria mais à vontade? Bingo! Sim, acertou quem disse Moro.

É fácil demonstrar que as pesquisas tiveram esse objetivo. A revista Veja simulou disputas de Lula contra Bolsonaro ou contra Moro. Com isso os pesquisadores queriam saber se Moro conseguiria rivalizar um embate eleitoral contra Lula. O objetivo de medir o desempenho de Moro fica mais claro ainda quando a revista faz uma simulação de disputa entre Moro e Bolsonaro. Qual é a finalidade de simulação de uma disputa impossível? Pois desde a eleição de 1989, um candidato do PT esteve entre os dois finalistas da eleição presidencial, nada indicando que será diferente em 2022.

A pesquisa da Folha de São Paulo vai no mesmo sentido da Veja, tentando medir o tamanho do eleitorado que estaria com Lula, Bolsonaro e Moro. Mas a Folha avança para uma estratégia capciosa, que levaria a maior parte dos leitores a uma conclusão falsa de que Moro é maior do que Bolsonaro. Com base em quê muitos analistas chegaram a essa conclusão? Com base em premissas que comparam coisas diferentes, portanto premissas falsas.

O presidente Bolsonaro é avaliado, pelas pessoas pesquisadas, em relação ao governo como um todo, contra o qual existe uma oposição crescente. Ele é comparado, entre outras coisas, com os seus opositores, como por exemplo Lula. A avaliação que as pessoas fazem de um ministro do governo Bolsonaro parte de parâmetros completamente diferentes, pois um ministro é avaliado principalmente pelas informações que as pessoas possuem dele. Não há aqui a contraposição, ou comparação, com o desempenho de políticos de outro campo ideológico. Além disso, é sabido que um percentual muito reduzido de pessoas acompanham o noticiário envolvendo a atividade dos ministros. Ao se comparar o percentual obtido por Moro como ministro ao de Bolsonaro como presidente está se comparando jaca com jaboticaba, só porque as duas frutas iniciam com a mesma letra.

Se a comparação tivesse algum validade estatística, poderia se dizer também que Damares e Paulo Guedes são bem mais populares que Bolsonaro, com índices de 43% e 39% de aprovação, enquanto que Bolsonaro tem apenas 30%. Levaríamos a sério uma pesquisa que indicasse Damares ou Guedes com apoio popular capaz de enfrentar Lula numa eleição? Por que leva-se a sério então a comparação entre Moro e Bolsonaro?

Pode-se, por intuição ou por conhecimento da realidade política do país, concluir que Moro é um candidato mais forte que Bolsonaro nesse momento. Porém, mesmo isso é bastante discutível, pois, apesar do desgaste do presidente, ele ainda tem muito mais carisma e poder de fogo do que Moro  para se manter como a opção mais viável no campo da direita e extrema-direita. O que não se pode é afirmar, com base nas pesquisas citadas, que Moro tem maior aprovação do que Bolsonaro.

Ao que tudo indica, o establishment por enquanto conseguiu atingir seu objetivo. Melhor que um candidato ideal passar vergonha com 4% dos votos é um candidato bolsonarista  que ao menos seja mais limpinho e cheiroso do que o criador. Resta saber se Bolsonaro acredita nessas pesquisas. E, em acreditando, se está disposto a aceitar a contingência de não ser mais necessário para o establishment, sendo melhor – inclusive para ele próprio – apoiar Moro do que correr outros riscos desnecessários.

Wilson Luiz Müller – Membro do Coletivo Auditores Fiscais pela Democracia (AFD)

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Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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3 Comentários
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  1. Rui Ribeiro

    12 de dezembro de 2019 12:44 pm

    Não existe grandeza nem no Bolsonaro, nem nos seus Ministros nem nos seus eleitores. Portanto, o $érgio Moro não é maior do que o Bolsobosta. O Bolsobosta é que é menor do que $ergio Moro.

    Quanto ao resultado das pesquisas do Datafolha, observe-se que apenas 93% dos entrevistados conhecem o $érgio Moro. Em outras palavras, o $ergio Moro foi aprovado por 53% de 93%. Ora, 53% de 93% equivale a 49% e não a 53%, como noticiou o G1.

  2. Guilherme Esteves Lasmar

    12 de dezembro de 2019 6:20 pm

    Quanto delírio……. A reportagem é uma porcaria, e os comentários…… A “Dilma” Rui Ribeiro, citando percentuais, tenta apresentar insignificância em um número de 93%. Sem contar que o bandido de nove dedos está solto momentâneamente, mas tem seus direitos políticos suspenso, logo não será candidato nem a síndico. Grande perda de tempo, a pesquisa e a reportagem.

    1. Rui Ribeiro

      13 de dezembro de 2019 8:10 am

      4% é um percentual insignificante?

      As Moretes não têm noção. Se tivessem, não seriam Moretes.

      Moretes gostam de ler porcarias. Isso me lembra o Flávio Bolsonaro, que afirmava que não queria porcaria de foro privilegiado mas não sai do $TF, pedindo que parem de investigá-lo em razão de ele ser $enador e, portanto, ter foro privilegiado.

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