5 de junho de 2026

1º ano governo Bolsonaro: 60 mil assassinatos e medo nas ruas

Outra marca do governo foi a aposta na repressão policial por meio de propostas para conceder uma presunção de legítima defesa a policiais e militares

Instituto Sou da Paz faz balanço do 1º ano de mandato do governo Bolsonaro

Do Instituto Sou da Paz

Quase 60.000 pessoas foram assassinadas no Brasil em 2018 – cerca de 157 mortos por dia – e meio milhão de veículos foram roubados ou furtados. As pessoas vivem com medo de perderem entes queridos e de sofrerem assaltos, e cobram soluções do poder público.

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Os Institutos Sou da Paz e Igarapé e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública formularam no ano passado a Agenda Segurança Pública É Solução contendo propostas concretas para auxiliar o governo federal na atribuição essencial de garantir os direitos à vida, à integridade física e ao patrimônio. Chegou a hora de avaliar as primeiras medidas implementadas no âmbito federal voltadas a este objetivo. O presente material traz uma linha do tempo das principais iniciativas propostas pelo governo de Jair Bolsonaro avaliadas à luz da Agenda. Para cada medida, você pode conhecer o seu status e entender o que está em jogo.

Identificamos esforços iniciais do Ministério da Justiça e Segurança Pública para aprimorar as investigações policiais de crimes violentos e ampliar a transparência na seara da segurança pública. Houve investimento numa Rede de Centros Integrados de Inteligência e foram indicados como prioritários a criação de um Banco Nacional de Perfis Balísticos e o fortalecimento do Banco Nacional Multibiométrico e de Impressões Digitais. Também merece destaque a prioridade dada ao aperfeiçoamento da plataforma de dados SINESP, criada por lei em 2012. Por meio da plataforma, o Ministério da Justiça disponibilizou em março dados oficiais sobre homicídio doloso e tentativa de homicídio, roubo seguido de morte, lesão corporal seguida de morte, estupro, roubo e furto de veículo, roubo à instituição financeira, e roubo de carga. Por outro lado, o Sinesp apresenta dados incompletos e possui metodologia que ainda requer importantes ajustes.

Também destacou-se o lançamento do programa “Em Frente Brasil” em agosto com o objetivo de garantir a colaboração entre municípios, estados e a União na redução de índices criminais em municípios particularmente violentos, ainda que com abrangência bastante limitada (o programa ocorre em territórios que concentraram apenas 2,4% dos homicídios no país em 2017). Outra medida promissora foi o oferecimento de ferramentas de gestão da informação e infraestrutura digital para seis estados: Espírito Santo, Goiás, Pará, Paraná e Pernambuco e Ceará. O acesso dos profissionais da segurança a informações de outros estados permanece um desafio, de forma que os esforços para a integração e transparência de dados entre os órgãos que compõe o Sistema Único de Segurança Pública são necessários.

Pelo outro lado, foram publicados oito decretos e aprovado na Câmara dos Deputados um projeto de lei que visa enfraquecer o controle das armas de fogo e munições no Brasil, contido na Lei 10.826/2003 – Estatuto do Desarmamento, que contribuirão à maior circulação de armas no país e, assim, alimentarão a violência. O que mudou:

Aumentou-se o tempo de validade dos registros de armas de fogo de cinco para 10 anos;
Ampliou-se a potência em 4x das armas acessíveis a civis, incluindo vários calibres e modelos antes de uso policial ou militar, como 9mm, .40, e .357. Dada a alta quantidade de armas desviadas no Brasil, a mudança tende a potencializar o poder de fogo disponível no mercado ilegal; Foi dispensada, na prática, a comprovação de efetiva necessidade para civis adquirirem armas de fogo; Extinguiu-se a necessidade de militares e policiais cumprirem diversos requisitos para adquirem armas de fogo ou renovarem os seus registros, tais como atestados de antecedentes criminais e psicológicos. Agora basta a apresentação de documento de identificação; Aos caçadores, atiradores e colecionadores (CACs) foi concedido acesso a grandes quantidades de armas e munições (ao menos cinco armas de cada modelo a colecionadores, 30 a caçadores e 60 a atiradores), e a permissão de portar armas municiadas nas ruas; Adolescentes a partir de 14 anos foram liberados para praticar tiro desportivo sem autorização judicial; Aos proprietários rurais foi garantido o direito de posse de armas em toda a extensão das suas propriedades.

O governo também se empenhou em conceder por decreto o direito de porte de armas para dezenas de categorias, dispositivos que foram revogados devido a fortes questionamentos sobre a constitucionalidade e os riscos de tal medida para a segurança da população e à falta de um debate transparente e inclusivo com parlamentares e a sociedade.

Outra marca do governo foi a aposta na repressão policial por meio de propostas para conceder uma presunção de legítima defesa a policiais e militares e do discurso de estímulo ao confronto policial. Além de inconstitucionais e contraproducentes para combater os crimes contra a vida e o patrimônio no Brasil, tais medidas aprofundariam a impunidade de crimes praticados por militares e policiais. Não é este o caminho para assegurar a justa e necessária proteção aos nossos agentes de segurança.

Por fim, ressalta-se que o Ministério da Justiça e Segurança Pública gastou somente 13,4% do orçamento anual do Fundo Nacional de Segurança Pública nos primeiros dez meses de governo, sendo que 77% dos recursos foram destinados à Força Nacional, ou seja, a operações de natureza emergencial ostensiva ou repressiva. Enquanto isso, ações voltadas à prevenção da violência carecem de priorização e recursos financeiros.

O roteiro das próximas cenas está sendo escrito agora. Espera-se que o governo federal apresente à sociedade um Plano Nacional de Segurança Pública para os próximos três anos que conte com vontade política, planejamento adequado e financiamento suficiente para melhorar a gestão, treinamento, capacidade de investigação e a operação das polícias. Também deve ser pautado o fortalecimento do rastreamento e retirada de armas de fogo e munições ilegais de circulação, as prisões prioritárias de homicidas contumazes, a desarticulação dos grupos criminosos que hoje dominam territórios e unidades penitenciárias, e políticas de prevenção capazes de atingirem as dinâmicas que geram mortes violentas. Sem isso, os avanços obtidos serão incompletos e efêmeros.

 

 

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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4 Comentários
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  1. Evandro Condé

    21 de dezembro de 2019 11:21 am

    Dados sobre mortos e/ou violência sem apresentação de anos ou décadas anteriores é número vazio. Se eu falo que em determinado local teve 5 assassinatos, acharão pouco. Se digo então que no ano anterior foi zero, a realidade passa a ser outra.

  2. Mário Mendonça

    21 de dezembro de 2019 11:34 am

    Prezado Mouro

    Muda governos, porem nada muda…!!!…

    Até quando !!!

    Abração

  3. Fernando

    22 de dezembro de 2019 9:26 am

    Será porque o STF defende bandidos e o congresso afrouxa as leis que punem? Será porque mais da metade daqueles que elaboram as leis e atrasam as açoes do governo estão envolvidos em corrupções? Mas a culpa é do governo né…

  4. Adriano

    22 de dezembro de 2019 10:37 pm

    2018? O governo do Bolsonaro é em 2019!

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