5 de junho de 2026

Abstinência sexual? Estudo mostra que ideia de Damares fracassa entre jovens evangélicos

Maioria dos jovens evangélicos já fez sexo antes do casamento, contrariando a cartilha de campanhas como "Eu Escolhi Esperar"
Foto: Agência Brasil

Jornal GGN – A ministra Damares Alves começou o ano de 2020 com uma proposta polêmica: incentivar a abstinência sexual entre jovens, para combater a gravidez precoce e a disseminação de doenças. Mas um estudo acadêmico realizado entre jovens de 16 a 30 anos mostra que o plano da pastora fracassa até mesmo entre aqueles que se dizem evangélicos.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

O estudo [clique aqui ou leia abaixo], publicado no Anuário Unesco/Metodista, em 2015, por Leandro Ortunes (doutor e mestre em Ciências Sociais e especialista em Ciências da Religião), mostra que a maioria dos jovens evangélicos já fez sexo antes do casamento, contrariando as campanhas controladoras de cunho religioso que inspiram a mais nova política pública de Damares. Caso do movimento “Eu Escolhi Esperar”, que surgiu no Brasil no início da década passada.

A pesquisa feita com 403 jovens (171 se declararam evangélicos) visava descobrir se a prática sexual estava em acordo com o discurso
oficial de boa parte das instituições religiosas.

O resultado: quase 67% dos jovens declaradamente evangélicos admitiram que mantiveram relações sexuais antes do casamento. E 45,22% declararam manter relações sexuais frequentemente.

“Uma variável que foi abordada nesta pesquisa foi sobre a permanência de relações sexuais após a conversão ao cristianismo (evangélico). O resultado demonstrou que apenas 35,42% abandonaram a prática sexual, enquanto 64,58% a mantiveram mesmo após a conversão.”

Um outro trabalho (veja aqui), sobre as campanhas midiáticas de “pureza sexual” que marcaram os anos 1990 a 2010, publicado mais recentemente, após a ascensão de Jair Bolsonaro na Presidência, mostra outros gargalos na proposta de Damares.

Um deles diz respeito à total marginalização das meninas e mulheres que tiveram ou não uma gravidez precoce, e que hoje são mães solo. Segundo a pesquisa, é como se esse “tipo” de mulher não existisse para os teóricos do “Eu Escolhi Esperar”, pois não é mais visto como público-alvo. É um nicho que, a depender desse movimento, ficaria descoberto em termos de saúde pública.

Em geral, o que esse movimento vende é a ideia de que a abstinência será compensada com um bom relacionamento, que terminará em um “casamento santificado”. Por isso, mulheres são as mais pressionadas com discursos sobre preservação, valorização e autoestima.

Em vez de focar em informações técnicas e dados científicos acerca de doenças sexualmente transmissíveis e da gravidez precoce, essas campanhas exclusivamente religiosas tentam adequar comportamentos de maneira sexista.

Questionado pelo jornal O Globo, o Ministério de Damares afirmou que a “espera como alternativa para iniciação da vida sexual em idade apropriada” considera “as vantagens psicológicas, emocionais, físicas, sociais e econômicas envolvidas, sem que isso implique em críticas aos demais métodos de prevenção”. A ministra-pastora não informou à imprensa que estudos sustentam essa nova política.

Cintia Alves

Cintia Alves é jornalista especializada em Gestão de Mídias Digitais e editora do GGN.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

5 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Marco Antonio Gomes de Oliveira Menezes

    4 de janeiro de 2020 6:36 pm

    Por que vocês dão tanta voz a essa gente que merece o silêncio. Não têm informações mais criativas para passar. Estão fazendo o que eles querem: chamar a atenção. Levar a sério esses factóides e não ter o que informar. O que é um Damares?

  2. Elvys

    4 de janeiro de 2020 6:43 pm

    Para apimentar a discussão em torno da proposta da ministra: escutei de um mormon que as garotas de sua igreja são “verdadeiras capetinhas sexuais”.
    Como podemos ver, hipocrisia ….

  3. pascoal veneroso

    5 de janeiro de 2020 6:02 am

    A ministra pretende controlar a explosao dos hormonios atraves de cartilha ou decreto

  4. Ivan França Junior

    5 de janeiro de 2020 8:49 am

    Cares, infelizmente não consegui localizar o estudo mencionado. O nome do autor parece estar errado. Ontunes??
    Também não há menção onde foi publicado.
    Informação importante precisa ser bem relatada!

  5. degas

    5 de janeiro de 2020 9:18 am

    No passado havia um controle muito maior, principalmente das moças. Mas nós não podemos esquecer que o pessoal geralmente se casava muito mais cedo. A noiva típica da Roma Antiga tinha 14 anos. E não faz tanto tempo que a moça chegar solteira aos 18 era uma preocupação.

    Ou seja, o tempo de “contenção” era relativamente curto. Hoje, com o pessoal casando depois dos 30, é muito difícil exigir o mesmo comportamento.

Recomendados para você

Recomendados