2 de agosto de 2026

Era uma vez um país, por Carlos Motta

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Era uma vez um país, por Carlos Motta

As más notícias não cessam.

Nem é mais possível medir o tamanho da crise, uma crise econômica, política e moral jamais vista nestas terras.

Alguns ainda têm esperanças, vislumbram a bonança depois da tempestade, como se estivessem vendo uma produção hollywoodiana açucarada, uma daquelas com final feliz.

Outros já jogaram a toalha e sentem que o Brasil não é mais uma nação, mas um ajuntamento de pessoas que vivem apenas pelos seus próprios interesses, num salve-se-quem-puder no qual não existe espaço para um pingo de civilidade.

As instituições funcionam, mas trabalham não em benefício da sociedade, mas para manter os imensos privilégios de seus integrantes.

Juízes, promotores, procuradores da República, são os primeiros a zombar da lei, que deveriam, mais que ninguém, obedecer, com seus salários obscenos, que permitem um estilo de vida incompatível com o decoro dos cargos que ocupam.

Num país democrático, funcionários públicos que são, eles nunca exigiriam ser tratados, como nesta república de bananas, como semideuses intocáveis.

E onde, em todo o universo, um chefe do Executivo que todos sabem ser um ladrão, e que se cercou de meliantes iguais ou piores para o auxiliar – todos pagos, e bem pagos, com o dinheiro público – não só se mantém na função, mas destrói, com o auxílio de meios de comunicação venais e um Parlamento facinoroso, todas as conquistas civilizatórias que custaram muito sangue, suor e lágrimas?

Como se dizia tempos atrás, está tudo dominado.

Hoje são poucos os que discordam de que a presidenta Dilma Rousseff foi vítima de um golpe – branco, judiciário-parlamentar, suave, não importa a sua definição.

O pior de tudo, porém, é que esse evento, universalmente tratado como o crime mais grave que se possa cometer contra uma democracia – alguém sequer imagina, por exemplo, a repercussão e as consequências de algo similar nos Estados Unidos? -, aqui revoltou somente alguns poucos, e ninguém de poder suficiente para obstá-lo.

Além disso, um ano depois da tragédia, a não ser por raras gotas de inconformismo, parece que nada aconteceu, tal a vastidão do oceano de apatia em que se encontra o país, mesmo que o seu desmonte seja efetuado dia a dia.

Há alguma coisa errada com o brasileiro médio, algum parafuso a menos, algum problema com a sua sinpase.

Ou então ele está certo e ansioso em aceitar este novo Brasil, mais injusto, mais desigual e menos democrático que está surgindo, e todos os que tanto fizeram para torná-lo diferente, ao menos próximo de algo civilizado, têm é de se calar.

O tempo do “ame-o ou deixe-o” parece que está de volta.

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4 Comentários
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  1. carlos Taurus

    15 de agosto de 2017 3:39 pm

    Medo

    Meu medo é que, quando minha família finalmente aceitar que não existe mais salvação para esse pobre país de coxinhas, patos e bananas, não tenham mais aeroportos para podermos fugir para algum lugar com um mínimo de civilização…

    1. FlaUrubu

      15 de agosto de 2017 6:19 pm

      Idem

      Idem CT, idem…

  2. AMILTON ALAVARCE

    15 de agosto de 2017 8:23 pm

    A questão não se trata tão

    A questão não se trata tão somente de ame ou deixe, mas sim de que nós estamos totalmente bestializados, paralisados, não foram suficientes 20 anos de “ditabranda”, a merda é que a história não foi passada nas escolas como deveria ter sido, a verdade nua e crua e aí, temos um bando de jovens até 40 – totalmente lesados mentalmente, robotizados por essa mídia inconsequente, que somente almeja o poder.

    Tivemos 300 ou mais anos da pior escravidão que se tem notícia no mundo – quando isso nos foi mostrado – nunca, nunca… ah! mas no brasil não tem preconceito, essa oligarquia é aquela que vem se perpetrando desde o descobrimento.

    Sabe quando vamos ser um brasil verdadeiro – quando os coxinhas forem definitivamente derrubados, escrachados do poder.

    Quando foi que devíamos ter feito a lição de casa – julgado a todos os culpados da ditadura, quando foi para aplicar a lei, nos acovardamos, está aí o resultado, a mesma corja que nadou de braçadas na ditadura dando as cartas novamente.

    Não tenho mais idade par deixar este brasil, mas tivesse, bem longe estaria, já larguei sampa, falta só esse brasil.

     

  3. Eduardo Ramos

    16 de agosto de 2017 7:50 am

    Cada vez mais, textos
    Cada vez mais, textos realísticos como esse invadem os blogs…. são sínteses semelhantes, lúcidas, tapas no nosso rosto catatônico, nos lembrando o país que viramos….. Os pobres e miseráveis, não têm o que fazer, é aceitar a vida escrava ou partir pro crime, não têm para onde ir….. Os que teriam voz e força política, elite e classe média, dividem-se em três grupos: o menor, os dos brasileiros conscientes de todo o horror, a turma que não virou rebanho humano, e nem falo aqui de petistas apenas, mas amplio esse leque aos democratas, e os que sabem a farsa jurídica, cognitiva, ética e social que vivemos. O segundo grupo, majoritário, é o rebanho….. nada a dizer sobre eles…. como de um jeito ou de outro têm como se virar nas crises, podem se permitir esse “lavar as mãos” obsceno que praticam hoje….. E o terceiro grupo, é o que desistiu por exaustão! Os que viram tudo acontecer como uma ficção de terror, sempre acreditando que “o fundo do poço tinha chegado”, e até agora não chegou, sentem-se ingênuos, confusos, uma desesperança amarga……
    É quase um tempo de um “niilismo obrigatório”, a opressão do cinismo, da farsa, do doentio, do injusto, do narcísico sobre nós é tão selvagem e embrutecida, que é quase impossível vislumbrar uma saída…..
    Vive-se como diante da consciência desse horror? Como se nada estivesse acontecendo porque temos bons empregos e nossas famílias não passam necessidades?
    Reflete-se mais, debate=se mais até surgir uma solução, uma forma de luta viável?
    O que fazer, como viver nesse mundo que virou nosso país?

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