17 de julho de 2026

Temer nas cordas com seus estrategistas trôpegos, por Fernando Limongi

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Foto: Beto Barata/PR
 
Jornal GGN – No Valor Econômico, o professor da USP e pesquisador do Cebrap, Fernando Limongi, analisa as estratégias adotadas por Michel Temer para tentar esticar seu mandato no Palácio do Planalto. 
 
O presidente tentou traçar um círculo para salvar os sobreviventes, mas acabou privilegiando alguns amigos e esquecendo de outros, como no caso de Osmar Serraglio, que recusou o cargo no Ministério da Transparência.
 
Limongi pontua que os estrategistas trôpegos de Temer resolveram que ainda não é hora de largar o osso, e o espetáculo que se anuncia é triste, principalmente com a prisão de Rocha Loures.
 
Além disso, a cruzada moralizadora da Lava Jato entra em declínio, já que seus efeitos não são animadores. A relação entre políticos e empresários não foi afetada, como ficou claro no caso da JBS, inclusive com preso que continuaram a receber propinas. 

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Do Valor 
 
 
por Fernando Limongi
 
Temer resiste. Nas cordas, acuado e de guarda baixa. Arma contra-ataques recorrendo a estrategistas trôpegos. Escutou, é certo, o especialista-mor em esticar mandatos por puro instinto de preservação. Trocou o ministro da Justiça para cumprir a missão que o senador Romero Jucá (PMDB-RR) lhe destinou: traçar o círculo e salvar os sobreviventes. Na tacada, privilegiou alguns amigos e se esqueceu de outros. Moreira Franco, graças à edição de uma medida provisória de última hora, continua a gozar de foro privilegiado.
 
O deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) teve o prazer de tomar a decisão que confirmou seu juízo. Ao recusar o ministério transparente que lhe impingiam, retirou o mandato e o foro de Rodrigo Rocha Loures cuja prisão fez com que o mandato do presidente passasse a depender inteiramente da sua boa índole. No caso, as boas relações e influência do ministro da Justiça, Torquato Jardim, não serão de grande serventia. De fato, os estrategistas do presidente não sabem pensar duas casas à frente.
 
O ambiente, portanto, é marcado pela mais pura manifestação de comportamentos irracionais. Difícil dar conta de um mundo habitado por lideranças com este grau de inconsistência em seus atos.
 
Os exemplos se multiplicam. O prêmio estrategista trôpego do ano, sem dúvida alguma, cabe ao senador afastado Aécio Neves (PMDB-MG), pela ação contra a chapa Dilma-Temer cujo objetivo era só “encher o saco”. Neste caso, contudo, vale lembrar que Aécio não agiu sozinho, que mais gente participou e sustentou o plano. Na realidade, a ação original fora arquivada e coube a outro grande estratego recuperá-la e lhe dar vida nova, incluindo na denúncia os financiadores do próprio Aécio. Um gênio, pois não?
 
Os trôpegos decidiram que é cedo para largar o osso. Vão resistir. Convenceram o presidente Michel Temer a não jogar a toalha. O espetáculo que se anuncia é triste. Loures está preso e pode explicar para que e quem recebeu propina. Amanhã, Temer enfrenta o julgamento do Tribunal Superior Eleitoral. Escapando destas ameaças, outras virão. Sem acordo sobre quem possa sucedê-lo, o presidente resiste encurralado nas cordas.
 
A sobrevida de Temer evidencia os limites da Operação Lava-Jato. A cruzada moralizadora entra em sua curva descendente. Seus efeitos, para além das prisões que realiza, não são assim muito animadores. Senão vejamos.
 
Primeiro porque não afetou a relação entre empresários e políticos. No auge da operação, a JBS continuou financiando políticos como financiava antes da primeira prisão decretada pelo juiz Sergio Moro. A simbiose foi mantida. As prisões e punições não se mostraram suficientes para alterar comportamentos e práticas arraigadas. Tudo como antes do Quartel de Abrantes. Aliás, o que se viu é que mesmo presos continuaram a receber propinas. Por que mudariam de comportamento? Como se diz, a oportunidade faz o ladrão e os promotores nada sabem sobre as oportunidades e, como mostra a lei pela qual tanto se batem, nem querem saber. Para eles, o remédio é aumentar seu poder para prender e punir.
 
Em segundo lugar, a Lava-Jato mostrou-se incapaz de gerar um movimento politico em prol de seus ideais, quaisquer sejam eles. Os movimentos de apoio à cruzada moralizante, como o “Vem pra Rua” e o “MBL”, resolveram abandonar a cena pública. Ensaiaram indignação ao ouvir as gravações entre Temer e Joesley Batista, somente para, nos dias seguintes, desmobilizar seus seguidores com desculpas esfarrapadas. Nas duas últimas semanas, nem isto. Nem se deram ao trabalho de se justificar. Sumiram do mapa.
 
Pelo jeito, a indignação moralizadora tem cores partidárias e escolhe os inimigos. Ou pelo menos quem os impulsionava, com recursos e facilidades de toda ordem, preferiu ver seu eleito apanhando nas cordas ao risco das incertezas que se abririam com sua queda.
 
Moro, que em sua estratégia sempre soube necessário mobilizar a opinião em seu apoio, com certeza deve ter notado a mudança de ares. Quando Dilma Rousseff estava nas cordas e o movimento das ruas perdia força, jogou suas cartas decisivas (a condução coercitiva de Luiz Inácio Lula da Silva e a liberação da gravação das conversas entre a presidente e o ex-presidente) para obter o apoio que selou o destino de Dilma e salvou sua operação caça-corruptos. Convocou seus apoiadores a ir à rua e eles compareceram em número recorde. À época, está claro, Moro contou com o apoio dos que hoje se voltam contra ele e sua operação.
 
O destino de Moro e de sua operação, tudo indica, é o mesmo das Mãos Limpas. A coalizão pró-moralização desfez-se e, como sua inspiradora, para além do rastro de prisões e punições, pouco deixará de construtivo.
 
O governo Temer, como seu antecessor, foi reduzido a frangalhos. As denúncias de que é alvo são contundentes, muito mais que qualquer acusação feita a Dilma enquanto esta governava. Como não há quem o suceda e possa oferecer a segurança que o círculo de Jucá exige, Temer vai ficando. Os que se apresentaram ao cargo acabaram descartados, seja porque igualmente tóxicos ou porque demasiadamente despreparados para a missão. Se não tem tu, vai com tu mesmo.
 
As perspectivas não são nada animadoras. O PT, de sua parte, também não se esforça por derrubar Temer e, ao clamar por eleições diretas que sabe ser inexequíveis, faz a marola ao gosto da militância, enquanto participa do jogo armado pela turma de Jucá. Ganha tempo e aposta na costura do acordão redentor.
 
Temer, na melhor das hipóteses, como seu conselheiro José Sarney, perde por pontos, arrastando-se até o último round. Assistiremos uma luta inglória e inútil. Como diz o vulgo: quem pariu Mateus que o embale.
 
A Lava-Jato e a luta pela moralização da política perderam força e apoio entre os dispostos a ir para a rua. O ímpeto se foi. Para a maioria, o que havia por fazer já foi feito e é hora de tocar a vida. Se livraram do PT, mas sobraram com Temer, trôpego, surrado, apoiado nas cordas, desferindo golpes a esmo para evitar a queda. A derrota é inevitável. Na melhor das hipóteses, por pontos, ao final do mandato.
——————
Fernando Limongi é professor do DCP/USP e pesquisador do Cebrap.
 
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7 Comentários
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  1. Padilha Novo

    6 de junho de 2017 2:07 pm

    Mas era de se esperar: alguém

    Mas era de se esperar: alguém disse que quando a história se repete, vem como farsa. É o caso. E fizeram questão de copiar, até mesmo os erros. E nós pagando tudo isso.

  2. João de Paiva

    6 de junho de 2017 2:15 pm

    Mais um pseudo-intelectual-esquerdista e seu “charminho crítico”

    Prezados,

    Este que assina como professor da USP e pesquisador do CEBRAP é da mesma turma de Aldo Fornazieri e outros conhecidos como ‘intelectuais esquerdistas’. Ao longo do artigo ele tenta fisgar o leitor com aquilo que Jessé Souza chama de “charminho crítico”. Em vão. No antepenúltimo  parágrafo ele se entrega. Faz uma acusação leviana, que agrada em cheio uma ‘esquerda puritana’, muito identificada com o PSOl e como PSTU. Confiram.

    “As perspectivas não são nada animadoras. O PT, de sua parte, também não se esforça por derrubar Temer e, ao clamar por eleições diretas que sabe ser inexequíveis, faz a marola ao gosto da militância, enquanto participa do jogo armado pela turma de Jucá. Ganha tempo e aposta na costura do acordão redentor.”

    É desse tipo de ‘esquerda’ e de ‘esquerdista’ que a direita gosta e precisa. Nem se encomendasse, com extenso caderno de especificaçãoes, a direita conseguiria um ‘produto’ tão adequado ao uso.

    1. Nelia Maria

      6 de junho de 2017 3:14 pm

      Pensei como você. O texto

      Pensei como você. O texto estava indo bem até chegar no tal paraágrafo em que o autor nos coloca a tese da esquerdinha nutella: o PT é igual a todos os outros partidos.

      Cansaço desse povo que não sabe onde quer chegar.

    2. Joao Pereira

      6 de junho de 2017 7:37 pm

      Bingo !

      Absolutamente de acordo, Joao de Paiva. Suposta esquerda, ou a “esquerda” que a direita gosta…

  3. maria rodrigues

    6 de junho de 2017 2:16 pm

    MPF e Moro já costuraram a

    MPF e Moro já costuraram a prisão de Lula, que, por mais evidências de nã-provas, provas existem, sim, provenientes das mentiras dos delatores ameaçados de morrem na prisão perpétua de Curitiba. A moradia de Moro já tem nos States até a peça principal, sua esposa maravilhosa, que, segundo dizem teve que sair do Brasil pra sua segurança. E se o maior objeto da Lava Jato trasnformou-se em perseguir Lula e prendê-lo, nada mais havendo a dizer, sentencio sua prisão e a ida do seu maior desafeto para o País do Tio Sam. Que fiquem os dallagnóis em seu lugar a fazer justiça com religiosidade e convicção.

    Voltando a Aécio, como acabo de rever aquela fita grava em que ele conversa com o ministro Gilmar, sem cerimônia, chamando-o pelo prenome, talvez possamos admitir que o mimado mineiro tem costas muito largas. De repente, pode até se livrar de todas as acusações e sair pro abraço.

    Temer. Esse aí, como está no post acima, tá sendo empurrado pelos tucanos pra manter-se como uma pedra, porque acham todos eles, incluindo MT, que a canoa não vai virar. Hoje mesmo, com reportagens inúmeras sobre a possibilidade de vir a perder o mandato no julgamento da chapa Dilma-Temer, reuniu uns gatos pingados, com Aloysio Nunes por trás dele, para falar sobre o clima, e o que seu governo fará, etc. Perdeu a noção do ridículo há muito tempo.

    Quanto ao que virá depois da votação de hoje, difícil de saber. Os juristas entendem que vão surgir entraves de todo tipo, como embargos de declaração, embargos extraordinário, entre outros, que nem mesmo até dezembro essa história será reslvida. Vamos ter que suportar o Brasil mergulhado em escândalos, com o aumento de desempregados, de inflação, e mita violência nas cidades, como consequência desse rabujento, que tinha mais era que já ter renunciado.

    Renuncando, ou saindo com um pé na bunda, virá, por vias indireta, quem? Com quase certeza, um qualquer que dará prosseguimento à ponte sme futuro, ferrando o povo trabalhador.

    Se duvidar, teremos um quadro mais nefasto do que aquele em que só existia Sarney pra foder mais a nossa Pátria, antes varonil.

  4. Jose mestre Carpina

    6 de junho de 2017 4:21 pm

    Sugestão severina….

  5. Jose mestre Carpina

    6 de junho de 2017 4:21 pm

    Sugestão severina….

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