O futuro da operação da Kia no Brasil está condicionado ao desfecho de uma negociação que remonta aos anos 1990, segundo José Luiz Gandini, à frente da marca no país há mais de três décadas.
Dependendo do resultado, a matriz sul-coreana pode assumir diretamente a operação brasileira, deixando o atual importador de fora do negócio.
Em entrevista à CNN Brasil, Gandini revelou que a Kia mantém conversas ligadas a um passivo fiscal antigo, herdado da Asia Motors, empresa incorporada pela marca e que depois passou ao controle da Hyundai.
Projeto
Na época, a Asia Motors chegou a anunciar planos para erguer uma fábrica na Bahia, com produção prevista de modelos como a Topic e a Towner. O projeto, no entanto, nunca foi adiante, e essa pendência é hoje um dos principais obstáculos para que a Kia finalmente instale uma fábrica própria no Brasil.
A Asia Motors integrava o grupo Kia desde os anos 1970. Em 1998, em meio à crise financeira asiática, a Hyundai assumiu o controle da Kia e de seus ativos, incluindo empresas vinculadas ao grupo. Segundo Gandini, o impasse gira em torno de quem deve arcar com a dívida: “a discussão sempre foi sobre quem deveria responder por essa dívida. Na visão do governo, a responsabilidade recai sobre a Asia Corporation”.
Negociação
Representantes da Kia Corporation já estiveram no Brasil para tratar do assunto, e a expectativa é que um eventual acordo abra caminho para um projeto de industrialização da marca no país, um objetivo antigo da fabricante. Gandini afirma que essa pendência levou a Kia a priorizar investimentos no México em detrimento do mercado brasileiro.
O executivo ressalta, porém, que as tratativas ainda não chegaram a uma conclusão e que não há qualquer definição oficial sobre a construção de uma fábrica. Também segue em aberto se a matriz assumirá a operação brasileira, o que poria fim à atual parceria de importação. Por ora, Gandini afirma que sua posição não mudou: “hoje eu continuo sendo o distribuidor da Kia no Brasil”.
Caso a fabricação local se concretize, o impacto deve se refletir tanto nos preços quanto na variedade de produtos oferecidos, já que a produção no país reduziria a dependência de impostos de importação e permitiria ampliar o portfólio disponível nas concessionárias.
A reportagem procurou a Hyundai Brasil para comentar as declarações de Gandini sobre as negociações e os planos de produção da Kia no país, mas não houve retorno até a publicação desta matéria.
*Com informações da CNN.
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