5 de junho de 2026

Adeus, governo Bolsonaro, por Luiz Carlos Bresser-Pereira

Mas não haverá impeachment agora porque ele ainda conta com apoio popular e porque uma parte das elites econômicas ainda acredita que ele realizará as reformas que elas desejam.

Adeus, governo Bolsonaro

por Luiz Carlos Bresser-Pereira

Governar é mais do que nomear e demitir; requer ter poder para reformar as instituições e realizar políticas que levem o país na direção desejada. Para ter poder não basta ser eleito; é preciso ter “legitimidade política“ – ou seja, ter apoio nas elites e no povo. Quando um presidente da República deixa de ter legitimidade, podemos dizer que seu governo acabou. Ele não tem mais condições de cumprir seu programa de governo, tem apenas que “segurar as pontas” para não sofrer processo de impeachment.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Por exemplo, o governo Sarney terminou em 1987 quando o Plano Cruzado fracassou e ele decidiu ficar mais um ano no governo. Mais recentemente, teve o mesmo destino o governo Dilma: terminou em 2013 quando aconteceram as grandes manifestações de junho e sua popularidade foi para o abismo. Dada a grave crise em que está agora mergulhado o governo Bolsonaro, minha impressão é que também ess governo está terminado. Ele deverá ir até o fim do mandato, mas as elites econômicas e políticas e, ao mesmo tempo, uma boa parte de seus atuais apoiadores tirarão seu apoio a ele, e não haverá realmente governo.

A convocação que fez a seus eleitores para que compareçam a uma manifestação contra o Congresso no próximo dia 15 de março é um ato inaceitável. É incompatível com a condição de presidente da República e é razão mais do que suficiente para um impeachment. Mas não haverá impeachment agora porque ele ainda conta com apoio popular e porque uma parte das elites econômicas ainda acredita que ele realizará as reformas que elas desejam. Não creio, porém, que essas venham a ocorrer; não haverá clima para elas enquanto Bolsonaro comanda uma guerra contra o Poder Legislativo, contra o Poder Judiciário, contra os governadores dos estados, e contra a própria ordem pública – isto ao apoiar as greves das polícias militares e as milícias no Rio de Janeiro .

A sua aposta é que ele poderá provocar e desrespeitar os poderes instituídos da República porque tem apoio popular. Essa é a forma que ele pensa ter descoberto para manter o apoio popular. Mas esse é um engano. O respeito à lei e à ordem pública não é apenas uma demanda dos ricos, mas é uma demanda dos cidadãos – e ainda existem cidadão no Brasil.
Dei a esta nota o título “Adeus, governo Bolsonaro”, não porque a pessoa Bolsonaro está em vias de perder seu cargo, mas porque nós próximos três anos não haverá realmente governo no Brasil. Haverá Estado e haverá mercado, e a sociedade brasileira continuará coordenada por estas duas instituições, mas não haverá ninguém para governá-la e fazê-la progredir.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

3 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Bruno Cabral

    27 de fevereiro de 2020 1:34 pm

    Não é esse o motivo dele não cair agora. O motivo é não ter atingido a metade do mandato. Bolsonaro só cai quando não houver possibilidade de nova eleição.

  2. Rui Ribeiro

    27 de fevereiro de 2020 1:58 pm

    Traduzindo: Bolsonaro se tornou, desde o início do seu mandato, um pato manco.

    Não gaste sua pólvora com um pato pateta morto.

    O Pato Pateta
    (Vinicius de Moraes)

    Lá vem o pato
    Pata aqui, pata acolá
    Lá vem o pato
    Para ver o que é que há.

    O pato pateta
    Pintou o caneco
    Surrou a galinha
    Bateu no marreco
    Pulou do poleiro
    No pé do cavalo
    Levou um coice
    Criou um galo

    Comeu um pedaço
    De jenipapo
    Ficou engasgado
    Com dor no papo
    Caiu no poço
    Quebrou a tigela
    Tantas fez o moço
    Que foi pra panela.

  3. Carlos Elisio

    27 de fevereiro de 2020 6:42 pm

    A continuar com este jabuti na árvore,
    Penso diferente; NÃO Haverá Estado e NÃO haverá mercado, 

Recomendados para você

Recomendados