5 de junho de 2026

Jair Bolsonaro precisa sair de sua caverna virtual e assumir suas atribuições como presidente, por Jean Paul Prates

É hora de apontar os erros que exigem correção para que possamos enfrentar a tempestade. É em horas como esta que comprovamos o equívoco da tese do Estado mínimo.

Jair Bolsonaro precisa sair de sua caverna virtual e assumir suas atribuições como presidente

por Jean Paul Prates

Desde a última semana o Brasil sente os primeiros impactos dessa emergência sanitária desencadeada pelo coronavírus.
O boletim da Organização Mundial de Saúde do último domingo registrava mais de 153 mil casos no mundo. Somente no Brasil, já temos mais de 200 ocorrências confirmadas.

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Infelizmente, essa crise chegou em momento crítico. Nossa economia vai muito mal, estagnada e estamos entrando na UTI.

O Estado brasileiro nunca esteve tão desidratado na história recente e para piorar ainda mais a situação, temos um governo que não está à altura da tarefa de conduzir o país. Temos um presidente que não tem estatura, nem repertório e sequer parece ter maturidade para enfrentar a situação.

Diante desse cenário, cabe a nós, parlamentares, a tarefa crucial de ajudar o país, os Estados e municípios. Tenho certeza que compareceremos a essa batalha com a responsabilidade que se exige de um Poder eleito.

Também acredito sinceramente na grandeza da sociedade brasileira. Nosso povo saberá agir com a entrega que tempos como este exigem. Os brasileiros e brasileiras saberão exercitar a solidariedade — a afetividade, mesmo — que está impressa no DNA de nossa Nação. E todos nós temos que agir para retardar o alastramento do vírus.

É hora de apontar os erros que exigem correção para que possamos enfrentar a tempestade. É em horas como esta que comprovamos o equívoco da tese do Estado mínimo.

Medidas Urgentes
O que eu espero — espero só, não. Eu cobro deste governo.
Em primeiro lugar, defendo a suspensão das regras do teto de gastos para devolver ao SUS os 20 bilhões de reais que lhe foram amputados com congelamento dos valores mínimos obrigatórios para a saúde no Orçamento. É hora de gastar com saúde. De tentar rapidamente chegar perto do número ideal de leitos de UTI para atender a população.

É preciso ainda retomar imediatamente investimentos públicos para fazer frente à emergência social que vai seguir a emergência sanitária.

Uma condição para enfrentar a epidemia é contar com um sistema de saúde robusto. O nosso SUS, gratuito e acessível a todos, pode não estar nas condições ideais, mas é um alívio poder contar com ele.

Também é preciso garantir o trabalho e a renda das pessoas. Não é hora de sonegar Bolsa Família a quem precisa porque o Nordeste votou em Fernando Haddad. Temos que atender a todos os 3,5 milhões de pessoas que estão na fila de espera do Bolsa Família.

Não é hora de correr à Justiça e ao TCU para impedir a ampliação da renda familiar mínima para concessão do BPC.

Não é hora de decepar 7,5% do seguro desemprego com uma tributação inexplicável, inaceitável e cruel.

O país precisa criar e garantir condições para que as empresas continuem funcionando, mantendo empregos e pagando salários. Isso pode ser feito por meio de linhas de crédito com taxas de juros especiais.

O Brasil também precisa definir bem as medidas preventivas eficazes, muitas vezes duras, impopulares e que deixarão sequelas econômicas.

A última medida a ser criada é o fator confiança: quanto mais a população confiar em seus governantes, mais estará disposta a colaborar e a cumprir quarentenas e outras restrições.

Então, eu pergunto: que confiança pode inspirar o atual governo? Que confiança inspira um presidente que debocha de uma pandemia na véspera de descobrir que seu núcleo mais central está contaminado pelo coronavírus?

Sou um otimista e não canso de desejar que o senhor Jair Bolsonaro finalmente saia de sua caverna de whatsap e assuma, de fato, suas atribuições como presidente eleito e empossado. Que ele passe a tratar com seriedade o momento que atravessamos.

Chegou a hora de unir toda classe política – independentes das visões partidárias, empresários e toda sociedade contra essa epidemia mundial.

Jean Paul Prates – Senador da República pelo PT-RN

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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