
Michel Temer, meu malvado favorito
por Fábio de Oliveira Ribeiro
Apesar de ter sido dinamitado pelas redes de TV, de ter perdido apoiadores de peso no Senado (Aécio Neves foi afastado do cargo), da rebelião de sua base na Câmara dos Deputados (que paralisou a tramitação das reformas escravocratas), dos pedidos de demissão de alguns de seus Ministros e da evidente destruição da imagem dele e do Brasil no exterior, o usurpador disse que não pretende renunciar. Aferrado ao cargo como uma Tênia Solium ao intestino de um sem-terra esfomeado, Michel Temer é um parasita que pretende agora destruir o hospedeiro.
Sem querer ele se tornou o “meu malvado favorito”. De fato, tudo seria mais fácil se ele renunciasse agora sendo recolhido à prisão rapidamente para, sem muito alarde ser solto pela Justiça depois de algum tempo.
Incapaz de governar e impedido de renunciar em razão do medo da prisão, o usurpador proporciona ao Brasil apenas uma saída traumática. Nosso país tem sido pródigo em adiar o grande trauma nacional. Os escravos foram livres, mas não se libertaram da pobreza. A república se libertou da monarquia, mas não dos aristocratas que comandavam o império.
A permanência de Michel Temer no poder abre caminho para uma explosão descontrolada de violência civil que destruirá não só pobres e ricos, mas como a estrutura estatal cujo controle eles disputam. Do caos criado pelo usurpador aferrado ao poder brotará apenas mais caos. Todavia, o que nós acostumamos a chamar de ordem sempre foi um caos de violência, exclusão, fome e pobreza imposto á força às classes subalternas pelos policiais e seus amigos de todos os partidos políticos.
O caos se espalhando pelo primeiro andar (onde estão os descentes dos aristocratas que criaram uma república governada como se fosse uma empresa familiar) talvez provoque um pouco mais de ordem no subsolo e no res-do-chão quando a guerra civil, agravada por uma ou duas guerras de secessão, terminar. Sem querer, “meu malvado favorito” aprofundará a crise política, econômica, social e militar permitindo a reconstrução violenta de uma nova ordem. Uma com a qual ele nunca sonhou.
A história ás vezes coloca o homem certo no lugar certo no momento errado. Digo isto pensando em Lula, cujo programa de “paz e amor” apenas adiou o que Michel Temer irá precipitar. Outras vezes ela coloca o homem errado no lugar errado no momento certo. E então a política não encontra uma saída pacífica para a crise que ele criou enquanto sonhava restabelecer a ordem caótica que existia. A conferir.
Anna_
19 de maio de 2017 6:33 pmGru…
Ah, eu que amo o Gru fico triste com a comparação, mas concordo em gênero, número e grau.
A tentativa de solução de nossos seculares problemas pela acomodação e postergação nos levou à mórbida espera por salvadores – que não existem – e heróis libertadores – que mostram-se quase sempre armadilhas e bombas de efeito retardado.
Quem sabe chegou a hora… Para ser franca, não acredito nisso. O Poder fará que as massas acomodem-se mais uma vez, permitirá que resmunguemos um pouco com o beneplácito da “elite” – tudo em nome da Democracia – e tudo será como há 100 anos atrás (estamos próximos de 1920, acho…).
Esse caos tem me levado a uma insistente fuga do cotidiano e assisto, recorrentemente, aos filmes do doce Malvado! Ele é tão melhor que todos esses que estão aí…
A Ver. Ou melhor, a Conferir.
naldo
20 de maio de 2017 1:23 pmÉ o “consenso”,
na verdade
É o “consenso”,
na verdade sempre que a situação se agrava apelam para o tal consenso, na verdade um acordo “caracu”, os ricos entram com a cara já os pobres……..
Juliano Santos
20 de maio de 2017 2:27 pmO MT é o cara errado, no
O MT é o cara errado, no lugar errado no momento errado, caro Fábio. Até como vice, o que dirá de presidente.
Ivanise
20 de maio de 2017 2:39 pmQuem dera…
Quem dera o capetão fosse o Gru. Nós, órfãos de projeto de país, poderíamos enfim ter um final feliz. Se a crise é realmente a parteira da história, então ela ainda não nos atingiu de fato. Não sabemos quanto tempo ainda vai levar, mas tenho esperança que mais cedo ou mais tarde será inevitável. Que venha o caos e depois a verdadeira ordem.
WG
20 de maio de 2017 2:58 pmO melhor é que Fábio
O melhor é que Fábio estivesse certo, mas o mais provável é o consenso “caracu” apontado pelo naldo. Triste e trágico país dos trópicos.