5 de junho de 2026

Um pouquinho sobre ser mãe dela, a bela da flor amarela, por Matê da Luz

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Um pouquinho sobre ser mãe dela, a bela da flor amarela

por Matê da Luz

Chamo de casa o apartamento que fez meu (im)pulso pulsar e , finalmente, mergulhar na vivencia daquilo que nem sei.

Conto um tanto sobre mim pra que entendam os movimentos e o compartilhar tenha contexto: engravidei aos 18, fui mãe aos 19 e, desde então, enorme parte daquilo que tenho como decidir circulou em torno daquela que se fez e construiu companheira, a linda. A linda é uma agora moça de quase 18 anos que acaba de entrar em exatas, na USP, e que, desde a anunciação à respeito da chegada, apresenta alegria e assertividade na vida – na minha, especialmente.

Minha personalidade desde que me lembro por gente beirou a liberdade/libertinagem, fazendo com que a experiência da vida tenha sido dolorida em alguns não poucos momentos. A maternidade, entretanto, apesar da obviedade do compromisso e comprometimento, jamais teve peso de obrigatoriedade por aqui: sempre foi (e ainda é) um exercício delicioso ser mãe dessa pessoa.

As outras vivências, como a solitude, por exemplo, acabaram em segundo, terceiro plano – atuar como mãe da forma como escolhi não presumia me priorizar como mulher, como profissional, como viajante.  Namorei, trabalhei, viajei sim, e encontrei prazer nisso, mantendo um cordão forte e intenso com a “atividade principal”. Tropeços profundos, como uma depressão no meio do caminho e toda a confusão prática que estar à mercê da vida acarreta, ufa!, me afastaram um tanto mais de mim e, avaliando agora com a paz da retomada, ainda foi possível maternar: levar à escola, estar presente da melhor forma possível, educar uma mulher com princípios bons e prósperos (sim, me derreto nela e quem a conhece só pode atestar que, de fato, não é exagero meu).

Daí ela entrou na USP, depois de prestar vestibular em inúmeras cidades fora de São Paulo, nossa cidade de origem. Da época das provas nasceu a semente da despedida física, estudando as possibilidades do afastamento e da emancipação de ambas – a síndrome do ninho vazio é tão mais forte quando a gente tem menos de 40, acredite.  Na mesma época, a paixão por uma cidade com cenários paradisíacos, Ubatuba, e um custo de vida consideravelmente menor fez brilhar em mim o sonho de encontrar coerência entre o que pede minha alma – agora mais relacionada com a liberdade do que com a libertinagem – e meu afazer e, em apenas seis meses, concretizou o aluguel desse apartamento que insisto em chamar de casa.

Conversas, olhares, abraços e algum silêncio, porque a linda fala muito e ao mesmo tempo tem a sensibilidade de aquietar quando percebe o invisível falar, e aqui estou eu. Sozinha com a chuva e duas taças de vinho, escrevendo pra celebrar o que o compromisso em criar para o mundo me ensinou enquanto eu, tolinha, achava que estava a ensinar: liberdade é a coisa mais bonita que há, e o custo de algumas lágrimas e saudade é pequeno quando a gente escolhe com o coração tranquilo. 

Mariana A. Nassif

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