…sobre a fala de Moro aos apoiadores da lava jato…
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Começo minha reflexão falando de algo que há muito me angustia, e que tem a ver com a inacreditável gravação do juiz Sérgio Moro dirigida aos brasileiros que apoiam a operação lava jato.
Trata-se da parcela da sociedade que abraçou com um ardor selvagem o discurso do ódio contra Lula e o PT, o conjunto de paroxismos, medos, catarses, histerias, preconceitos perversos, fanatismo, levando-os ao mesmo estado psíquico que observamos ao longo da História nos movimentos religiosos radicais, como a inquisição católica, as fogueiras onde eram queimados os “amigos de Satã”, os “hereges”, e outros com o mesmo grau de obscuridade.
O que me chama a atenção nesse nosso momento, é a constatação de que a apreensão honesta da realidade, o amor à verdade, o interesse pelo que é justo, digno, nada tem a ver com o grau de conhecimento acadêmico ou não adquirido pela pessoa, o fato de ter doutorado, ser um gênio em sua área de trabalho, ter acumulado viagens, bens, reconhecimento social.
Conheço pessoalmente e aqui nas redes sociais, centenas de pessoas que se encaixam nesse perfil, muitas, que atingiram o sucesso profissional com galhardia, luta, sacrifícios, são respeitadas em seus meios sociais, são civilizadas e educadas em suas relações, demonstram inteligência nas coisas que assumem como sua responsabilidade, e nessa área específica, tornam-se esponjas vivas, pobres, reduzidas de si, aceitando como verdade as farsas mais medíocres, apenas porque “batem com seus preconceitos arraigados”, e porque fazem parte de um “aprendizado coletivo” massacrado pela mídia e repercutido em seus meios familiares e sociais, dando-lhes a confortável sensação de “estarem ao lado que todo mundo que eu respeito está….” – e tirando-lhes qualquer possibilidade da apreensão da realidade, vivendo esses brasileiros num “MUNDO-MATRIX”, onde por suas veias, é inoculado o alimento diário, o veneno diário, das “convicções”, do ódio, do “Satanás a ser destruído”, o que merece nosso nojo, desprezo, Luís Inácio Lula da Silva, o molusco, o chefe da quadrilha, o pobre que virou rico, o farsante, o ladrão!
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Mas o que essa trágica realidade tem a ver afinal com a fala do inacreditável Sérgio Moro? Tudo, por conta de um detalhe sórdido contido no discurso de Moro: A essência de sua fala é a FRATURA SOCIAL, o bem contra o mal, os brasileiros que apoiam a lava jato contra os petralhas, os que apoiam a justiça contra os que apoiam a corrupção, os que querem a impunidade do PT contra os que querem esses bandidos na cadeia, os brasileiros dignos, contra os baderneiros petistas, os democratas contra os comunistas bolivarianos, os puros contra os impuros, e tantas outras denominações que aqui caberiam, no que está implícito no discurso do juiz da República de Curitiba….
Quando um juiz de primeira instância assume esse PODER, essa empáfia, de dirigir-se a uma nação, como um homem iluminado, “o justo”, agradecendo o apoio dos brasileiros de bem, dirigindo-se APENAS a essa parcela da sociedade, ele exclui da cidadania, do respeito humano e social, todo e qualquer um que não “esteja do lado do bem” – é uma DECLARAÇÃO DE SUA INFALIBILIDADE, é a SEPARAÇÃO DO PAÍS E DO POVO EM DOIS LADOS, os que apoiam a lava jato, e os que não a apoiam, em outras palavras, “os brasileiros de bem, os que amam a justiça” e…… o resto, os petralhas, os que apoiam o “Lula-satanás-chefe-de-quadrilha”.
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Uma sociedade que chega a esse ponto patético, mórbido, dividida assim pela conclusão e a fala de um juiz, o que é essa nação, o que se tornou, o que pode ambicionar para seu futuro, sua civilidade e cidadania?
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A mansidão de Moro é portanto, tão farsesca e medíocre, perversa mesmo, quanto seu discurso. Ora, não fosse ele um dos que radicalizaram essa fratura social, essa aberração que nos tornamos, ao perseguir Lula e o PT da forma abjeta que fez ao longo da lava jato.
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E assistiremos mais uma vez aos paroxismos, o ódio, outdoors nas ruas de Curitiba com Lula em trajes de presidiário atrás das grades, e o apoio dos “brasileiros de bem” a São Moro, restando aos petralhas, a “baderna”, nosso “apoio sujo e equivocado ao chefe da quadrilha”……
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São os brasileiros mais bem posicionados em nossa sociedade, em questões como conhecimento acadêmico e cultural em geral, sucesso profissional e renda, os mais envenenados por esse processo histérico, fomentado a paroxismos perversos, a obscurantismos já vistos na idade Média. E até por seu NARCISISMO ATÁVICO, essa certeza que guardam em si de serem superiores ao resto da nação, seguirão assim, cegos e impávidos, banhados em ódio e preconceitos malignos, o bem contra o mal, os “a favor de Moro e os contra Moro….”
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Pobre país, miserável nação….. que tem um Sérgio Moro
como o pastor do seu rebanho.
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(eduardo ramos)
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