15 de junho de 2026

Brasil: último lugar na América Latina nos testes para Covid-19, por Alexandre Filordi

Os dados representam a falta de reação contundente do governo brasileiro na pandemia. Sem testagem, claro está, os números são frouxos demais, dando margem à má-fé e à manipulação fantasiosa
Agência Brasil

Brasil: último lugar na América Latina nos testes para Covid-19

por Alexandre Filordi

(Dados globais do coronavirus: https://www.worldometers.info/coronavirus/)

O Brasil está em último lugar, na América Latina, na relação de indivíduos testados para o Covid-19 por milhão de habitante. O dado é mais do que preocupante, anuncia uma catástrofe galopante e inevitável.

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Em 11 de abril, publicamos aqui no GGN texto abordando a manipulação estatística e a ocultação de dados na pandemia no Brasil (https://jornalggn.com.br/a-grande-crise/manipulacao-estatistica-e-ocultacao-de-dados-na-pandemia-o-caso-brasil-por-alexandre-filordi/). Quase dez dias depois, o Brasil mantém a relação de apenas 296 indivíduos testados por milhão de habitantes. Na ocasião, o Brasil ficava à frente apenas da Bolívia e Guiana, respectivamente testando 51 e 222 indivíduos por milhão.

Eis o assustador, agora. Entre os dias 11 até o dia 20 de abril, Bolívia passou de 51 para 306 e Guiana 222 para 409 testes por milhão de habitantes. São países muito mais frágeis economicamente que o Brasil e bem menos populosos. Se pensássemos em porcentagem, Bolívia aumentou cerca de 600% e Guiana quase 100% o número de indivíduos testados por milhão. O Brasil segue estagnado, porém. O quadro abaixo comprova:

No mesmo período, por exemplo, os EUA subiram a proporção de 7.729 para 11.818; Turquia de 3.643 para 7.521 e Itália de 14.999 para 22.436 testes por milhão de habitantes. O que está em jogo?

Os dados representam a falta de reação contundente do governo brasileiro na pandemia. Sem testagem, claro está, os números são frouxos demais, dando margem à má-fé e à manipulação fantasiosa de que não é tão grave a nossa situação. Pior: indivíduos não testados são possíveis veículos de transmissão da doença. Está montada uma bomba relógio.

Mas isso é se encaixa perfeitamente nas ações delirantes do governo. Enquanto outros países assumem a devida cautela e postergam a aproximação social, aqui se forja a conveniente estratégia de seguir ignorando a assombrosa fatalidade em curso. Não apenas rompantes ditatórios, assim, são justificados, mas também a falta de presteza da função pública do “direito à saúde”. Neste caso, o recente ministro da saúde chegou a afirmar sua indisposição com novos investimentos para a aquisição de materiais hospitalares destinados à contenção da epidemia. O argumento foi uma indagação assombrosa: após a crise, o que se fará com tantos equipamentos? É descarada a falta de conhecimento acerca da realidade continental do Brasil, efeito dos interesses privados sobrepostos às necessidade do povo – a coisa pública – a  res publica.

Pela mesma lógica, para que testar a população? Se morrer morreu; se não morrer, vida que segue. Seja como for, duas constatações são irrevogáveis: as mortes estão subindo vertiginosamente, e hão de piorar; os testes para a pandemia, no Brasil, são muito tímidos e assim continuam.

Onde estão os testes para a população? Será que estão com o Queiroz?

Alexandre Filordi (EFLCH/UNIFESP)

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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10 Comentários
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  1. Rui Ribeiro

    20 de abril de 2020 6:00 pm

    Segundo Sade, a morte dos humildes não era problema na França:

    “Que importa? A França tem mais súbditos do que precisa; o governo, que vê tudo em grande, pouco se preocupa com os indivíduos, contanto que a máquina (!) funcione bem.”

    A elite brasileira é $ádica. Por isso ela é contra quarentena e também por isso somos um dos países que menos faz exames para descobrir se se está, ou não, infectado.

    1. Astolfo Rubens

      20 de abril de 2020 9:54 pm

      Se vc considerar: 1) Bolsonaro é fantoche, 2) Bolsonaro quer acabar com a quarentena (já com dados completamente desfigurados) na oitava economia do mundo que, se voltar a queimar petróleo, pode provocar alguma reação no preço daquela commoditie, que 3) alcançou a menor cotação de sua história (e agora sabemos que os que puxam os cordões do fantoche sabiam que isso iria acontecer, 4) qualquer aumentozinho no preço do BOE rebate em bilhões de dólares; e tem ainda minérios e, claro, a soja do gado, está pra discurso interno.
      Agora, ligue os pontos e veja.

  2. Marcelo Nascimento

    20 de abril de 2020 6:22 pm

    O interessante eh se vc dividir a quantidade total de casos pela quantidade total de testes. O Brasil basicamente de cada 2 testes feitos, 1 eh de caso de covid-19.
    A ordem de grandeza nos outros paises eh da ordem de 10 … A Russia por exemplo tem 47,121 casos pra 2,053,319 testes. Ou seja 43 testes negativos pra 1 positivo.
    A conclusao que chegamos, portanto, eh que se vc fizer o teste de covid-19 no Brasil, existe uma chance de 50% de vc estar doente.

  3. Bo Sahl

    20 de abril de 2020 6:39 pm

    Além do Brasil ter uma proporção de estacionados ~63 mil testes contra (por ex.) ~4 milhões nos EUA, este desgoverno é tão incompetente que até agora não resolveu a falta de respiradores (que até o Maranhão conseguiu). E ainda atrapalha, confiscando-os de prefeituras e estados que os providenciaram.
    Prefere ficar apoiando manifestações ridículas (mas perigosas) de pedidos de golpe.
    Ou fazendo lives, mini-comícios de dúzia-e-meia ou “bostejos” em cadeia nacional, clamando por bate-panelas.
    Qualquer um que olhar estatísticas de casos e mortes pelos diversos países, descobrirá que, muito além de promessas cloroquínicas, os que fazem mais testes e êm mais leitos/hab e respiradores têm as menores taxas de mortalidade.
    Exceto os surpreendentes EUA.
    Mas aí a culpa é deles, que elegeram Trump. Sabe cumé, né:
    America Fisrt!

    PS: e aqui no país do mitosco “idem”: braZil Last!

    1. Rui Ribeiro

      20 de abril de 2020 7:34 pm

      Respiradores mecânicos, que até o Maranhão conseguiu?

      Se até o Maranhão conseguiu, porque o Bolsoburro não consegue?

      Até tu, Brutus?

      1. Machado

        20 de abril de 2020 9:52 pm

        Dez dias depois do seu último artigo, ou o primeiro dessa série, o número total de testes registrados realmente não se alterou, ou, o Brasil documenta mal a situação, ou, realmente se confirma a suspeita de limpeza étnico-social levantada nos artigos anteriores. Desde algumas semanas o Instituto Adolfo Lutz anunciava que tinha 15.000 testes sendo processados, por que não foram finalizados? Do dia 11 prá cá 1409 pessoas morreram, um crescimento de mais de 100%. Não era teoria da conspiração. Em SP o maior número de morte está na periferias, provavelmente essa tendência se confirmará em outras cidades. Parece mesmo se tratar de um plano deliberado de extermínio da população. Embora o MS tenha anunciado que irá massificar os testes. Em Brasília o governador anunciou que chegariam 300 mil testes. Aguardando…

  4. Bo Sahl

    21 de abril de 2020 12:38 am

    Não entendi, Rui.
    É o que está no comentário: ele não consegue por que é incompetente, como todo o seu desgoverno.
    Não?

    1. Rui Ribeiro

      21 de abril de 2020 11:06 am

      Paulo Zottolo, Presidente da Philips no Brasil, disse:

      ”Não se pode achar que o país é um Piauí, no sentido de tanto faz quanto tanto fez. Se o Piauí deixar de existir ninguém vai ficar chateado”.

      O seu comentário, destacando que ATÉ o Maranhão conseguiu o Bolsonaro não consegue, me fez lembrar da discriminação do Zottolo contra o Piauí.

  5. Rui Ribeiro

    21 de abril de 2020 11:49 am

    Paulo Zottolo, Presidente da Philips no Brasil, disse:

    ”Não se pode achar que o país é um Piauí, no sentido de tanto faz quanto tanto fez. Se o Piauí deixar de existir ninguém vai ficar chateado”.

    O seu comentário, destacando que ATÉ o Maranhão conseguiu o Bolsonaro não consegue, me fez lembrar da discriminação do Zottolo contra o Piauí.

  6. Rui Ribeiro

    21 de abril de 2020 12:36 pm

    Bom Sahl eu dei uma olhada no significado da palavra até. Tal palavra pode desempenhar o papel de preposição e de advérbio. Enquanto preposição, a referida palavra indica limite ou termo espacial, temporal ou quantitativo.

    Ex.: só podemos ir até ali; o prazo é até amanhã; o recinto pode receber até 1000 pessoas.

    Tal palavra, enquanto preposição, indica ainda lugar de destino.

    Ex.: Iremos até o Nepal.

    Enquanto advérbio – e é essa a função que a palavra ATÉ desempenha no seu comentário – a mencionada palavra indica inclusão; sem exceção. Resumindo: o Bolsoburro consegue ser mais incompetente do que o governo do Maranhão, o qual deveria ser exceção na aquisição de respiradores mecânicos.

    Relaxa, sou deu fã, Cara. E esqueçamos ATÉ O MARANHÃO.

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