Brasil: último lugar na América Latina nos testes para Covid-19, por Alexandre Filordi

Os dados representam a falta de reação contundente do governo brasileiro na pandemia. Sem testagem, claro está, os números são frouxos demais, dando margem à má-fé e à manipulação fantasiosa

Agência Brasil

Brasil: último lugar na América Latina nos testes para Covid-19

por Alexandre Filordi

(Dados globais do coronavirus: https://www.worldometers.info/coronavirus/)

O Brasil está em último lugar, na América Latina, na relação de indivíduos testados para o Covid-19 por milhão de habitante. O dado é mais do que preocupante, anuncia uma catástrofe galopante e inevitável.

Em 11 de abril, publicamos aqui no GGN texto abordando a manipulação estatística e a ocultação de dados na pandemia no Brasil (https://jornalggn.com.br/a-grande-crise/manipulacao-estatistica-e-ocultacao-de-dados-na-pandemia-o-caso-brasil-por-alexandre-filordi/). Quase dez dias depois, o Brasil mantém a relação de apenas 296 indivíduos testados por milhão de habitantes. Na ocasião, o Brasil ficava à frente apenas da Bolívia e Guiana, respectivamente testando 51 e 222 indivíduos por milhão.

Eis o assustador, agora. Entre os dias 11 até o dia 20 de abril, Bolívia passou de 51 para 306 e Guiana 222 para 409 testes por milhão de habitantes. São países muito mais frágeis economicamente que o Brasil e bem menos populosos. Se pensássemos em porcentagem, Bolívia aumentou cerca de 600% e Guiana quase 100% o número de indivíduos testados por milhão. O Brasil segue estagnado, porém. O quadro abaixo comprova:

No mesmo período, por exemplo, os EUA subiram a proporção de 7.729 para 11.818; Turquia de 3.643 para 7.521 e Itália de 14.999 para 22.436 testes por milhão de habitantes. O que está em jogo?

Os dados representam a falta de reação contundente do governo brasileiro na pandemia. Sem testagem, claro está, os números são frouxos demais, dando margem à má-fé e à manipulação fantasiosa de que não é tão grave a nossa situação. Pior: indivíduos não testados são possíveis veículos de transmissão da doença. Está montada uma bomba relógio.

Mas isso é se encaixa perfeitamente nas ações delirantes do governo. Enquanto outros países assumem a devida cautela e postergam a aproximação social, aqui se forja a conveniente estratégia de seguir ignorando a assombrosa fatalidade em curso. Não apenas rompantes ditatórios, assim, são justificados, mas também a falta de presteza da função pública do “direito à saúde”. Neste caso, o recente ministro da saúde chegou a afirmar sua indisposição com novos investimentos para a aquisição de materiais hospitalares destinados à contenção da epidemia. O argumento foi uma indagação assombrosa: após a crise, o que se fará com tantos equipamentos? É descarada a falta de conhecimento acerca da realidade continental do Brasil, efeito dos interesses privados sobrepostos às necessidade do povo – a coisa pública – a  res publica.

Pela mesma lógica, para que testar a população? Se morrer morreu; se não morrer, vida que segue. Seja como for, duas constatações são irrevogáveis: as mortes estão subindo vertiginosamente, e hão de piorar; os testes para a pandemia, no Brasil, são muito tímidos e assim continuam.

Onde estão os testes para a população? Será que estão com o Queiroz?

Alexandre Filordi (EFLCH/UNIFESP)

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