10 de junho de 2026

Nova Economia analisa a crise do agronegócio, que soma perdas de até R$ 80 bilhões

Apesar de um boom agrícola nos últimos cinco anos, a última safra brasileira teve redução de produtividade 90 para 35 sacas por hectare
Crédito: Reprodução/ YouTube TVGGN

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De acordo com um levantamento da Serasa Experian, 28% dos produtores rurais estavam inadimplentes em 2023. Para discutir o panorama do agronegócio no país, o programa Nova Economia da última quinta-feira (2) contou com a participação do economista agrícola e ex-presidente da UNE, Jean Marc, e o economista Luís Alberto de Paiva, diretor da Corporate Consulting.

Apesar de um boom agrícola nos últimos cinco anos, a última safra brasileira teve redução. Luís Paiva comenta que a perda de produtividade foi tão expressiva que, em vez de 90 sacas por hectare, o resultado foi de 35. 

“Há um alarde, principalmente no setor de soja, de que o Brasil pode estar perdendo algo em torno de R$ 80 bilhões este ano em verbas”, comenta o economista. 

Sem a produtividade esperada, os produtores rurais não conseguem honrar o volume de empréstimos realizados para financiar a plantação. 

“Se essas dívidas não forem pagas imediatamente, não teremos empréstimos para garantir novas colheitas e isso pode significar um abalo dentro da atividade agrícola no próximo ano”, continua Paiva. 

Crise permanente

O alto nível de endividamento dos produtores reais, no entanto, não é um fenômeno recente. De acordo com o também economista Jean Marc, o sucesso do agronegócio se mede pelos resultados, pelo valor da especulação. Porém, os custos não são considerados nesta métrica. 

“Ao longo dos últimos 30 anos, vem o boom do agronegócio, mas que tem um sistemático endividamento desse setor, que passou por dezenas de processos de renegociação de dívidas, de anistia de dívidas, tanto nos grandes, médios quanto nos pequenos produtores”, adianta Marc. 

Em relação ao crédito, o aumento da concessão aos produtores, especialmente o “agronegocinho”, como é chamado o setor de agricultura familiar, teve início ainda no primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Desde aquela época, uma das principais reivindicações é a renegociação de dívidas. “Quando você tem permanentemente uma situação de endividamento e insolvência no caso da agricultura familiar, muita quebra, gente que perdeu produção a ponto de perder propriedade, apesar da enorme quantidade de subsídios e isenções de impostos que são entregues para facilitar a produção rural e a agricultura em geral”, continua Jean Marc.

O agronegócio é um setor que tem, segundo o economista, uma sustentabilidade financeira precária, que precisa de uma muleta estatal pesada para se manter, não só no Brasil, mas também nos Estados Unidos e Europa. 

“Para cada dólar produzido pela agricultura americana tinha um dólar de subsídio. Na Europa era mais ou menos a mesma coisa”, continua Marc.

Confira o debate completo na TVGGN: 

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

5 Comentários
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  1. Fábio de Oliveira Ribeiro

    3 de maio de 2024 11:00 am

    Os lucros fabulosos dos produtores rurais não acrescentou nada à minha vida econômica pessoal. Portanto, sou totalmente indiferente aos prejuízos que eles estão sofrendo. Todavia, não sou tolo o bastante para acreditar que eles serão tratados pelo governo da mesma maneira que eu. O Estado brasileiro é uma mãe generosa para os fazendeiros desde o tempo que os escravos eram moídos na lida. Para os demais (brancos e pardos empobrecidos, pretos livres ou quase livres) o Estado sempre mostrou a carranca do capitão-do-mato, do policial ladrão e assassino e do soldado racista, brutal e azedo. Na fase atual, os juízes são capitães-do-mato togados que protegem os capitalistas da cidade e do campo, legitimam a destituição de direitos dos escravos dos algorítimos e garantem a impunidade dos policiais ladrões e assassinos.

  2. marcio

    3 de maio de 2024 11:04 am

    E os fabricantes de Fumaça, continuam a todo vapor….

  3. +almeida

    3 de maio de 2024 12:31 pm

    Eu posso ter entendido errado na avaliação que fiz. Contudo, eu arrisco dizer que o Agro além de Pop, também é pobre na competência administrativa, financeira e política.

    Quando digo pobre é no sentido da falta de vontade e de determinação para sair de vez, do viciado e acomodado círculo de dependência governamental.

    Não consigo imaginar como não conseguem tomar tenência e criar uma estrutura de proteção econômica/financeira, que os livre definitivamente das tetas do governo federal.

    Em contradição exorbitante, parece que não vida pessoal e familiar conseguem manter todo controle financeiro e econômico com zelo, competência e segurança.

    Em outro triste exemplo de contradição, as notícias sobre as investigações da PF informaram que algumas supostas celebridades do Agro estavam envolvidas com o apoio, patrocinio e/ou colaboração, com a frustrada tentativa criminosa do golpe de 08 de janeiro.

    Será que o setor nadava em mar de anistiados contentamentos, patrocinado pelo governo anterior? É verdade que existe uma tendência mundial que presta ajuda e facilitação de algumas responsabilidades, para o agronegócio. Mas a impressão é de que contando com a reeleição de Bolsonaro, chutaram o balde, o cofre e as responsabilidades. Talvez já contando com mais benesses e outras coisitas mais, da antiga e preciosa parceria.

    Porém, o que transparece para o público é que essa ciranda de dependência e vício está se tornando uma perigosa tática apelativa, que cada vez mais leva o país salvador da lavoura a se tornar prisioneiro, eterno avalista e eterno dependente da boa vontade do Agro e do seu choro constante.

    Reconheço a importância estratégica da agropecuária na balança comercial e na política alimentar do governo, mas também considero importante exigir maior empenho do setor para e tornar menos dependente do governo e mais independente na eficiência econômica e financeira.

  4. Paulo Fontanezi

    4 de maio de 2024 3:24 pm

    Por isto o agro negócio é contra a reforma agrária, nosso pequenos produtores são muito mais eficiente que estes grandes produtores..nosso agro não vive sem a teta do governo..

  5. Bernardo

    4 de maio de 2024 4:02 pm

    Vários setores do agro precisam chegar no século 21 e ajustar suas gestões; os governos fazem sua parte aqui e no resto do mundo mas não podem tudo; é necessário que agro faça além do que tem feito com todo o apoio que recebe dos governos. Aliás o governo federal deveria reduzir o foco no agro exportador e concentrar mais seu apoio no agro familiar que põe comida na nossa mesa diariamente. Os exportadores já têm experiência e lastro para se manterem no mercado, ou o que temos de informação é tudo mentira, o agro não é tão POP assim?

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