Após privatização, tarifas de água aumentaram mais de 100% em comparação à Sabesp

Patricia Faermann
Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile, repórter de Política, Justiça e América Latina do GGN há 10 anos.
[email protected]

Confira o levantamento comparativo com as tarifas do Rio de Janeiro, após privatização

Foto: AJATO Caça Vazamentos

Após serem privatizadas, outras companhias de água e saneamento tiveram um aumento de mais de 100% em relação às tarifas da Sabesp, segundo levantamento realizado pelo Sindicato dos trabalhadores em água, esgoto e meio ambiente do estado de São Paulo (Sintaema).

Por decisão da Câmara Municipal de São Paulo e do prefeito Ricardo Nunes (MDB), nesta quinta-feira (02), a Sabesp será, definitivamente, privatizada.

A privatização das empresas responsáveis pelo abastecimento de água aumentou a conta da população fluminense. E os que mais sofreram após a privatização foram os mais vulneráveis. Isso porque o aumento mais drástico ocorreu nas tarifas sociais.

O levantamento do sindicato mostra que a tarifa social no Rio de Janeiro passou a custar R$ 45,32 após a a Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos) ser privatizada em 2021. Em comparação à tarifa social da Sabesp, que no final de 2023 chegava a R$ 22,38, é 102,4% mais cara.

Campo Grande teve um salto ainda maior nas contas da população vulnerável, com uma tarifa atingindo R$ 60,95 em 2023, ou seja, mais do 170% dos preços de São Paulo. Confira os números:

Fonte: Sintaema

“O Sindicato dos trabalhadores em água, esgoto e meio ambiente do estado de São Paulo (Sintaema), tem denunciado que o aumento da tarifa é uma das consequências imediatas da privatização do saneamento”, disse a entidade, à época.

Os números levantados pelo sindicato foram trazidos ao Tribunal de Contas do Município de São Paulo para avaliação. Na ocasião, o próprio conselheiro João Antonio revelou a diferença das tarifas das companhias privatizadas para a de São Paulo, então controlada pelo governo do Estado de São Paulo.

“É a mesma coisa que vender a casa para pagar o aluguel”, comparou o conselheiro do TC de São Paulo.

Leia mais:

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile, repórter de Política, Justiça e América Latina do GGN há 10 anos.

3 Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. A água é a nova fronteira da ganância e exploração. No DF, depois da última crise hídrica, há 5 anos, as tarifas explodiram e nunca mais retornaram, apesar da empresa respectiva continuar estatal. Alega-se que é para cobrir os investimentos que precisaram ser feitos para superar a escassez, que foram negligenciados por mais de uma década pelo governo distrital; logo, a expansão do sistema deveria ter sido custeada pelo GDF, não pela majoração das tarifas. Uma conta d’água de uma família de classe média em Brasília custa mais que o dobro daquela de cidades do interior do RJ, onde a água ainda é fornecida por estatais municipais – apesar destas precisarem captar e tratar a água “podre” do rio Paraíba do Sul, bem como distribuí-la em relevo muito mais irregular que o do planalto central…

    1. O que importa para a maioria dos paulistas conservadores bolsonaristas é passar fome,viver mal e se alienar pensando como pobres de direita miseráveis. Vão se ferrar e não vão aprender a lição.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Seja um apoiador