Abaixo o bolsonarismo
por Francisco Celso Calmon
Na luta contra a ditadura existiram algumas palavras de ordem. Vou relembrar as três principais: o povo organizado derruba a ditadura, o povo armado derruba a ditadura, o povo no poder.
O povo organizado significava uma condição, o povo armado indicava um caminho, o povo no poder o objetivo posterior, antes era necessário apear os militares do poder, por isso mesmo a palavra de ordem geral e unificadora era ABAIXO A DITADURA.
Nunca colocamos o ditador de plantão como o alvo central, o alvo era o sistema ilegítimo, arbitrário, tirânico, antipovo, isto é: a ditadura militar vigente.
As palavras de ordens podem significar condição, caminho, objetivo e até posterior desígnio. Cada uma precisa ser colocada no tempo certo para ser viável ou no tempo todo para ser vetor.
Bolsonaro, é como o seu apelido de infância, palmito, que mal conservado ocasiona o botulismo. O botulismo, que é uma doença que gera a paralisia da musculatura, é o alvo a ser atingido, antes que a paralisia das instituições propicie a consolidação do Estado policial de natureza nazifascista.
O presidente sociopata, o tempo todo provoca e testa as instituições, dependendo da reação, recua e volta a testar. Nessa tática comum de guerra psicológica e de movimento, usa de blefe, meias verdade e mentiras, ele vai paralisando, sitiando as instituições e avaliando o poder de reação das forças contrárias e de seu próprio handicap.
Desrespeita a Carta Magna, desafia os demais poderes republicanos, incita seus áulicos, confunde e divide a população, e contribui para o caos. Já ultrapassou todos os limites da civilidade e da legalidade. De forma que se não for apeado do governo, as instituições democráticas ficarão desmoralizadas e ele hipertrofiado.
O bolsonarismo é maior que o seu palmito e vai ter vida política mesmo depois que o sociopata miliciano for derrubado. Mas enquanto não ocorrer, vai se consolidando como movimento antidemocrático e belicoso.
Em tempos de pandemia da Covid-19 e dos pandemônios produzidos pelo bolsonarismo (governo e seguidores), o povo sofrerá mortes, desempregos, fome, miséria, em proporções nunca vistas.
O povo responsabilizará a quem, ao inimigo invisível ou ao inimigo visível?
Nesta altura a situação é de um dilema: ou Bolsonaro cai ou o bolsonarismo se fortalece com o seu modus operandi e sem freios.
A condição para tirar o Bolsonaro do poder é o fortalecimento da bandeira Fora Bolsonaro, porém, não é o suficiente, pois o povo e a esquerda sem as ruas ficam quase invisíveis, vez que no campo institucional está enfraquecida e Lula também fica com pouca visibilidade, por boicote da mídia golpista e também porque o seu forte é o contato com as massas.
A esquerda, mesmo que desejasse, não conseguirá, nessas condições, o protagonismo do movimento para tirar o sociopata do poder.
E o caminho qual será? Impeachment, interdição, renúncia, licença? Qualquer que seja dependerá das mesmas forças golpistas de sempre, das que deram o golpe de 64 e de 2016.
Deriva daí ficarmos olhando a banda passar? Não, “never”, jamais!
A associação do bolsonarismo com a lavajatismo tem que ser fomentado na consciência da sociedade. Mostrar que o bolsonarismo é filhote do lavajatismo.
Como levar Bolsonaro e Moro a responderem pelos mesmos crimes?
O lavajatismo é a versão moderna do modelo golpista de sempre, que usa da bandeira da luta contra a corrupção para derrubar governos progressistas e continuar praticando a corrupção, que é da essência do sistema. Por isso, os mantenedores do sistema utilizam dessa bandeira, a qual o povo é suscetível de apoio, no limite de seus interesses políticos e sistematicamente delinquentes.
Se a sociedade se conscientizar que a associação Moro&Bolsonaro é uma coisa só, será desafiador para estabelecer a prioridade na palavra de ordem alvo: Abaixo o bolsonarismo ou lavajatismo. Explorar as contradições que estarão existindo durante essa refrega entre eles, será de muita importância para a conscientização do povo. Devemos estar atentos que ambos são mentirosos, mas dizem verdades quanto se trata de falar um do outro.
Nesta especial situação de tripla crise que o Brasil vive, o “Abaixo o bolsonarismo” é imediata, mas não dever ficar sem conexão com a crítica ao lavajatismo.
Fora Bolsonaro cresce na vontade do povo e a esquerda não deveria ficar orientado por análises lógicas, tecnicamente brilhantes, mas não dialéticas, não sob o eixo histórico da luta de classes.
Quando uma vontade social, mesmo que virtual, ganha força, os partidos de esquerda, principalmente o PT, devem estar junto na condução. Se não exercem esse papel, a direita encampa e dá o sentido e o destino que lhe interessa.
O cristianismo foi encampado pelo poder romano e deu no que deu, as manifestações de 2013 foram encampadas pela Globo e deu no impeachment da Dilma.
Sem as ruas, sem o parlamento e o STF presenciais, e sem paridade de armas na luta jurídica e política, o desafio da esquerda é muito grande e complexo.
Contudo, quando a situação for mais complexa do que a nossa capacidade analítica, nos guiemos por um princípio leninista: “Não nos isolemos do povo, submetamo-nos ao seu veredito cada um de nossos passos, cada uma das nossas decisões, apoiemo-nos por inteiro, e exclusivamente, na livre iniciativa que emana das próprias massas trabalhadoras.”
Francisco Celso Calmon é administrador, advogado, coordenador do Fórum Memória, Verdade e Justiça do ES; autor do livro Combates pela Democracia (2012) e autor de artigos nos livros A Resistência ao Golpe de 2016 (2016) e Comentários a uma Sentença Anunciada: O Processo Lula (2017).
Tiago
10 de maio de 2020 4:11 pmSou de esquerda.
Defendo o titoísmo e alguns pontos do Forierismo.
Não concordo com o texto.
A lava jato revelou um grande esquema de corrupção na de corrupção na PETROBRAS e vários políticos de diversas matizes.
Ser de esquerda não é defender Lula e o PT.
Temos que considerar a possibilidade de Moro e o TRF da IV região ter analizado os fatos de forma imparcial e ter concluído que Lula é culpado mesmo.
Moro era juíz, possui fé pública, não foi comprovada imparcialidade, as mensagens do the intersept da “vaza jato” são apenas mensagens de trabalho, a esquerda lulopetista precisa de parar de se enganar.
Votaria em Moro caso este não associasse corrupção aos regimes comunistas e não fosse ante comunista.
Nunca fui representado por este governo, que é liberal na economia e conservador nos costumes.
Gostaria de um governo que fosse mais socialista na economia e conservador nos costumes, que fosse contra o aborto, contra a ideologia de gênero (mas que de forma alguma discrimine os grupos LGBTQ+)
Quanto a corrupção ser justificada para derrubar líderes progressistas, bem, no caso brasileiro, isto não é verdade.
Todos os presidentes exceto Goulart, que sofreram algum tipo de golpe nem eram progressistas.
Washington Luís. era representante da república velha, Vargas foi um ditador, que criou sim a CLT, que foi sim importante, mas a legislação trabalhista não era democrática, era proibido o direito a greve, ele defendia o corporativismo, a constituição de 1937 é a menos democrática do Brasil.
Ele defendia o facismo, a moda da Itálha, Portugal e Espanha.
Jango era progressista, mas foi derrubado devido a embriões do atual governo que o chamavam de comunista, não foi levantada a acuzação de corrupto contra ele.
Collor não entra na conta por não ser progressista.
Dilma, bem, o PT eraprogressista nos costumes, defendendo a legalização do aborto (alguns grupos, próximos ao psol), a ideologia de gênero, além de sobrepor religiões minoritárias como o cadomblé.
Com todo respeito a estas religiões, defendo a liberdade religiosa e o direito de cada pessoa ter suas crenças e as praticar e não sofrer nenhuma perseguição ou violência porisso, o que não pode é transmitir a mensagem de que estes credos são superiores a religão majoritária, o cristianismo.
Todas são religiões e devem ser respeitadas da mesma forma.
Nenhuma é superior a outra.
O governo petista fazia de forma a sobrepor as religiões afrobrasileiras como se elas fossem mais importantes que a religião cristã, isto fez com que o partido perdesse voto e alimentasse o Bolsonarismo.
A esquerda deve tentar lançar uma candidatura titoísta, ou pelo menos social democrata.