5 de junho de 2026

Bancos, vocês foram avisados, por Rui Daher

No Brasil, pedidos de recuperação judicial e falência cresceram em maio e, com a demora na ajuda, tenderão a crescer mais, segundo empresas de informações de crédito.

Bancos, vocês foram avisados

por Rui Daher

E ainda se cogita que depois da pandemia do novo coronavírus não seremos mais os mesmos. Capitalismo menos selvagem e mais igualitário, amenização do consumo conspícuo, maior solidariedade e boa-educação entre as pessoas, regras mais rígidas de proteção ambiental com redução no uso de combustíveis fósseis, diminuição dos campos de refugiados, as fronteiras se abrirão a todos os povos, o comércio exterior seguirá regras mais justas, e poucos serão os que rejeitam e perseguem diversidades de raça, gênero, religião. Usaria todo meu limite de caracteres até não os enfadar, fosse eu relacionar todas as mazelas que hoje afetam quem humanista.

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Se vocês são dos que acreditam muita coisa disso acontecer, deveriam ter-me alertado que, para felicidade do planeta, toda provável pandemia não passará de simples “gripezinha”. Afinal, aqui “mando eu”!

Mas esses são sonhos, infelizmente, para depois. Quem puder esperar, que o faça e não se decepcione.

Vamos verificar o agora do Brasil e como anda nosso índice de solidariedade (IS). Covid-19 comendo solta: número de casos confirmados e óbitos 630 mil e 35 mil, respectivamente.

Economia em frangalhos há cinco anos. Taxas recorde de desemprego, relativização das leis que protegem o trabalho formal, aumento no número de pessoas abaixo da linha de extrema pobreza.

– Já deu?

– Já, mas ia melhorar, não fosse o vírus. Agora, vamos dar um tempo.

– Vamos não, cara-pálida. Essa merda já vinha de bem antes do vírus, e quem bem pode medir nosso índice de solidariedade são as instituições financeiras. Se você acompanha o desempenho da economia, digamos, nas últimas três décadas, panelaços ferirão seus ouvidos sobre juros estratosféricos e lucros exorbitantes, balanços após balanços, não?

– Sim, verdade

– Então quem deveria estar na liderança de nosso índice de solidariedade. Não precisa responder. Quer ver?

Como vem sendo noticiado nas folhas e telas cotidianas há, pelo menos, três meses:

Há riscos de quebradeira geral de empresas, no Brasil, se a ajuda àquelas prejudicadas pela Covid-19 chegar tarde demais, segundo economistas (FGV e IBRE). Sugerem que “flexibilizar exigências melhora programas (…) e a experiência internacional mostra maior eficiência de adesão quando o Tesouro assume 100% do risco de crédito”.

Nos EUA, o programa para micro e pequenas empresas não tem exigência de garantias e 100% do risco de crédito é do Tesouro.

No Brasil, pedidos de recuperação judicial e falência cresceram em maio e, com a demora na ajuda, tenderão a crescer mais, segundo empresas de informações de crédito.

Até o governo está sensível a isso, tanto que aprovou programa emergencial, ainda em meados do mês passado. Travou. Nesta semana, procurou-se um entendimento, com ajustes no PRONAMPE (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte), com alterações no estatuto do Fundo Garantidor de Operações (FGO), do Banco do Brasil, que irá operar a linha.

Beneficiaria empresas com faturamento anual (2019) de até R$ 4,8 milhões, respeitado o limite de 30% da receita bruta, tanto para investimento como capital de giro, prazo de pagamento em até 36 meses, carência de 8 meses, e juros capitalizados de 1,25% ao ano mais taxa Selic, hoje, 3% a.a.

Na quarta-feira, 03/06, em assembleia, o FGO aprovou o programa, praticamente na forma como solicitada pelas instituições bancárias.

Garantia de 100% nas primeiras perdas da linha, e limitadas a 85% da carteira total. Para o governo, isso faz com que “a possibilidade de perda de recurso pelas instituições financeiras seja praticamente zero (…) o regulamento está dando toda a segurança jurídica que os bancos precisam para operar essa linha”.

Agora o índice de solidariedade (IS), de zero a dez, na percepção dos leitores e leitoras: “Não há previsão para disponibilização na ponta, pois agora depende apenas dos bancos”.

Pois é!

Notona: Para George Floyd (1973-2020), e quem tenta, em nome dele, melhorar o mundo. Há 35 anos, 45 artistas norte-americanos, se reuniram para gravarem em evento, “USA for Africa”, a música “We Are The World”. Alguns que lá estão, brancos e negros, já morreram, mas não assassinados como você, pedindo apenas para respirar. Perdão, George.

Rui Daher

Rui Daher – administrador, consultor em desenvolvimento agrícola e escritor

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2 Comentários
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  1. '

    6 de junho de 2020 10:42 am

    Esta Música foi gravada para miseráveis da Somália ou da Etiópia? Conseguem lembrar? Ou ainda creem que Países Africanos é tudo África? Bilionários, agora até Nave Espacial Particular tem. Carreiras Bilionárias alavancadas com miséria dos outros. As pessoas conseguem se lembrar de todos Artistas. Somália ou Etiópia? O que importa, não é mesmo? Continua lá com sua absurda degradação. Mas se fosse para lutar por Elefantes e Girafas?!! Africanos (são todos iguais, não é mesmo?), Estes, deixamos morrer afogados a 200 m da praia, enquanto assistimos. Depois é só fazer alguma contribuição para WWF ou GreenPeace e fazer passeatas com a ‘Piralha Loira de Olhos Azuis’. Precisamos preservar Nossa África, para o Bem de Nosso Mundo e de Nossa Humanidade !! A Hipocrisia maior é comparar o Brasil de Presidente Negro, de todo tipo de Elite e Povo da 1.a República, República Paulista (1830/1930), de Machado de Assis, Castro Alves, Lima Barreto, Nilo Peçanha,… com este Brasil pós 1930, segregacionista e xenófobo, que se atrelou ao racismo norteamericano, que não livrou da escravidão seu Povo Negro, nem mesmo em pleno 2020. É muita hipocrisia !! ‘Musiquinha’ para salvar os Negros da África, enquanto fazem isto com seus Cidadãos?!! 90 anos que vamos inflando e aceitando esta farsa. “Vão ter que engolir !!” Sabemos, Zagallo. Afinal, quanta consideração com Negros, com África, com Amazônia, com Brasileiros, com a Verdade? Quem for contra, fascistóide deve ser?!! Pobre Mundo rico….. LEÔNIDAS DA SILVA

    1. '

      6 de junho de 2020 5:07 pm

      Sempre

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