Bancos, vocês foram avisados, por Rui Daher

No Brasil, pedidos de recuperação judicial e falência cresceram em maio e, com a demora na ajuda, tenderão a crescer mais, segundo empresas de informações de crédito.

Bancos, vocês foram avisados

por Rui Daher

E ainda se cogita que depois da pandemia do novo coronavírus não seremos mais os mesmos. Capitalismo menos selvagem e mais igualitário, amenização do consumo conspícuo, maior solidariedade e boa-educação entre as pessoas, regras mais rígidas de proteção ambiental com redução no uso de combustíveis fósseis, diminuição dos campos de refugiados, as fronteiras se abrirão a todos os povos, o comércio exterior seguirá regras mais justas, e poucos serão os que rejeitam e perseguem diversidades de raça, gênero, religião. Usaria todo meu limite de caracteres até não os enfadar, fosse eu relacionar todas as mazelas que hoje afetam quem humanista.

Se vocês são dos que acreditam muita coisa disso acontecer, deveriam ter-me alertado que, para felicidade do planeta, toda provável pandemia não passará de simples “gripezinha”. Afinal, aqui “mando eu”!

Mas esses são sonhos, infelizmente, para depois. Quem puder esperar, que o faça e não se decepcione.

Vamos verificar o agora do Brasil e como anda nosso índice de solidariedade (IS). Covid-19 comendo solta: número de casos confirmados e óbitos 630 mil e 35 mil, respectivamente.

Economia em frangalhos há cinco anos. Taxas recorde de desemprego, relativização das leis que protegem o trabalho formal, aumento no número de pessoas abaixo da linha de extrema pobreza.

– Já deu?

– Já, mas ia melhorar, não fosse o vírus. Agora, vamos dar um tempo.

– Vamos não, cara-pálida. Essa merda já vinha de bem antes do vírus, e quem bem pode medir nosso índice de solidariedade são as instituições financeiras. Se você acompanha o desempenho da economia, digamos, nas últimas três décadas, panelaços ferirão seus ouvidos sobre juros estratosféricos e lucros exorbitantes, balanços após balanços, não?

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– Sim, verdade

– Então quem deveria estar na liderança de nosso índice de solidariedade. Não precisa responder. Quer ver?

Como vem sendo noticiado nas folhas e telas cotidianas há, pelo menos, três meses:

Há riscos de quebradeira geral de empresas, no Brasil, se a ajuda àquelas prejudicadas pela Covid-19 chegar tarde demais, segundo economistas (FGV e IBRE). Sugerem que “flexibilizar exigências melhora programas (…) e a experiência internacional mostra maior eficiência de adesão quando o Tesouro assume 100% do risco de crédito”.

Nos EUA, o programa para micro e pequenas empresas não tem exigência de garantias e 100% do risco de crédito é do Tesouro.

No Brasil, pedidos de recuperação judicial e falência cresceram em maio e, com a demora na ajuda, tenderão a crescer mais, segundo empresas de informações de crédito.

Até o governo está sensível a isso, tanto que aprovou programa emergencial, ainda em meados do mês passado. Travou. Nesta semana, procurou-se um entendimento, com ajustes no PRONAMPE (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte), com alterações no estatuto do Fundo Garantidor de Operações (FGO), do Banco do Brasil, que irá operar a linha.

Beneficiaria empresas com faturamento anual (2019) de até R$ 4,8 milhões, respeitado o limite de 30% da receita bruta, tanto para investimento como capital de giro, prazo de pagamento em até 36 meses, carência de 8 meses, e juros capitalizados de 1,25% ao ano mais taxa Selic, hoje, 3% a.a.

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Na quarta-feira, 03/06, em assembleia, o FGO aprovou o programa, praticamente na forma como solicitada pelas instituições bancárias.

Garantia de 100% nas primeiras perdas da linha, e limitadas a 85% da carteira total. Para o governo, isso faz com que “a possibilidade de perda de recurso pelas instituições financeiras seja praticamente zero (…) o regulamento está dando toda a segurança jurídica que os bancos precisam para operar essa linha”.

Agora o índice de solidariedade (IS), de zero a dez, na percepção dos leitores e leitoras: “Não há previsão para disponibilização na ponta, pois agora depende apenas dos bancos”.

Pois é!

Notona: Para George Floyd (1973-2020), e quem tenta, em nome dele, melhorar o mundo. Há 35 anos, 45 artistas norte-americanos, se reuniram para gravarem em evento, “USA for Africa”, a música “We Are The World”. Alguns que lá estão, brancos e negros, já morreram, mas não assassinados como você, pedindo apenas para respirar. Perdão, George.

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2 comentários

  1. Esta Música foi gravada para miseráveis da Somália ou da Etiópia? Conseguem lembrar? Ou ainda creem que Países Africanos é tudo África? Bilionários, agora até Nave Espacial Particular tem. Carreiras Bilionárias alavancadas com miséria dos outros. As pessoas conseguem se lembrar de todos Artistas. Somália ou Etiópia? O que importa, não é mesmo? Continua lá com sua absurda degradação. Mas se fosse para lutar por Elefantes e Girafas?!! Africanos (são todos iguais, não é mesmo?), Estes, deixamos morrer afogados a 200 m da praia, enquanto assistimos. Depois é só fazer alguma contribuição para WWF ou GreenPeace e fazer passeatas com a ‘Piralha Loira de Olhos Azuis’. Precisamos preservar Nossa África, para o Bem de Nosso Mundo e de Nossa Humanidade !! A Hipocrisia maior é comparar o Brasil de Presidente Negro, de todo tipo de Elite e Povo da 1.a República, República Paulista (1830/1930), de Machado de Assis, Castro Alves, Lima Barreto, Nilo Peçanha,… com este Brasil pós 1930, segregacionista e xenófobo, que se atrelou ao racismo norteamericano, que não livrou da escravidão seu Povo Negro, nem mesmo em pleno 2020. É muita hipocrisia !! ‘Musiquinha’ para salvar os Negros da África, enquanto fazem isto com seus Cidadãos?!! 90 anos que vamos inflando e aceitando esta farsa. “Vão ter que engolir !!” Sabemos, Zagallo. Afinal, quanta consideração com Negros, com África, com Amazônia, com Brasileiros, com a Verdade? Quem for contra, fascistóide deve ser?!! Pobre Mundo rico….. LEÔNIDAS DA SILVA

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