25 de junho de 2026

A moeda digital chinesa contra o dólar, por Luis Nassif

Há apenas sinalizações de abrir a conta de capital e reduzir as intervenções no câmbio. Mas, na prática, não é isso o que ocorre. Além disso, a capacidade de intervenção do governo chinês não anima os investidores a entesourarem a moeda digital.

Desde o advento da era dólar, pela primeira vez surge um contendor à altura: o renminbi, a moeda chinesa. O esforço da China é transformá-la em moeda de pagamento internacional. É ajudado pelo robusto comércio internacional da China, que se transformou em motor do comércio mundial na última década.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Em 2016, o Fundo Monetário Internacional incluiu o renminbi na cesta de moeda que determina o valor dos Direitos de Saque Especiais, a moeda do FMI. Mais de 70 bancos centrais em todo mundo adquiriram renminbi para suas reservas.

NO ano passado, acordos internacionais com o renminbi atingiram recorde de US$ 2,83 trilhões, 24,1% de crescimento no ano. Hoje em dia responde por 2% dos pagamentos internacionais e se estabilizou em 2% na participação das reservas internacionais dos Bancos Centrais.

Agora, a China aposta na moeda digital, chamada de Moeda Digital / Pagamento Eletrônico (DCEP). O país começou os testes em quatro cidades e em breve estenderá para Pequim, Tiajin, Hong Kong e Macau.

Segundo Eswar Prasad, membro sênior da Brookings Institution, Think tank do Partido Democrata, o fato de China ter ultrapassado os Estados Unidos nos sistemas de pagamento de varejo, pode ser uma vantagem.

Além disso, a nova fase da moeda digital, o Sistema de Pagamentos Interbancários Transfronteiriços, lançado em 2015, facilita o uso da moeda em transações internacionais.

Importante: esse sistema permite contornar o sistema SWIFT, por onde passam todos os pagamentos internacionais, e que sofre grande influência política dos Estados Unidos. Por isso,Rússia, Irã e Venezuela tendem a adotar o renminbi, nas exportações de petróleo para a China. E a China está estimulando traders estrangeiros de minério de ferro e outras commodities.

A vinculação do DCEP com o Sistema Transfronteiriço é um trunfo a mais, facilitando a digitalização dos pagamentos internacionais.

Se poderá crescer como instrumento de trocas, há dúvida do seu uso como moeda de reserva. Isso porque a China controla entradas e saídas de capital e a taxa de câmbio é administrada pelo Banco Popular da China.

Há apenas sinalizações de abrir a conta de capital e reduzir as intervenções no câmbio. Mas, na prática, não é isso o que ocorre. Além disso, a capacidade de intervenção do governo chinês não anima os investidores a entesourarem a moeda digital.

Em evento recente, Jin Zhongxia, diretor executivo do FMI para a China sugeriu ao país desenvolver produtos de câmbio futuro e controle maior sobre a oferta de moeda e a dívida externa.

Por tudo isso, é duvidoso que, no médio prazo, o dólar venha a perder sua condição de principal moeda de reserva do mundo.

De qualquer modo, as facilidades da digitalização permitem descobrir novas funções para a moeda digital. Recentemente, o Escritório Geral do Comitê Central do Partido Comunista da China publicou um documento político orientando os departamentos regionais sobre a reforma do sistema de assistência social na China e o uso das moedas digitais., entro do espírito da ‘abordagem centrada nas pessoas’, do 19o Congresso Nacional do Partido.

Há um esforço de universalização da conectividade e digitalização dos sistemas de seguridade social. O projeto é usar a tecnologia digital do blockchain, inteligência artificial, bigdata e 5G na assistência social.

Papel central é a Huawei, desenvolvendo com o governo municipal de Pequim um diretório de blockchain para governança urbana, dentro do conceito de cidade inteligente.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

5 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Romanelli

    26 de agosto de 2020 8:15 am

    Só tô esperando pra ver “economistas dito progressistas” pedirem por uma MAXI DESVALORIZAÇÃO do REAL frente a essa nova moeda tb ..sacomé, PENSAM ELES, na falta de NÃO saber como fazer, como buscar da eficiência e produtividade, nada como turbinar as exportações de commodities e minérios pra, ao menos, tentar manter as aparências de que algo esta funcionando aqui dentro. (isso enquanto TODA população empobrece aos olhos do PLANETA)
    Professor BRESSER, cadê ocÊ pra fazer DUPLA com o Guedes ?! que tal o REAL a OITO mango, hein ?

  2. reinaldo bordon carletti

    26 de agosto de 2020 11:20 am

    o comercio do petroleo que só era liquidado com dolares, desde 2017, Cina,Russia,India,Venezuela e Irã, só fazem pagamentos com sua moedas ou com ouro………esse movimento deu um baque quase definitivo na hegemônia do dolar no mundo. Portanto é preciso ter cautela nas analises futuras sobre esse comercio principalmente.

  3. Andre élebê

    26 de agosto de 2020 12:11 pm

    Pois é, se ao menos houvesse uma moeda livre de influência política, não é mesmo?

    1. Nabantino Gonçalves

      26 de agosto de 2020 3:41 pm

      Essa é uma impossibilidade teórica e prática absoluta.

    2. Renato Lazzari

      26 de agosto de 2020 5:52 pm

      Bem, há moedas cujos emissores têm sabido respeitar as normas do comércio mundial, cujos emissores não têm dado mostras de que pretendem-se hegemônicos e, o mais importante, cujos emissores não ameaçam e menos ainda atacam com forças bélicas, morais ou jurídicas as democracias para que sejam adotadas. Não são “enfiadas” num pacote com embalagem de “esse é o modo padrão para se viver, trabalhar, se relacionar com outras pessoas”. Bem diferente dos emissores do dólar estadunidense, portanto. Já é alguma coisa, não?

Recomendados para você

Recomendados