17 de junho de 2026

PF investiga fraudes em certificados digitais do Ibama beneficiando proprietários rurais

Os beneficiários destas fraudes foram proprietários rurais e empresários do ramo de exploração florestal e agropecuária com áreas embargadas nos estados do Pará e Mato Grosso.
Propriedades beneficiadas por meio de fraude com uso de tokens falsificados – Foto: Arquivo PF

Jornal GGN – Foi deflagrada no início desta terça-feira, dia 15, pela Polícia Federal, a operação Tokens, que apura ações de estelionatários que, usando dados de servidores do Ibama, conseguiram realizar alterações nos sistemas do órgão ambiental, utilizando certificados digitais (tokens) fraudulentamente obtidos.

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Os beneficiários destas fraudes foram proprietários rurais e empresários do ramo de exploração florestal e agropecuária com áreas embargadas nos estados do Pará e Mato Grosso. A PF levantou 122 desembargos irregulares em nome de 54 pessoas físicas ou jurídicas, com prejuízo de R$ 150 milhões para a União em multas não recolhidas e descumprimento de embargos em áreas ambientais sensíveis da Amazônia legal.

A PF cumpriu 48 mandados de busca e apreensão em empresas e residências de beneficiados com as fraudes e também 5 prisões de falsificadores e estelionatários envolvidos. As ordens judiciais foram expedidas pela Justiça Federal do Distrito Federal e cumpridas em 29 cidades de 9 estados (Goiás, Tocantins, Minas Gerais, Mato Grosso, Pará, Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo e Distrito Federal).

A fraude foi identificada pelo Ibama, que teve Superintendentes, Agentes e fiscais com seus Tokens utilizados indevidamente por falsificadores. Ibama e PF trabalharam juntos para identificar fraudadores, beneficiários e suposto envolvimento de outros intermediários e servidores públicos.

De início, os policiais federais identificaram uma quadrilha já investigada pela PF no estado de Goiás, com conexão com diversas fraudes ocorridas em todo o Brasil. Os principais beneficiados são propriedades rurais localizadas nos estados do Pará e do Mato Grosso. Essas fazendas têm como sócios pessoas físicas e jurídicas de diversos estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

A PF pretende, com esta operação, coletar mais provas e dados sobre as fraudes, identificando ainda intermediários que atuem entre os falsários e beneficiários, inclusive com auxílio de servidores públicos.

Os fatos investigados podem configurar diversos crimes contra o meio ambiente (Arts. 38, 48, 60 e 68 da Lei 9605/98), bem como os crimes de estelionato e uso de documento falso (Art 171, §1º, 307, 399 e 330 do Código Penal), além da alteração de sistemas de dados (art. 313-A do Código Penal), descumprimento de ordens de embargos (330) e de possível prevaricação e corrupção (arts. 319 e 319 do CPB), que cominam aos infratores penas que variam de reclusão de dois a doze anos e multa.

Com informações da Polícia Federal.

Redação

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