Jornal GGN – O falecimento da juíza norte-americana Ruth Ginsburg pode ter comovido o mundo, mas não mereceu uma citação sequer da ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, a pastora Damares Alves.
Como mostra reportagem do UOL, a ministra tem mostrado sua força nas redes sociais ao aliar a pauta conservadora e o núcleo ideológico, e seu destaque cresceu por conta da saída de Abraham Weintraub e de Sérgio Moro do governo, além do silêncio do chamado “gabinete do ódio”.
Apesar da popularidade, Damares tem problemas com os números de sua pasta. Um exemplo são os recursos destinados à Casa da Mulher Brasileira, voltada ao atendimento de vítimas de violência doméstica, que ainda não foram desembolsados – em um total de R$ 19 milhões, referentes a 2019.
Além disso, Damares recebeu um acréscimo de R$ 211 milhões em seu orçamento por conta da pandemia do coronavírus, mas foram gastos apenas R$ 44 milhões (ou 21% do valor total), embora a ministra use as redes sociais para dizer que os valores estão sendo gastos.
O ministério deve receber R$ 43 milhões a menos no Orçamento de 2021 e, dos R$ 853 milhões atualmente disponíveis, apenas 37% começaram a ser efetivamente executados. E não houve verba destinada a comunidades remanescentes de quilombolas e indenização a parentes de mortos e desaparecidos políticos.
Em dois anos, o Ministério da Família recebeu R$ 204 milhões em emendas parlamentares de deputados e senadores, com pagamento obrigatório, mas só R$ 8,4 milhões (4% do total) foram desembolsados. Embora o PT tenha sido o partido que mais indicou emendas, os mais atendidos por Damares foram políticos do PSL (R$ 2 milhões), PL (R$ 1,26 milhão) e Republicanos (R$ 1,25 milhão).
Carlos Elisio
27 de setembro de 2020 8:13 pmDinheiro parado acaba na corrupção ou nas mãos das seitas neopentecostais.