Bolsonaro se sustenta com populismo barato, diz Estadão

Em editorial, jornal diz que melhora da aprovação de governo mostrada em pesquisa Ibope é um elogio à irresponsabilidade

Foto: José Cruz/Agência Brasil

Jornal GGN – O governo Jair Bolsonaro chegou ao seu maior patamar de aprovação desde a posse: pesquisa Ibope aponta que 40% dos entrevistados consideram o governo “ótimo” ou “bom”, enquanto a avaliação negativa caiu de 38% para 29%.

O editorial do jornal O Estado de São Paulo deste domingo (27/09) contesta esses números e especula que, para parte dos entrevistados, a covid-19 não passava de uma “gripezinha”, como o presidente definiu tantas vezes ao incentivar aglomerações e a “volta à normalidade” enquanto o país se aproxima da marca de 140 mil mortos.

“O mais provável é que, ao contrário, o presidente, ao isentar-se sistematicamente de qualquer responsabilidade no que diz respeito à doença e a seus efeitos sociais e econômicos, terceirizou a impopularidade, sentida muito mais pelo Congresso e, principalmente, por governadores e prefeitos – obrigados, estes sim, a enfrentar o desafio da pandemia, contando com escassa ajuda federal e em muitos momentos sendo hostilizados pelo próprio presidente”, pontua a publicação.

O jornal ressalta que a melhora da popularidade de Bolsonaro “é uma espécie de elogio à irresponsabilidade, traduzida não somente em sua infame campanha a favor do uso da cloroquina, espécie de elixir bolsonarista, mas principalmente na conclusão do presidente segundo a qual quem ficou em isolamento na pandemia é “fraco” e se “acovardou””.

“Por enquanto, Bolsonaro se sustenta graças a uma combinação de populismo barato com uma assombrosa capacidade de fingir que é presidente sem exercer o cargo. Mais cedo ou mais tarde, contudo, a ausência de um plano claro de governo, fruto da patente inaptidão de Bolsonaro para desempenhar a função para a qual foi eleito, será percebida pela população”.

 

 

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