4 de junho de 2026

São Paulo: venceu um lampião de gás com camisa polo, por Rui Daher

Como viajo hoje para um dos estados mais reacionários do Brasil, cujo nome não revelo, pois não preciso de mais inimigos políticos do que os já amealhados em 55 anos de militância a favor de distribuição de renda, cidadania a todos e soberania nacional, domingo madrugada adentro comento sobre a espúria cidade de São Paulo.

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Ela é paroquial, mas nem sempre vota como hoje. Já tivemos Marta, Luíza e Fernando. Abortos vencedores, embora proibidos por criacionistas católicos, evangélicos, rapazes, raparigas e senhores que chegam nos restaurantes de luxo da cidade com seus SUV e camisas polo com distintivos maiores que suas amplas e endinheiradas cloacas.

Hoje, exageraram. Não têm a menor ideia do que fizeram. A primeira entrevista “fricção” do BRD, Blog-Boteco Rui Daher, neste GGN, foi com João Dória. Pelo simples motivo de que não havia candidato mais caricato e inabilitado para o cargo do que ele para um texto de gozação.

Vale dizer, aquela “Entrevista Clube dos Garotos” não tinha qualquer intenção política ou partidária, tão palhaço o personagem. Servia apenas para ridicularizar o que temos de pior no País. Sim, pior até do que Eduardo Cunha. Este escondia seus malfeitos. João Dória, assim como seu par Chiquinho Scarpa, preferem mostrar.

Confesso que ao escrever aquele texto ficcional nem havia decidido em quem votaria. Estava mesmo a não votar. Apenas o fiz para cumprir recomendação médica de caminhar. A cada dois anos, ando um quilômetro, de minha casa até o local de votação, e deixo os médicos satisfeitos.

Sabia o PT destruído em São Paulo. Qualquer voto à esquerda seria apenas uma ordem da consciência. Poderia ser em Fernando, Luíza, Henrique, ou quem topasse “Walk on the Wild Side”, como queria Lou Reed.

Diante da imbecil escolha, no entanto, não culpemos a cidade, os eleitores, a história de um estado que, industrializado, formou mão de obra de reserva para ser manipulada pelo acordo secular de elites.

Entre 2003 e hoje tivemos oportunidade de virar a manada em outra direção. Falhamos. Também aí não há culpados exatos, mas sim uma mixórdia, atualmente, vívida em todo o planeta.

Na cidade de São Paulo, simplesmente juntamos a fragmentação da esquerda, o fascínio da população pobre com jovens empresários ricos, bem vestidos e falantes, e as cagadas feitas pelo Partido dos Trabalhadores, que em nenhum momento (viu Rui Falcão) apoiou Haddad.

Para não vermos espetáculos deprimentes como os do último domingo, qualquer transformação no sentido dos valores igualitários, antes de tudo, precisará de união, se descolar da tal governabilidade, e muito trabalho.

Precisará que interrompamos a ação entre amigos que fazemos nas redes sociais. Com muita galhofa e baderna contra o estabelecido. Eles são medíocres, leram porra nenhuma. Quem o fez defende interesses pessoais de poder e grana. Pergunte-lhes sobre o 18 Brumário ou Hannah Arendt. Introduzam teoria política entre os tantos programas de inclusão em favelas e assentamentos brasileiros. Questão de coragem gramsciana.

O que aconteceu deveu-se à nossa inação.

Fui. Vou medir com quantos centímetros estão soja e milho.

Rui Daher

Rui Daher – administrador, consultor em desenvolvimento agrícola e escritor

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

1 Comentário
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  1. Odonir Oliveira

    3 de outubro de 2016 3:03 pm

    Pessoas habitam em mim

    Também.

    Um post meu sobre os últimos dias limpando o ódio que escorria de bocas paulistanas, amigo.

    https://poesiasdemaosquesentem.wordpress.com/2016/10/03/pessoas-habitam-em-mim/

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