24 de junho de 2026

TV GGN 20h: A hora de discutir o fim da militarização da polícia

Confira o comentário diário de Luis Nassif sobre as últimas notícias na política e na economia do Brasil nesta segunda-feira, 07 de dezembro

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O programa começa analisando os dados da covid-19 no Brasil: apenas nesta segunda-feira (07/12), foram registrados 20.371 novos casos e 376 novos óbitos. Em termos de novos casos, a média diária semanal voltou a superar a marca de 40 mil casos, enquanto os óbitos estão na faixa de 600 registros.

Os registros por estado mostram crescimento generalizado: 15 estados apresentam alto crescimento, enquanto sete estados mostram crescimento moderado, quatro estados estão em patamar estável e apenas um estado mostra queda no número de casos.

Em sete dias, a média semanal aponta uma disparada de 277,6% no número de casos de covid-19 no Rio Grande do Norte, seguido pelos avanços em Rondônia, Acre, Mato Grosso do Sul, Paraná, Amapá e Tocantins.

Com relação ao número de óbitos por estado, 15 estados apresentam alto crescimento, três estados mostram crescimento moderado, quatro estados estão em patamar estável e cinco estados apresentam queda drástica.

“Essa guerra das vacinas, o que acontece: o (general Eduardo) Pazuello é um desastre absoluto. A desmoralização das Forças Armadas com o Pazuello, que era considerado craque na logística, mas é incapaz de planejar uma campanha de vacinação.

“(Pazuello) Abriu mão de todos os altos funcionários do Ministério da Saúde, levou militares sem nenhum conhecimento. Você tem a questão das seringas, das agulhas para a vacina que ele não planejou, ele não fez a negociação com as vacinas. É um desastre absoluto”.

Para completar, temos o Bolsonaro querendo colocar mais um militar na Anvisa para politizar a Anvisa. Gente, STF, fica uma discussão em cima das declarações do Bolsonaro como se fosse relevante. É um panaca. Ele (Bolsonaro) está promovendo uma destruição completa em silêncio.

O que o Pazuello está fazendo, é coisa que envolve mortes. Cada incompetência dele são 10 mil pessoas que morrem a mais, 20 mil, 30 mil pessoas. Como deixar solto isso aí?

“Essa questão da saúde mental, estão destruindo uma política que levou décadas para ser construída. E fica perdido isso. A imprensa conseguiu descobrir que a ciência é relevante no combate á pandemia, estão fazendo um ótimo trabalho de orientação de público”, diz Nassif. “Na hora que entra doença mental, em que você tem todo um trabalho científico mostrando qual que tem que ser o caminho – que não tem que ser comunidade terapêutica, não tem que ser esses hospitais/hospícios terríveis com histórico de humilhação e tortura em cima de doentes mentais, não falam nada…

Em entrevista à TV GGN, Raul Albino Pacheco Filho – professor titular da PUC-SP – abordou “o horror que está ocorrendo com a volta das comunidades terapêuticas, que é uma maneira de jogar dinheiro para as igrejas que são aliados políticos”. A íntegra da entrevista com Raul Albino Pacheco Filho pode ser vista clicando aqui .

Nassif lembra que, quando você impõe abstinência, “você afasta um conjunto de pessoas que poderiam ser recuperadas. Por isso, você tem a redução de danos, que você vai reduzindo a dosagem dos viciados até que o organismo se acomode em uma situação saudável”.

“Tudo isso o que está ocorrendo é uma destruição que envolve pessoas”, diz Nassif, citando artigo da Reuters afirmando que a entrada de militares na Anvisa visa tornar a Anvisa um instrumento de Bolsonaro e colocando em risco a saúde pública

“Tudo bem, ele não fala mais bobagens em público, mas continua o desmonte. Deixa ele falar as bobagens, a questão é o desmonte e as instituições não conseguem segurar a peteca”.

Sobre o STF garantir a reeleição de Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, Nassif diz que “a intenção era manter o Congresso segurando Bolsonaro”

“É evidente que o Gilmar (Mendes), quando dá o voto dele, ele conversa antes com os colegas e tem uma concordância, pois ele não vai dar a cara para bater se não tiver uma chance de ser aprovado o voto”

“Aí começa uma grita geral – e justa, pois o STF não pode mais desrespeitar a Constituição. E ministros que tinham concordado antecipadamente, na hora que veem a gritaria pública, voltam correndo”

“Não é por convicção, é por uma questão de pressão da opinião pública”, diz Nassif. “As instituições não estão sendo suficientes para impedir essa destruição que está ocorrendo no país”

“E essas destruições não são no nível ‘sai Bolsonaro e refaz tudo. Não é isso que acontece”, diz Nassif, pontuando a entrevista realizada com o jurista Gilberto Bercovici, da Faculdade de Direito da USP dentro da série Brasil Milênio.

A íntegra da entrevista com Gilberto Bercovici, que aborda o desenvolvimento regional do Brasil, pode ser vista clicando aqui .

“No Congresso, a discussão não é quem segura o Bolsonaro, é como o PMDB e o DEM se aliam… Se o Bolsonaro estiver impopular lá frente, pulam do barco. Se estiver popular, se mantém. E o Supremo é a mesma coisa”.

“Gastaram toda a munição política no impeachment e em abrir espaço para o Michel Temer, que é um dos governos mais perniciosos da história. Ele era um Bolsonaro sem os arrufos do Bolsonaro. É um liberalismo tosco”

Sobre a declaração de Paulo Hartung, que afirmou que ele e o Luciano Huck são de centro-esquerda: “bom mocismo não define posição política. Você é de centro – não estou dizendo de esquerda ou de direita – se você tem um conjunto de defesas e que coloca os direitos acima dos interesses econômicos imediatos. É isso”.

“Se você tem uma organização ineficiente e corta os recursos sem promover as mudanças, ela fica mais ineficiente ainda. É evidente. Você tem setores amplamente eficientes, e que são os mais corroídos pela redução de gastos públicos”

“Se você pega impostos sobre consumo, o Brasil é um dos países com mais alta carga tributária do mundo. Se você pega impostos sobre ganhos de capital, é uma das mais baixas do mundo”

“Se eu tenho tributação sobre ganho de capital baixa, e tributação sobre consumo alta, então ou reduzo um e aumento outro, é evidente que não tem uma isonomia. E aí vem o discurso de mídia de que ‘o funcionário público é privilegiado em relação ao do setor privado, então tem que igualar os dois lá embaixo’.

“A isonomia não é assim. A isonomia é a situação dos assalariados de uma forma geral, versus a situação dos rentistas de uma maneira geral. Essa é que é a divisão, entre o topo da pirâmide e a base da pirâmide”.

Ao analisar o comportamento da indústria automobilística, Nassif diz que uma análise da média móvel em 12 meses aponta uma redução de 14% no licenciamento de automóveis ante maio/2020 e de 26,82% em relação a novembro/2019 – “isso não é recuperação nem a porrete”

Ao avaliar as exportações, o total negociado foi 10,61% menor ante maio, 26,65% a menos do que em fevereiro, e 27,83% abaixo do visto em novembro/2019. “É um país atrasado demais, e uma economia atrasada demais – o mercado é o maior empregador de economistas, e é ele que pauta a mídia”

“O mercado só quer um tipo de análise: binária. Compro ou vendo, é só isso que interessa (…) E em cima desse compro ou vendo, fica uma imprensa medíocre que segue esse tipo de sinais de mercado e você passa a atuar politicamente”

“Você tem eventos muito mais concretos que implicam em alta ou queda, e aí colocam as reformas. E quando vai se discutir as reformas, é uma loucura”, diz Nassif.

“É uma loucura a superficialidade, é humilhante para o jornalismo. Não tem o menor conhecimento sobre o que é gestão pública (…) Peguem pessoas que conheçam o tema”

“O editorial, que deveria ser a parte mais nobre do jornal, defendendo a reforma administrativa para o Estado trabalhar nas mesmas condições do setor privado. O Estado tem que ter um corpo estável de funcionários, se você não tem corpo estável de funcionários – e cada presidente que entra, cada governador, vai aparelhar o Estado, é óbvio”.

“De um lado você tem uma crítica ao aparelhamento, e uma baita defesa a uma reforma do Estado que vai multiplicar por 14 o número de cargos comissionados no Estado. Dá para entender? É subjornalismo. E é tudo visto de forma superficial”, diz Nassif.

“Como é que reduz desigualdade? Com uma tributação que tribute mais a riqueza e tribute menos o trabalho. E na hora que entra nisso, fora”

Sobre a reforma da polícia, Nassif afirma que, no caso do Brasil, é a desmilitarização da Polícia Militar. “Perderam o controle. O que você tem, hoje, são gangues armadas que matam sem pestanejar. E uma justiça militar que preserva essas pessoas. E um Ministro da Justiça (Sergio Moro) com excludente de licitude. Dois governadores que, quando assumiram, promoveram a violência”.

“O que está acontecendo: essa social democracia que surge, eles vão de acordo com as ondas do momento. Quando a onda era a violência de todo nível, a violência bolsonariana, todos caíam de cabeça (…) Uma lei penal que é um escárnio, que pega a rapaziada que trafica por falta de emprego e joga em presídios onde caem direto na dependência das organizações criminosas, os maiores alimentadores de organizações criminosas”.

“Toda uma indústria que se criou em torno disso, a indústria da privatização dos presídios (…) O usuário de drogas da zona sul do Rio é consumidor, e da periferia é traficante”

“Essas mortes reiteradas. Oito crianças mortas em um ano, gente. Não dá. A Polícia Militar falhou, é uma instituição que fracassou”, diz Nassif. “Um dos pontos que vai separar civilização e barbárie é a postura de candidatos de partidos em torno dessa questão da polícia e desse código, dessa lei de drogas terrível que foi criada”, finaliza.

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Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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4 Comentários
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  1. j.marcelo

    7 de dezembro de 2020 8:51 pm

    O GOVERNO BOLSONARO É UM GOVERNO MILITAR E SE ELE FALHAR,FALHA TB OS MILITARES !!!

    1. Zé Sérgio

      8 de dezembro de 2020 10:19 am

      j.marcelo : O Governo Bolsonaro é um Governo Civil. Que mesmo antes de seu início já havia sofrido um Atentado Terrorista. Ou não sofreu? Sabemos que velhos Militantes Terroristas Maoístas e Comunistas não aceitam a Democracia. Vimos isto com Prestes, Marighela, Lamarca, Dilma e outros párias. Imagine se ele não tentar se defender?

    2. Zé Sérgio

      8 de dezembro de 2020 10:32 am

      90 anos de Estado Ditatorial Caudilhista Absolutista Assassino Esquerdopata Fascista. Enquanto a Elite deste Estado discute interminavelmente a desmilitarização da Polícia, rapidamente “inventa” uma Nova Polícia Militar. As Guardas Civis Metropolitas. Um Soldado Armado contra a População a serviço de cada Prefeito deste Brasil. Não é a Pátria da Surrealidade? Começou quando o pária, o imbecil Mario Covas, então Governador do estado de SP, impedia que a Polícia Militar, sob suas ordens. agisse em casos que defenderiam a Prefeitura da cidade de São Paulo, sob administração de Paulo Maluf. Então o Prefeito reintroduziu a função de Guarda Civil Metropolitano que já existia desde os primeiros anos da República. Sem armas. Para defender aquilo que era omitido e negligenciado pelo pária Mario Covas. Não é cachorro atrás do rabo? Porta aberta e todas as Cidades que sempre juraram falta de dinheiro para Políticas Públicas, agora tem sua Segurança e Jagunços Armados. Voltemos a discutir o fim da militarização da Polícia !!!! Pobre país rico….

  2. nender, o tal

    8 de dezembro de 2020 8:55 am

    Nassif, permita-me uns pitacos

    Perdoe-me, mas estes argumentos funcionam como alimento à barbárie, caindo no truque semiótico instigado pelos gestores da guerra híbrida (como diz Wilson Ferreira, do Blog Cinegnose).

    Primeiro, eu acho que é tão desesperadora a falta de conhecimento no assunto, que dá vontade de gritar…

    Mas contemos até 879…

    Temos que antes de tudo definirmos qual é o papel da polícia no Estado, e enfim, no Estado capitalista, que é o que nos interessa.

    A polícia (do radical polis) é o instrumento armado interno do estado (antes das cidades-estado) para uso da classe dominante conter os dissensos das classes opostas à ela, assim como todas as estruturas normativas de conservação (leis), embora ideologicamente tenha se elaborado a noção de “polícia-cidadã”, ou polícia como ferramenta de pacificação de conflitos.

    Há outros instrumentos, como Escola, Igreja, Mídia, Judiciário, etc…Porém a polícia é o mais agudo delas.

    Se a polícia é um dos temas centrais de qualquer debate em um país, tudo já foi para o brejo!

    Mesmo que tomemos a polícia como uma “pacificadora” de conflitos (e nunca será), a polícia sempre agirá reflexivamente, pois o sistema (capitalista), e a própria História da Humanidade (como ensinou Marx) é a história da oposição (muitas vezes violentas) de classes, isto é, é a História dos conflitos paridos na desigualdade, como nenhum outro.

    Então vencemos o primeiro obstáculo:
    Polícia não é um instrumento solidário, comunitário, “do bem”, mas a última fronteira na contenção dos atritos sociais, pois o crime (violento e todos os demais de natureza não-violenta) é um fato social, que deriva de múltiplas causas, mas que guarda direta proporção com a desigualdade: mais desigualdade, mais crimes (violentos ou não-violentos).

    Neste contexto, as “modas” gerenciais da Polícia, as “pacificações”, experiências comunitárias, ou quaisquer outros slogans da vez estão fadados, sinto muito, ao fracasso.

    A militarização policial brasileira, e de boa parte do mundo ocidental (sim, os EUA saltaram de 80 grupos táticos, tipo SWAT para mais de 900, em 10 anos, entre 1990 e 2000, e espalharam o modelo pelo mundo) é uma solução para cada arranjo local capitalista.
    Este fenômeno não é um acidente, correspondeu a escalada de encarceramento de pretos, latinos e outros rejeitados pelo estamento estadunidense.
    Na Europa, a mesma coisa.

    O Chefe Wigan (dos Simpsons) andando de blindado (um tanque de rodas) na parada de 4 de julho (e perde o controle e destrói a loja do Apu) não é uma brincadeira inocente com a inépcia do policia de lá, ao menos não é só isso.

    Em um país com desigualdades como o nosso (e também como o deles, dos EUA), e com as peculiaridades como as nossas (tamanho, fronteiras, urbanização e densificação demográfica sul-sudeste, conflitos de terra, pauperização norte-nordeste com fronteira agro-business centro -oeste, dentre outras) teremos sempre a necessidade de aparatos “militares” para a contenção da letalidade violenta.

    Para o Senhor Nassif ir ao Shopping fazer suas compras de Natal, em uma região cercada de favelas (Morumbi), em meio a atividades para-legais em pleno vapor (vendas de drogas proibidas) será preciso um contingente policial “domesticado” pela “hierarquia militar”, para então dar conta de lhe proporcionar uma “paz social e urbana” parecida com a de Amsterdã.

    Hierarquia militarizada serve primeiro para o cara agir sem pensar, porque se pensar muito, o cara não age como polícia, e aí descamba para as soluções “privadas”, que afinal é o que todo mundo faz.
    E não adianta clamar por um “espírito de dever” ou “honra”, quando o que assistimos todos os dias, seja aqui, seja na Europa, é o triunfo da desregulamentação e do mercado que transforma pessoas em mercadorias, ou agora pior, em “assets”.

    O polícia com a arma na mão e uma fração do poder do Estado pode ser pouco letrado, mas não é idiota.

    Então, a militarização é um dos males necessários onde o Mal é a regra.

    Sim, o nível de homicídios da Zona Sul do Rio, ou das zonas nobres de SP, e BH, etc, são comparáveis aos mais aprazíveis centros urbanos europeus.

    O problema é o entorno, é o o lado de fora dos muros (uns invisíveis, outros visíveis).

    Então SIM, eu defendo uma polícia desmilitarizada, de ciclo único (sem acesso externo aos seus comandantes, e por progressão da carreira), com diversos níveis sobrepostos, desde as polícia municipais até a federal (incluindo aí outras polícias estatais específicas, como ambientais, fronteiras, etc), a depender de estruturas normativas que distribuam atribuições de acordo com critérios que não sejam só a histeria classe média, que vocaliza como boneco de ventríloquo os interesses das elites.

    Mas eu pergunto: Como começar a construir a casa pelo telhado?

    Eu defendo uma polícia não-militar, mas no atual cenário de proibição e de guerra às drogas, como fazer isso?

    Como pretender uma polícia não-militar na normalidade irracional do Capital?

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