17 de junho de 2026

Brasil em transe, por arkx

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por arkx

após a estonteante queda no abismo, retornamos à superfície do espelho. com tudo desmascarado, enfim enfrentamos a nossa face.

somos um território e uma população dominados por uma plutocracia que vendeu a alma do país ao Diabo, sem se dar conta que sua própria alma também fazia parte do pacto. agora chegou o momento do acerto de contas.

o surrealismo tropicalista vivido por um Brasil delirando num transe entre o Baile da Ilha Fiscal e a Queda da Bastilha.

desde a farsa dantesca encenada pela insurreição dos hipócritas no teatro de horrores da Câmara, na votação da admissibilidade do processo de golpeachment, até o apoteótico desnudamento dos cruzados de Curitiba, com sua “Lava Jato e Associados” fundamentada num ato de fé e não em provas.

não sem antes passar por um admitido golpe de Estado, através de um impeachment sem crime de responsabilidade, numa decisão reconhecidamente criminosa tomada em prol da governança dos negócios e não da Democracia.

ainda assim, a posse da nova presidente do STF, ao som do Hino Nacional por Caetano Veloso no violão, se dá como uma cerimônia no âmbito de um grande acordo  de conciliação nacional das elites. a travessia para tempos pacificados, através de águas em revolto e cidadãos em revolta.

mesmo sem estar fisicamente presente, a voz de Cunha ecoava: “Que Deus tenha misericórdia desta nação”.

um enredo farsesco e bizantino sob a benção de um PGR carregando os Dez Mandamentos contra a corrupção: a tábua de salvação do MPF para purificar o capitalismo de compadrio tupiniquim.

como se fosse possível transformar em confortáveis colinas, de onde se contempla um vasto horizonte, as cavernas na quais se esconde uma certeza inquebrantável: a oligopolização, a financeirização e a corrupção sistêmica são endógenas ao capitalismo.

não podem ser corrigidas, portanto, pela via policial ou judicial. sua superação exige uma solução política.

enquanto os investigados, indiciados, acusados, condenados, encarcerados, torturados, difamados, perseguidos e monitorados ainda insistem numa súplica pelo pacto à la Brasil, nada resiste ao colapso. o arcabouço institucional foi implodido. não resta pedra sobre pedra.

com a falência institucional fica exposta a fratura entre o poder instituinte e os poderes constituídos.

já não há Brasil. mas Brasil houve algum dia? aquela visão do paraíso de uma Ilha de Hy-Brazil, repleta de sabiás, palmeiras e amores… não haverá retorno deste exílio.

o conchavo com o inimigo de classe só pode levar a isso: traição, descompromisso com a causa pública e pilhagem do patrimônio comum. e a Lava Jato acabou se revelando não maior do que todos nós, ela só podia ser enorme para os que se apequenaram no seu dever de questionar a aberta sabotagem à Democracia.

entre o querer ser e o já ser, vai a distância entre o ridículo e o sublime.

esta distância, entre o pesadelo do ridículo país de uma plutocracia colonial e escravocrata e a sublime Nação de nossos sonhos, só pode ser superada pelos milhares de pés anônimos marchando pelas ruas.

jamais o Brasil que sonhamos será urdido através dos pactos palacianos e dos acordos de gabinete. o Brasil que sonhamos é este Brasil que já é, com este povo sem medo que agora se levanta.

o povo que previamente fal­tava. pois não é “o povo” que produz a luta e a resistência, é a luta e a resistência que geram o seu povo.

uma estratégia para ser vitoriosa deve visar não ao adversário, mas a estratégia dele, fazendo com que esta se volte contra ele mesmo – assim sua crença no êxito é seu inevitável caminho para a derrota.

do incêndio ateado, as chamas se propagaram. já não conseguem controlá-las. agora serão  as labaredas da luta de classes que incendiarão o país.

.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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16 Comentários
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  1. romulus

    16 de setembro de 2016 2:35 pm

    Em transe: “MARÍLIA PÊRA TESTEMUNHA EM FAVOR DE LULA”

    Carissimo,

    >> mesmo sem estar fisicamente presente, a voz de Cunha ecoava: “Que Deus tenha misericórdia desta nação”.

    Cada vez q vc reproduz essa citaçao nos seus posts, tenho um misto de frio na espinha e embrulho no estomago. Sinto isso porque é apenas a verdade.

    >> “entre o querer ser e o já ser, vai a distância entre o ridículo e o sublime.”

    Ortega y Gasset fazendo escola, via Barroso?

    Hoje vemos que o grande merecia de Espanha merecia ter advogado melhor nestas paragens…

    Sobre o *transe” de ontem, entrei no meu transe pessoal e viajei:

    *

    Introduçao que mandei para amigo:

    “Esse post é um tiquinho ‘mais esquisito’ que o meu habitual. rs
    Mas, de uma forma estranha, dadas as circunstancias, gostei de escreve-lo.
    A narrativa fluiu.
    Foi “a minha verdade”.
    Nao tive que “martela-la”, como o MPF.
    Se estivesse na grecia, ia dizer que as musas me visitaram aqui.
    Bem… uma visitou mesmo: é barbuda, tem voz rouca e fala bem como ninguem. Quase um “sapo”, digamos assim…”

    Nao pude deixar de lembrar tb da cronica que o Nassif escreveu quando Marilia faleceu – cronica que emocionou seu marido, que ficou por aqui (que bola dentro!)

    *

    >> Marília Pêra testemunha a verdade de Lula: “convicção” mais “prova”, por Romulus

     

     ROMULUS

     QUI, 15/09/2016 – 22:31

     ATUALIZADO EM 16/09/2016 – 02:40

    Marília Pêra testemunha a verdade de Lula: “convicção” mais “prova”

    – Eis ‘o’ vídeo – nada – aleatório do dia: a coletiva de Lula à imprensa nacional e estrangeira.

    – E com o comentário de ninguém menos que…

    – …Marília Pêra!

    – Mas como assim?! Calma aí que eu explico tudo aí embaixo. E mais: diferentemente da Lava a Jato, eu provo!

    – O glossário para se achar no meio desse redemoinho: a “grande” vs. a “pequena” política. As “ondas de opinião” vs. as “correntes de ideias”. Os “surfistinhas” vs. os “herdeiros de Netuno”.

    – A diferença entre o “mito”, lá da Grécia, e o “santo”, daqui de Roma. “Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”… quem faz – ou quer fazer – confusão entre os dois é o MPF… e a direita! Ou seriam os dois – MPF e direita – a mesma coisa?

    – No final, mais um bônus com o Lula. Lula mais quem?

    – O Nassif, ora! 

    – Juntos?! Pois sim! Vambora…

    LEIA MAIS »

    Vídeos

    Veja o vídeoVeja o vídeo(i) A fala de Lula sobre a denúncia do MPF; e (ii) o testemunho de Marília Pêra em favor de Lula, em “Jogo de Cena”, de Eduardo Coutinho. “Convicção” + “Prova”, Dellagnol. Tome nota… 

     

  2. Marcelo33

    16 de setembro de 2016 2:57 pm

    Arkx, continuo achando vc

    Arkx, continuo achando vc extremamente otimista, mas espero que vc esteja certo e eu errado…

    E que possamos juntos invandir a bastilha Brasileira, fica perto da sua casa, no Jardim Botânico…

    1. arkx

      16 de setembro de 2016 9:10 pm

      sem otimismos

      ->E que possamos juntos invandir a bastilha Brasileira, fica perto da sua casa, no Jardim Botânico…

      compreendo que a Globo, assim como as demais capitanias hereditárias midiáticas brasileiras, são um grande inimigo. mas Bastilha mesmo é o sistema financeiro!

      e aí lanço uma questão: tá tendo uma greve de bancários. pois bem, qual o efeito prático desta greve para os banqueiros? dito de outro modo: este tipo de greve afeta de fato o sistema financeiro? provoca a queda da Bastilha dos bancos?

      obviamente que não!

      então, o paradigma mudou, mas o movimento sindical prossegue pensando e agindo como se estivéssemos na década de 80.

      abraços

      .

  3. gabi_lisboa

    16 de setembro de 2016 3:06 pm

    Aproveitando a deixa

    lembro a todos que domingo tem novo protesto na Paulista a partir das 14:00 em frente ao MASP.

  4. romulus

    16 de setembro de 2016 4:14 pm

    “QUEM DEIXOU O BRASIL EM TRANSE?”

    Me honra tb com a sua leitura desse aqui?

    *

    >> Os “culpados” por “isso tudo que está aí…”, por Romulus

     

     ROMULUS

     SEX, 16/09/2016 – 03:21

     ATUALIZADO EM 16/09/2016 – 03:24

    Vamos falar de “conjunto da obra”? Pode vir quente que eu estou fervendo! E sem medo de dar nome aos bois: os “culpados” por “isso tudo que está aí…”

    Por Romulus

    Como já disse por aqui, uma obsessão minha é o desenho institucional do Estado. Especulo sempre sobre a sintonia fina que o torne mais funcional, estável e que permita o desenvolvimento e a inclusão. Idealmente, esse desenho deve ser “à prova de idiotas” – foolproof, como dizem os gringos – que eventualmente ocupem os cargos no topo dessa estrutura.

    Em geral isso cabe aos famosos “freios e contrapesos” e à tomada de decisões em colegiado.

    Tudo isso está de alguma forma no desenho institucional da Constituição de 1988 e no nosso acquis político-institucional infraconstitucional.

    Sim, está lá… mas foi pouco! Definitivamente não somos foolproof.

     

    LEIA MAIS »

     

    1. arkx

      16 de setembro de 2016 9:37 pm

      Romulus

      -> Ortega y Gasset fazendo escola, via Barroso?

      ué?! não dele do Ministro do STF, via vc!

      -> Me honra tb com a sua leitura desse aqui?

      Nobre, sempre leio o que vc escreve. o estilo que vc utiliza, com muitas imagens que em si tb tem significado, requer sempre uma leitura mais cuidadosa. o que estou exatamente dizendo: não é um texto com apenas uma camada, a da escrita. tem outras. as imagens e os vídeos. tem que ser considerado na leitura.

      -> Sobre o *transe” de ontem, entrei no meu transe pessoal e viajei:

      num desses transes, numa dessas viagens, vc corre o risco de acordar na Ilha…

       

      1. romulus

        17 de setembro de 2016 12:13 am

        Direto da Ilha nevada, dos gelos eternos.
        “Sair do transe e acordar na ilha”…

        Só fico com medo, na situação atual, de acordar na ilha errada: a ilha de Lost!

        Sobre a sua leitura… ora, e eu não sei das suas múltiplas leituras?
        De cima pra baixo, de baixo pra cima, de um lado pro outro e depois de volta ao lado original…. Sem contar as diagonais!

        Não faço pressão não… apenas tento colocar no teu radar. Muita coisa não tem saído no GGN. Meu jeito de tentar trazer você, Vânia, AA, júnior50 e outros pra eles é colando nos comentários dos posts aqui.

        Por que menciono os 4?

        Porque estão em pontos do espectro político diferentes do meu: mais à esquerda, direita tradicional industrial, direita “mercado financeiro”. As divergências de vocês sempre me obrigam a refletir mais e provocam evolução nas minhas idéias.

        Aliás, por isso no outro dia perguntei de Facebook, Twitter e, finalmente, email: pra poder ir lá botar meus posts que não saem aqui no teu radar.

        Em tempo: não foi pra trocar ideia com quem até já me deu “tapa” – merecido, diga-se – que enchi teu saco para você se cadastrar aqui? rs

        Abs de uma ilha nos Alpes, onde o desemprego é 2℅ e o “bolsa família” é de 3 mil dólares – e isso em governos de direita, hein…

  5. Max Christian Frauendorf

    16 de setembro de 2016 6:19 pm

    os ausentes

    Sem dúvida há muita gente em transe. Mas é necessário lembrar, à título de sobrevivência de qualquer proposta política de esquerda, que o “país”  que protagoniza esses embates não é exatamente o país. Tanto os que se alinham ao golpe com seu vasto rebanho de classe média midiotizada, embora com representantes em todas as classes, assim como os que combatemos o golpe, em nossa vasta pluralidade de grupos e movimentos políticos, com participação massiva dos setores mais organizados e politicamente conscientes, não logramos mobilizar a maioria da população, que permanece num mundo que não é exatamente este que está em transe político. É uma outra espécie de transe, que vive e trafega por um mundo totalmente alheio  à política. Decifrar esse outro transe, talvez signifique fazer pesar a balança definitivamente para o lado das largas rupturas que o Brasil precisa fazer com seu pasado escravocrata e sua elite que parasita o Estado e o Povo. Inserir este vasto mundo que permanece em transe não decodificado, e fazê-lo dentrar  a arena política ao lado da transformação, continua sendo o maior desafio político das esquerdas. Para além de derrotarmos mais um golpe, importa repensar a Revolução Brasileira.

    1. arkx

      16 de setembro de 2016 8:40 pm

      os ausentes

      ->Inserir este vasto mundo que permanece em transe não decodificado, e fazê-lo dentrar  a arena política ao lado da transformação, continua sendo o maior desafio político das esquerdas.

      legal!

      sem dúvida é o grande desafio. mas não seria o mesmo desafio de na arena da economia ampliar os setores médios. incluindo-os socialmente não pelo consumo, via crédito, mas pela renda através da qualificação profissional via geração de empregos técnicos – por exemplo.

      ou indo ainda mais longe. por que não mudarmos de paradigma tanto na matriz energética como na produção de alimentos? descentralizar, autosuficiência local induzindo a geração de renda local. micro e nano geradores de energia. bairros inteiros remodelados para este outro paradigma. capacitação de mão de obra local para a manutenção. hortas e pomares comunitários.

      ou seja: junto com a inclusão econômica vem a consciência e a atuação política.

      ->Para além de derrotarmos mais um golpe, importa repensar a Revolução Brasileira.

      sim! e talvez seja mais do que tempo de repensar o próprio conceito de “revolução”. a “revolução” é um processo. é um modo de viver.

      abraços

      .

  6. Wilton Cardoso Moreira

    16 de setembro de 2016 7:00 pm

    Caro Arkx
    Você diz que “a

    Caro Arkx

    Você diz que “a oligopolização, a financeirização e a corrupção sistêmica são endógenas ao capitalismo” e que só a política pode ser a solução. Mas como, se a política, a democracia, o estafo de direito, a justiça, todas estas instituições fazem parte do sistema capitalista e dele dependem?

    Todas, absolutamente todas as esquerdas fracassaram ao tentar “humanizar” o capital: social-democracia, petismo, bolivarianismo, kirchnerismo, PCs chinês e cubano, Syriza, Podemos etc etc. Ou aderiram descaradamente ao neoliberalismo, como a social democracia europeia, ou se aliaram ao capital à custa do seu povo, como a China, ou ficam bradando revoltados contra o neoliberalismo, mas cumprindo a agenda da financeirização, como o Syrisa.

    Fracassaram não por falta de vontade ou desonestidade de seus líderes, mas porque que a política, a democracia não funciona, a não ser defensivamente, para retardar as tendências imanente do capital, como a concentração e a oligopolização, tornando a vasta maioria da população mundia supérflua, excluída do sistema.

    Agora se chega num ponto em que as medidas defensivas não fuuncionam mais em nenhuma parte do mundo. A política, a democrqacia não têm nada a oferecer, nem o direito, nem o estado, nem o mercado. A poítica agora é de administração de crise. A saída não é pela política, mas contra a política: as pessoas precisam assumir diretamente o destino de suas vidas.

    Como? Comunismo. Comunidade. Bem comum. A cada um de acordo com suas necessidades. Revolução antropológica.

     

    1. arkx

      16 de setembro de 2016 8:50 pm

      caro Wilton

      concordo com sua linha de argumentação. vou apenas deixar claro alguns pontos.

      ->Mas como, se a política, a democracia, o estafo de direito, a justiça, todas estas instituições fazem parte do sistema capitalista e dele dependem?

      a Lava Jato sustenta que com sua tábua fundamentalista dos Dez Mandamentos é possível superar a corrupção. estou apenas contra afirmando que não, porque a corrupção é intrínseca ao Capitalismo – afinal, toda propriedade privada de um bem comum, como a terra, tem sua origem num roubo.

      e por uma “solução política” não entenda uma “solução parlamentar” – e sim uma solução que faça pender a correlação de forças no interesse do bem comum. uma solução conquistada por um processo de luta eminentemente extra parlamentar – mas sem excluir esta via.

      ->Todas, absolutamente todas as esquerdas fracassaram ao tentar “humanizar” o capital:

      sem dúvida. é como enxugar gelo ou perfumar bosta. como vc bem afirma abaixo se trata apenas de medidas defensivas, mas nem por isto taticamente menos necessárias.

      ->Fracassaram não por falta de vontade ou desonestidade de seus líderes,

      fracassaram porque a cada vez que as lideranças tiveram que fazer uma opção, optaram por uma conciliação de capitulação.o caso do Syriza é emblemático. o do lulismo também.

      ->Agora se chega num ponto em que as medidas defensivas não fuuncionam mais em nenhuma parte do mundo.

      sim! porque a Crise de 2008 colocou em xeque o modelo de um mundo unipolar sob a hegemonia dos EUA. e tb o avanço da financeirização se impôs sob a ilusão que os anos dourados do capitalismo no pós II Guerra Mundial poderiam ser perenes.

      a Hillary tossindo sem parar e mal das pernas é a imagem de um mundo que se esgotou e não mais se sustenta.

      ->as pessoas precisam assumir diretamente o destino de suas vidas. Como? Comunismo. Comunidade. Bem comum.

      estou compreendendo perfeitamente seu raciocínio. e concordo com ele. o que segue abaixo é uma reflexão.

      pois é… qual o caminho? qual o modelo? nos indagam onde no mundo existe o que propomos? ora, em lugar algum. não existe modelo algum! não há caminho nenhum! isto tudo precisa ser construído. precisa ser conquistado. existem sim várias e várias experiências que precisam ser conhecidas, que precisam ser analisadas, que precisam ser conectadas.

      com certeza, o movimento de resistência ao golpe no Brasil faz parte deste processo!

      abraços

      .

  7. emerson57

    16 de setembro de 2016 8:48 pm

    pergunta e resposta

    P. “já não há Brasil. mas Brasil houve algum dia?”

    R. São dois os Brasis que coexistem:

    Um, o “oficial”, passa e é enganado na telinha da globobo. 

    Outro, o real, está sendo atropelado pelo primeiro mas tem a sincera esperança que o povo midiotizado acorde enquanto é tempo

     

     

     

    1. arkx

      16 de setembro de 2016 9:42 pm

      o Brasil & o Brasil

      “Orciny é a terceira cidade. Fica entre as outras duas. Fica no dissensi, nas zonas disputadas, lugares que Besźel acha que são de Ul Qoma e Ul Qoma acha que são de Besźel. Quando a velha comuna se dividiu, ela não se dividiu em duas, mas em três. Orciny é a cidade secreta.”

      “A cidade & a cidade”, China Miéville

      .

  8. arkx

    16 de setembro de 2016 9:49 pm

    Brasil em transe

    o transe se agrava

    RUI: LULA É CANDIDATO E HAVERÁ DIÁLOGO COM TEMER

    “O presidente do Partido dos Trabalhadores, Rui Falcão, anunciou três decisões importantes nesta sexta-feira: (1) o partido se mobilizará em defesa de Lula; (2) o ex-presidente é candidato à presidência em 2018 e (3) haverá diálogo dos sindicatos e movimentos sociais com o governo Temer;”

    “Terra em transe”, Glauber Rocha. O comício populista:

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=qw6zb8NL24k%5D.

  9. Vânia

    16 de setembro de 2016 9:54 pm

    Nem o gato, nem o rato, nem patativa do norte

    Só o ato

    Só a vida 

    É mais ativa que a morte

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=Z8GkO51UDys%5D

     

  10. romulus

    17 de setembro de 2016 5:37 am

    Ah, esse aqui tb! ATUALIZADO 17-9-16

    Denúncia de “corrupção” em Curitiba? Na verdade, atentado ao pudor: Brasil obrigado a assistir à ejaculação precoce de um adolescente afeito à masturbação

    Por Romulus

    – “Denúncia” em Curitiba foi, na verdade, um atentado ao pudor: Brasil foi obrigado a testemunhar a ejaculação precoce do adolescente. E num sexo solitário: era apenas masturbação do jovem.

    – O perfeito casamento entre ignorância, “limitação intelectual” e má-fé. E ainda: inglês “the book is on the table” + PowerPoint nível corrente chata de email + conhecimentos de Ciência Política, Geopolítica e Economia – e até de Lógica! – dignos de um secundarista de província.

    – Memes… muuuuitos memes: dfinitivamente “a internet não soube lidar” com os PowerPoints do Dellagnol.

    – O pior é que, no final, cabia a nós fazer a pergunta clássica: foi bom para você quanto foi para mim, “doutor”??

    – E para fechar: Ciro d’Araújo, sem dó nem piedade, desnuda (oh!) o tal do adolescente afeito à masturbação. Ciro é fera: conta até por que Moro saiu correndo para devolver o passaporte da mulher do Cunha.

    *   *   *

    Parte 1: ejaculação precoce do adolescente afeito à masturbação

    Instado até por leitores, ia escrever sobre o vexame da “Torça Farefa” da Lava a Jato em Curitiba ontem.

    Não preciso.

    O Nassif (“Denúncia inepta da Lava Jato expõe o Ministério Público”) e o meu amigo Ciro d’Araújo (como verão no final deste post) esgotaram o episódio. Assim, sinto-me dispensado de comentar aquela “ejaculação precoce” de adolescente – em não mais que uma masturbação! Um sexo solitário, auto-estimulado e sem outro destinatário além do praticante – que o Brasil inteiro foi obrigado, constrangido, a testemunhar ontem em rede nacional. Auto-estímulo egoísta… egocêntrico. Até mesmo um tanto autista… completamente descasado da realidade e do “pudor” da sociedade, ali ao redor.

    E o pior: nem assim! Nem no “cinco contra um” o cidadão teve bom desempenho!

    Ejaculação precoce, frustrada… para ele e para os seus. E momento paradigmático da expressão “vergonha alheia” para o resto de nós.

    O pior é que, no final, cabia a nós, alheios àquela sessão de masturbração, fazer a pergunta clássica:

    – Foi bom para você quanto foi para mim, “doutor”??

    A acusação daquele dia?

    Não pode ser outra:

    – Atentado ao pudor!

    E por falar em “pecado”…


    Pecado para mim é escrever “porque” no lugar de “por que”. Critérios diferentes…

    Mas fazer o quê? O cara só pensa “naquilo”… tá na “fissura”:

    À guisa de introdução ao que o Ciro diz no final do post acrescento apenas o seguinte:

    Comentava, no post de ontem (“Golpe: não basta raposa no galinheiro. Faltam mapa$ das mina$!”), que uma frustração minha é nunca ter “embarcado” numa plataforma de petróleo. Uma vez quase rolou uma visita, lá na Bacia de Campos.

    Eram outros tempos…

    Boom das commodities, Brasil menina dos olhos do mercado e do mundo, subindo de 7a para 6a economia, maior descoberta de petróleo em 3 décadas e o coroamento, com “graduação” do pais diante dos demais: a escolha para sede das Olimpíadas do “distante” 2016.

    Bons tempos:

    Quem diria que seria tão fácil de sabotar?

    Quem da minha geração, aquela que cresceu na redemocratização, cogitava que pudesse haver, no seu tempo de vida, um golpe de Estado?

    Digo, no Brasil – e não no Paraguai ou em Honduras. Ou na África.

    Quem poderia saber que 3 corporações do Estado – Judiciário, MPF e PF – iam se fechar numa guerra de tudo ou nada contra um dos polos políticos, pouco importando a terra arrasada que fica pelo caminho?

    Quem poderia saber que a mídia, jogando contra seus interesses econômicos não imediatos, ia articular esse exército?

    Quem poderia supor que a elite do funcionalismo público – procuradores e juízes federais concursados – regiamente pagos e com caros cursos de pós-graduação no exterior – fossem tão simplórios? Com conhecimentos de Ciência Política, Geopolítica e Economia – e até de Lógica! – dignos de um secundarista de província?

    Aliás, até conhecimento de Inglês lhes falta… o que não deixa de ser algo um tanto bizarro para esses americanófilos que confundem a narrativa a que assistiram na Disney – a “Disney” real e a figurada – com a História real dos EUA e com o funcionamento real das suas instituições.

    Anoto a falta de conhecimento do Inglês porque tenho hoje um certo ceticismo com relação ao aproveitamento que essa “elite” possa ter feitos dos cursos a que “assistiu” no exterior. Como pode alguém que fez um LL.M., mestrado jurídico (!) de um ano, em Harvard (!!), como o juiz Sergio Moro, traduzir expressão tão fundamental para o Direito como “rule of law” de forma – pseudo! – literal, como “a regra da lei” (sic)?!

    Sim, o juiz Moro o fez neste ano, numa sentença da Lava a Jato. Talvez na dos grampos – duplamente! – presidenciais. Já não lembro ao certo…

    Questiono hoje o aproveitamento das leituras e das aulas em Harvard de alguém que nunca percebeu que “rule of law” – de novo: expressão fundamental! – significa, na verdade, “império da lei”. Ou até mesmo “Estado de direito”!

    Se não sabia disso, o que terá compreendido do restante?!

    A sério: erro primário desses nem estagiário meu, na primeira semana de trabalho, cometeria. Isso porque se cometesse não teria sido nem contratado. Ora, já no processo seletivo eu cobrava – e eu mesmo fazia questão de corrigir – tradução de um texto jurídico em inglês.

    Diante da minha seleção – demasiado criteriosa? – é certo que não teria tido o prazer de ter o “Dr.” Moro – “Dr.”? Ele tem doutorado? – como estagiário.

    Mas os de Curitiba conseguem ir além:

    Os slides de Powerpoint do Dellagnol hoje não deixam dúvidas: trata-se do perfeito casamento entre ignorância, “limitação intelectual” e má-fé.


    Atenção! É neste slide em que a “Torça Farefa” (sic) determina a condução coercitiva do Sérgio Abranches. O intelectual não sairá da prisão preventiva do Moro até delatar esse tal  de “presidencialismo de coalizão”. E a paternidade do Lula, é claro!


    Dellagnol indo além no Pacote Office: ousou com as fontes no Word também.


    Mas ele é um menino tradicionalista: depois de brincar com as fontes, voltou à Times New Roman, 12, preto, espaço símples, texto justificado. Glória!


    Tá maluco? É claro que Dellagnol não entendeu esse meme. Vocês realmente acreditam que ele viu “Pulp Fiction”?! Não… enquanto crescia ele assistia a filmes com as aventuras da cachorrinha Lessie, a amiga da vizinhança.

     


    Por outro lado, tem gente do pá virada – será “encosto”? – que fuma um bagulho estranho e tem “brainstorm” muito mais interessante…


    “Procurador literário”. E sem medo de polêmica! É o Dellagnol ou Professor Antônio Cândido na foto? Fiquei confuso…


    Já já o Ciro te explica essa história… aguenta aí! A Claudia Cruz não vai a lugar nenhum! Oh, wait…


    Dellagnol esquece por um breve momento os hinos de louvor e se aventura com os Beatles. Mas não se preocupem: o menino não chegou nem perto de “Lucy in the Sky with Diamonds”. Tá amarrado e repreendido! Isso é coisa de tucano! Meia tonelada que voa de helicóptero…


    Ninguém segura! “Brasil Grande!”, “Brasil Potência!”. Olha o resultado das delações “de peso”: Kepler, Copernicus, Galileo e Newton. Como se diz no meu Rio de Janeiro: “Te mete com a “Torça Farefa” pra tu vê o que te acontece, mané!”… “Faca na Caveira!”… “Olha o Caveirão subindo o morro!”…
    “Ai, que loucura”? Não… meme errado…


    “Isentão”: Dellagnol não se deixa influenciar nem mesmo por matérias do oligopólio midiático brasileiro. Haja obstinação!


    Será que Dellagnol está flertando com uma nova fé? Saberemos de tudo logo mais no programa da Luciana Gimenez.


    Sejamos justos: muitos outros no mundo também têm convicções sem ter provas. Por que só pegamos no pé do Dellagnol?

    Até os famosos – e reacionários – “comentaristas de portal” acharam a peça acusatória do MPF um lixo inepto. Pergunta: isso importa no Brasil de hoje?

    Como se perguntou o meu amigo Ciro, enquanto assistia estarrecido à coletiva de imprensa:

    – Na peça acusatória o MPF também pede a prisão do Sergio Abranches, por cunhar o termo “presidencialismo de coalizão”?!

    Ora, tenham paciência: o Brasil é muito maior que as apostilas dos cursinhos preparatórios para concursos públicos!

    Nesse ponto, aliás, tenho que concordar com um ponto pisado e repisado pelo colunista André Araújo, aqui no GGN:

    – Quando que essas pessoas, tão “qualificadas”, conseguiriam os mesmos salários na iniciativa privada?

    Acrescento:

    – Com o inglês do Moro e os powerpoints do Dellagnol?

    Resposta:

    – Nunca!!

    *

    O resultado podia ser outro?

    Se me contassem, nos 4 “gloriosos”, de 2008 a 2012, que estaríamos aqui hoje, nunca acreditaria!

    *   *   *

    Parte 2: Ciro d’Araújo desnuda (oh!) o pobre adolescente afeito à masturbação


    Filme comédia-besteirol “safadinho” dos anos 90. A piada? A masturbação do jovem, ora.

    Diz o meu amigo Ciro:

    Minha opinião: Força Tarefa de Curitiba sentiu o cheiro do acordão que está desenhado em BSB (e por força tarefa de Curitiba entenda-se MP, PF, Juiz E mídia específica, especialmente a revista época). Não gostaram disso. Gostaram de ser o centro das atenções da política nacional. 

    Aproveitaram decisão crítica do Ministro Teori a pedido da defesa de Lula e a citaram na abertura de sua fala. Declaração essa que o ministro mandou retirar da decisão e disse arrependido de ter feito – depois da entrevista coletiva. Recado mais claro só se uma mão desenhasse MENE MENE TEKEL UPHARSHIM na parede da procuradoria em Curitiba.

    Número, Número, Balança, Divisão – essas são as palavras em aramaico que a mão divina escreve na parede do Rei Belshazzar, descrito pelo livro do profeta Daniel. A interpretação do profeta foi: seus atos foram pesados e achados inadequados, seu reino será dividido.

    Os procuradores de Curitiba, aproveitando a “contextualização” criaram uma peça de elevadíssimo conteúdo político e baixíssimo conteúdo jurídico: “Lula é o general da propinocracia”. Perguntados por que não o denunciaram por isso – jogam a bola para Janot e para o STF. Esperam que a opinião pública os mova na direção de sua inquisição contra a corrupção e que o STF novamente julgue com “a faca no pescoço”. Para isso contam com a mídia.

    Cometeram também outro erro elementar. Erro esse que talvez seja corrigido por Moro, que é mais sagaz. Arrolaram Dona Marisa na denuncia. Podem esperar uma reação corporativa generalizada de todo o espectro político. Existe uma razão pela qual Moro é tão cuidadoso com relação a Claudia Cruz.

    [Romulus: genial, meu amigo Ciro!!]

    “Lula agiu como lobista”… poderia ser uma acusação que se sustentasse com os elementos constantes na denuncia. Húbris (e alguns jornalistas que também sofrem do mesmo mal) os fez mirar mais alto. Com direito a pergunta de jornalista internacional “é necessário usar alguma teoria de direito estrangeira para fazer essa denuncia”? Se referindo, claro, à denuncia que não foi feita, por incompetência jurídica – a de organização criminosa.

    Outra coisa que não contam é com a reação dos verdadeiros donos do poder. O mercado queria tirar a rainha estatista do poder, mas agora quer que as coisas voltem a normalidade. O acordão está desenhado com a aprovação do mercado. Agora podemos voltar à nossa programação normal – mas quem ganhou poder não quer se desfazer dele. 

    Curitiba não quer ceder a condição de capital de volta a Brasília. Cederá, por bem ou por mal.

    A bola vai ficar com Janot. Ele que cuide da guerra civil juridico-política que se instalará. 

    “Quem pariu Mateus, que o embale”, já dizia o ditado.

    E o Ciro fecha com:

    PS:  Nem nos neologismos esse pessoal consegue ser original. “Propinocracia” é versão tabajara da “Tangetopolis” italiana. “Cleptocracia” é uma palavra tão mais bonita e elegante.

    [Romulus: concordo em gênero, número e grau com Ciro. Em tudo. Até com a falta de requinte linguístico na “criação” de neologismos lá em Curitiba]

    *   *   *

    Vídeos aleatórios do dia

    Anote, pervertido: por que “masturbação é pecado”?

    (?!?)

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=U295VScshRU%5D
    Assistir a esse vídeo, mesmo que por apenas uns 30s, deixou algumas coisas claras para mim sobre ontem…

    E, depois do riso, o choro. Requiem pelo Brasil:

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=YO7obfP6MJI%5D
    Outra dica do Ciro. O cara joga nas 11.

    *   *   *

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    Quando perguntei, uma deputada suíça se definiu em um jantar como “uma esquerdista que sabe fazer conta”. Poucas palavras que dizem bastante coisa. Adotei para mim também.

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