4 de junho de 2026

Uma saída de mercado: a nacionalização da Ford em ressarcimento dos subsídios recebidos

Se Paulo Guedes não fosse um Ministro de idéias tão minúsculas, haveria um amplo espaço para juntar a produção brasileira com os financistas. Eles trocariam esse papel predatório de operações sem risco em cima de bens públicos, e se legitimariam perante a opinião pública - além das boas possibilidades de lucro.

Alterado às 13:20

Nos últimos anos, a Ford recebeu R$ 15 bilhões em subsídios. Mais que isso, teve ganhos expressivos de Tesouraria. Saiu da noite para o dia deixando 5 mil famílias desamparadas, dos empregos diretos perdidos. Mais que isso, deixando na mão os fornecedores, a rede de revendas, os estados que a receberam. E isto em plena pandemia.

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Se a Câmara quiser dar um passo graúdo, há um caminho rápido, permitindo a criação de uma empresa automobilística nacional.

1. Uma lei promovendo a nacionalização das fábricas, invocando medidas de emergência, em função da pandemia. Por nacionalização não se entenda a estatização, mas a transformação provisória das fábricas Ford em um ativo do país, em ressarcimento aos subsídios recebidos no período. Depois, vai se discutir em tribunais internacionais.

2. Abrir uma licitação para grupos que se interessem em assumir a empresa, dando preferência para a rede de fornecedores e de distribuidores. Está ai o grupo CAOA, há tempos tentando forçar a transferencia de tecnologia de empresas coreanas e chinesas.

3. O BNDES poderia cumprir papel essencial no desenho e financiamento da operação, analisando modelos competitivos, desenhando o escopo dos consórcios que poderiam disputar as fábricas.

O início da indústria automobilística brasileira aconteceu quando JK, no Plano de Metas, obrigou as entrantes a se associarem ao capital financeiro brasileiro, grupos Monteiro Aranha, os mineiros de Paulo de Tarso etc. Tornou-os sócios do desenvolvimento, em vez do seu histórico de predadores.

Se Paulo Guedes não fosse um Ministro de idéias tão minúsculas, haveria um amplo espaço para juntar a produção brasileira com os financistas. Eles trocariam esse papel predatório de operações sem risco em cima de bens públicos, e se legitimariam perante a opinião pública – além das boas possibilidades de lucro.

Depois dessa publicação, conversei com um antigo executivo da Ford. Segundo ele, não haveria a necessidade da nacionalização, porque a própria Ford colocou os ativos à venda, e provavelmente vai aceitar grande deságio.

Segundo ele, os incentivos se referiam ao ICMS, imposto estadual, para compensar os custos de logística, ao se instalar fora do centro produtor, São Paulo. Os subsídios visavam gerar isonomia com a produção de São Paulo. Sem ele, a Ford da Bahia teria que adquirir peças de São Paulo e, depois, vender os veículos para o mercado paulista, pagando impostos adicionais.

Pelas instalações da Ford Bahia, bastante modernas – ao contrário das instalações no ABC -, segundo ele haveria plenas condições de montar um modelo de compra liderado por grupos nacionais.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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8 Comentários
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  1. Flics

    13 de janeiro de 2021 12:50 pm

    É piada, não?

  2. Lincoln Collins Bortolin

    13 de janeiro de 2021 1:53 pm

    Se tivéssemos um governo

  3. Lúcio Vieira

    13 de janeiro de 2021 3:26 pm

    Não estivéssemos diante do governante do atraso e da destruição e com o ministro anti-desenvolvimento e pró-especulação e favorecedor da economia improdutiva, talvez acreditasse que haveria alguma chance. Mas um governo que foi “surpreendido” com a notícia pela imprensa é sinal de quem não pensa.

  4. Luiz Fernando Juncal Gomes

    13 de janeiro de 2021 3:40 pm

    Não é piada, a saída é que não está à altura do país

    1. O governo Lula não teria coragem de propor; Dilma muitíssimo menos, entraria debaixo da mesa de medo;
    2. O atual governo (?) muitíssimo menos, para 57,7 milhões de eleitores imbecilizados nacionalização é o mesmo que comunismo;
    3. Exigiria um ministro da Economia/Fazenda e equipe à altura, o que não é o caso;
    4. A bancada da GloboNews entraria em choque anafilático irreversível;
    5. Olavo de Carvalho se suicidaria ao vivo engolindo o cachimbo;
    6. Se levado a efeito pelo atual governo (?), Carluxo aparelharia a nova empresa com os amigos de Rio das Pedras, que passaria a se chamar Fordilícia;
    7. Queiroz e Wassef nomeariam o presidente;
    8. A mulher de Wassef seria contratada para fornecer softwares;
    9. Abrir-se-iam cerca de 10 mil vagas a serem preenchidas por generais e coronéis, da ativa e da reserva, todos da área de logística das FFAA;
    10. A saída é ótima, pra o país errado; o Brasil é definitiva e irrmediavelmente um país medieval.

    1. Ulisses

      14 de janeiro de 2021 3:35 pm

      Por que Lula não teria coragem. Para um presidente que em plena crise econômica mandou o país investir, contra a opinião de todos. Os estupidos o chamaram de louco e pediram intervenção antes de assistirem e engolirem com farinha o plano deu certo e Lula ser louvado mundialmente como genio! isto não seria nada! Ainda mais que a ideia saiu do PT! Quem deu a sugestão foi o Genoino! E tendo como ministro da fazenda o Guido Mantega? Fora sua previsão de mãe Dinah sobre o Lula, o resto acho correto.

  5. Marcio Marques Alves

    13 de janeiro de 2021 3:50 pm

    Vocês levam mesmo esse pessoal da CAOA à sério?

  6. Mario H.Fuentes

    13 de janeiro de 2021 4:15 pm

    Vamos Brasil, é uma chance de ouro.

  7. paulo cesar

    13 de janeiro de 2021 4:22 pm

    O que o Brasil precisa é de um Franklin Delano Roosevelt.
    Mas, se nem os EUA têm mais, imagina nós.

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