4 de junho de 2026

Mesmos lábios, mesmas intenções: Gilmar Mendes, FHC, Miriam Leitão. Por Rui Daher

FHC

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Por Rui Daher

Quando escrevi que uma república nazifascista tinha se instalado na Ilha do Mel, no Paraná, usei de ficção. Errei. É factual.

Romântico, coloquei o vice-reino em local paradisíaco. Do ficcional ao real, basta subirmos a estrada da Graciosa até Curitiba. O Waze nos indicará a sede do novo governo.

Também errei ao projetar o conto do vigário jurídico e midiático para depois de 2018. Imaginei um títere eleito para exercer governo de araque, em Brasília. Penso não ter me equivocado ao escolher Aécio Neves, como o mais adequado ao papel. Nos fins de semana operaria a biruta do aeroporto de Cláudio, em Minas Gerais, e se esqueceria de voltar a Brasília, deixando a condução do País ao vice-rei.

A reentrada de Lula no cenário político atual, com suas réplicas ao golpe contra Dilma e sua nomeação como ministro-chefe da Casa Civil, fez acelerar o processo e as forças da reação se aglutinarem para não permitir a presidente de governar e tentar colocar a economia em progresso.

Tudo virou uma questão de tempo. Corrida desabalada para impedir as estabilizações política, econômica e – esperem para ver – social. Enquanto isso, trabalhadores, empresários, economia e a imagem do Brasil no exterior se deterioram até o impeachment. Tudo a favor de uma oposição pífia que nunca fez a lição de casa de propor um plano de governo e, pelo voto, chegar ao Poder Executivo.

Pior: tudo de uma obviedade burra e infantil, garantida por um Judiciário não acovardado, como acusou Lula, mas corrupto como aqueles que destruíram a Petrobras.

Não me perguntem, golpistas de plantão, o porquê. Por motivos diferentes dos meus, bons jornalistas sabem do que falo, mas a maioria se aquieta.

Quem sabe, um dia, escreva um livro sobre como sofri e sofro isso na pele, até hoje. Foi-se patrimônio, construído em décadas de trabalho assalariado, sem que eu tivesse uma ação da empresa falida, apenas obrigação de avais e fianças.

O que perdi para os credores me tortura menos do que perdi para agentes corruptos do Judiciário, de promotores a juízes, passando por advogados ladrões, com promessas espúrias que nunca acreditei nem aceitei. A quem recorreria? Corregedorias? Não, preferi recomeçar e trabalhar.

Se o assunto não vem ao caso, pois só de meu interesse, recuso-me a abdicar de saber o que é o Judiciário brasileiro e ter o direito de crucificar quem usa no peito o dístico “IN MORO WE TRUST”. Poupo os leitores do palavrão na ponta da língua.

E para não dizer que neste texto não usei de humor, apenas permito-me desejar a morte lenta, dolorida, funeral sob forte temporal, apodrecimento rápido, a todos que sabem poder vestir a carapuça.

O golpe está dado. Não existe “ser com Insustentáve leveza” (perdão, Milan Kundera, pela inversão) para impedi-lo. 

É político, jurídico e midiático, a partir de três representações kafkianas, coincidentemente de lábios grossos não imaginados nas pinturas de Di Cavalcanti (1897-1976).

Na política, nada mais representativo da flutuação em ondas de boas maneiras ilusórias do que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, um democrata sem povo.

Quem na Corporação Judiciária representa melhor o acordo de elites se não o ministro Gilmar Mendes?

Nas folhas e telas cotidianas, a jornalista Miriam Leitão sintetiza os anseios e ventos financeiros das poucas famílias concessionárias ou “independentes” que comandam a comunicação no Brasil.

Peço, encarecidamente, que passem a reparar nas similaridades dessa trinca. Não apenas os lábios, mas o timbre de voz e a desconsideração com povo e democracia.  

As manifestações de 18 de março em todo o País, se gratificantes, pois significativas, em contraposição, amedrontaram os conspiradores e aceleraram a comichão pelo golpe.

Uma pitada de ironia. A Folha de São Paulo, através do Datafolha, aos domingos, sabe contar até 500 mil e, nas sextas-feiras, só até 95 mil. Bem, talvez o Instituto, na Avenida FIESP, tenha se atrapalhado. Vocês sabem, em planilhas, números negativos são grafados em vermelho, e com todas aquelas camisas e bandeiras, costume em pessoas que trabalham e batem ponto sem bolhas espumantes.

Lembremos que o Mar Vermelho já assustou muitos navegadores aventureiros e fê-los desistirem de seguir viagem. Tenham certeza, no entanto, se correm o risco é por que, como sempre, tem muita grana envolvida nisso. De dentro e de fora. As riquezas do Brasil só não são percebidas por nós, Zé Manés, que pensamos os interesses financeiros hegemônicos navegarem em singelos pedalinhos e não em paquidérmicos transatlânticos.

Do jeito que vai, ao contrário do que pensa a esquerda, desta vez, se os militares tiverem que intervir, será para garantir a democracia e a Constituição.

Rui Daher

Rui Daher – administrador, consultor em desenvolvimento agrícola e escritor

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17 Comentários
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  1. alexis

    27 de março de 2016 10:20 am

    Isso não é tudo…

    Rui,

    O Gilmar Mendes é tão, mas tão puxa-saco e fã do FHC, que tenta até falar igual que ele, com frasezinhas irônicas, cara de paisagem e alternando graves em voz baixa com agudinhos nos finais elevando o volume. Obviamente, as caretas foram ensaiadas no espelho.

    1. JB Costa

      27 de março de 2016 1:43 pm

      Verdade. Já enquanto raivoso

      Verdade. Já enquanto raivoso fica “impriauzim” ao “deputado” João Plenário da Praça é Nossa.

      Gilmar Mendes também é o alter ego de FHC e por tal condição é a herança mais nefasta que deixou para o país. Logo onde? No Supremo. 

    2. Leonardo Verleun

      27 de março de 2016 2:31 pm

      A isso se dá o nome de: falta

      A isso se dá o nome de: falta de personalidade.

  2. Antonio Lobo

    27 de março de 2016 10:49 am

    Lie to me

    Rui,

    a serie americana Lie to me (no netflix, ja acabou, mas os episodios estao ainda la, e muito boa) usava expressoes faciais e corporais para desvendar crimes. As tres fotos indicam tristeza odio.

    abc

    1. Rui Daher

      27 de março de 2016 1:37 pm

      Exatamente, Lobo

      a idade faz a gente “fotografar” almas e pensamentos em faces de cinismo, ódio e desfaçatez. Daí eu não ter resistido. Não é pelos lábios, mas por todos os males que essas pessoas fazem ao País. Angelina Jolie tem lábios parecidos, mas oferece amor e todos a beijaríamos.

  3. José Muladeiro

    27 de março de 2016 11:01 am

    Meu caro Rui,

    Eu realmente me solidarizo contigo, afinal quem neste país não tem tristes lembranças de processos judiciais fajutos?  Milhões de brasileiros tem dívidas liquidas e certas para receber do Estado (federal, estadual e municipal), que são proteladas às calendas gregas.  Quantos são achacados, este é o termo, a aceitarem um grande desconto para receberem o que lhes é devido? Este é um país onde é mais favorecido os que vivem na ilegalidade, pois estes a justiça caolha não tem como atingir.

    Meu caro Rui, você é uma pessoa inteligente e sensível, e me permita fazer-lhe uma critica: O mal destas pessoas não está em seus lábios, mas em suas formas de pensar e sentir o mundo. Não faça como Lombroso, não julgue as pessoas pelo seu biotipo. 

    Um grande abraço

    José

    1. Rui Daher

      27 de março de 2016 1:30 pm

      Caro José,

      longe de mim a intenção, mas a coincidência existe e fou uma forma irônica de citar a trinca Judiciário, Oposição, Mídia, como os grandes urdidores do golpe contra a democracia. Não julgo ninguém pela aparência, mas pelo que pensam. Abraço.

      1. Carioca

        27 de março de 2016 5:43 pm

        “Não julgo ninguém pela

        Mas, certas imagens dizem muito.

        “Não julgo ninguém pela aparência, mas pelo que pensam”

        Hum! mas, a imagem acima não faz voê mudar de ideia?

  4. Luiz Monteiro de Barros

    27 de março de 2016 1:37 pm

    Como ter energia e

    Como ter energia e compreensão para viver com o cadaver da democracia insepulto

  5. Rui Daher

    27 de março de 2016 1:38 pm

    Alexis,

    verdade, esqueci dos timbres de voz, sem dúvida ensaiados. Abraço.

  6. Luiz Monteiro de Barros

    27 de março de 2016 1:58 pm

    Hoje 27/03 no Nassif leio

    Hoje 27/03 no Nassif leio perolas de um Rui Daher, Sebastião Nunes e Matê da Luz.Quanta emoção entremeio a essa política aterradora

  7. Raí

    27 de março de 2016 3:10 pm

    Vamos fazer uma “salada” ?

    Se misturarmos os pensamentos políticos do FHC, com os sonhos megalomaníacos do Poder, do Aécio, com  afalta de respeito jurídico do Gilmar Mendes, e o ódio destilado de cronistas político-economicos como a Miriam Leitão, certamente daria uma “salada” não comestível, dadas as excrecências que cada um destes atores sociais espeliria, e a absoluta falta de sabor cor ou odor, da mistureba.

  8. Snaporaz

    27 de março de 2016 3:15 pm

    Gilmar Mendes, tem um mérito:

    Gilmar Mendes, tem um mérito: é leal e fiel a que lá o colocou. Manteve  a combatividade, foi hostil,suficientemente crápula  e ousado em manter o ideário do seu “benefactor”, sem trégua, ao longo  desses anos de PT. Ao contrário  daqueles outros que”matam no peito”…

    1. S.Bernardelli

      28 de março de 2016 12:29 am

      Concordo

      Concordo e assino embaixo

  9. ze sergio

    28 de março de 2016 12:44 pm

    mesmos lábios, mesmas intençoes

    A presidenta Dilma está padecendo pela busca da competência e não o contrário. Por um projeto de país, que seja viável, e não por um projeto de partido. Partido que ela não tem relação histórica, no qual se filiou para concorrer as eleições. Foi Dilma que se livrou dos devaneios de Marina Silva, Marta Suplicy (que tem ódio mortal por Dilma), das alas radicais da esquerda e do PT, do MST. Ficou sem apoio partidário, muito antes de abandonada pela base ou combatida pela oposição. Um projeto de país, um projeto de Estado é o que terá que ser erguido daqui para a frente, projetado não com o parasitismo do Estado, mas sim com seu apoio. Delfim Neto, o ministro da ditadura, a sombra de Maluf, hoje, um a das vozes mais respeitadas do país é um exemplo do que estou falando. Outro exemplo é Kátia Abreu, que abandona o partido, mas não abandona o país, nem trai a confiança a quem deu a palavra. Um país viável é o que a História nos chama a construir.

    1. Rui Daher

      28 de março de 2016 11:00 pm

      Pô,Zé Sérgio,

      ótimo. Obrigado por melhorar meu raciocínio. Aqui respondo, pois aprendo. Abraços 

      1. ze sergio

        29 de março de 2016 9:55 pm

        Não sei se entendi a sua

        Não sei se entendi a sua resposta, mas “conversar não tira pedaço”. Não quero ensinar nada, pois nada sei. Minha intenção é aprender. Abs.

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