5 de junho de 2026

A repressão da ditadura contra o Encontro Nacional dos Estudantes em 1977, por Evilazio Gonzaga

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Tropas da Polícia Militar durante a ocupação da Faculdade de Medicina, em 1977. Foto: Acervo Projeto República
 
Por Evilazio Gonzaga
Terceiro Encontro Nacional dos Estudantes. Aconteceu em 1977. Iria acontecer no dia 4 de junho de 1977, plena ditadura, e a pauta do encontro era a reconstrução da UNE. A repressão proibiu e a Movimento Estudantil resolveu enfrentar. As entidades, DCE’s e DA’s, em uma reunião na USP, decidiram bancar o encontro, mesmo com a ameaça da repressão.
 
Para garantir a realização do encontro, as entidades de BH resolveram fazer uma vigília no local onde estava marcado o encontro, o DA Medicina da UFMG.
 
Na noite do dia 3 de junho, estudantes de diversas escolas de BH foram para o DA, para passar a noite no local. No final da madrugada, a Polícia Militar de Minas, com uniformes de combate, diferentes do que a gente vê nas ruas, cercou cerca de 500 estudantes dentro do campus da Medicina.

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Durante a madrugada, a repressão montou barreiras em todas as estradas que dão acesso a BH e prendeu todos os que tinham aparência de estudantes. Centenas de pessoas foram detidas. Ao amanhecer, milhares de estudantes, sem saber ainda do cerco da Medicina, tentaram se dirigir ao local. A repressão bateu violentamente contra eles e milhares foram presos.
 
O ambiente ficou tão violento, que rompeu o bloqueio da censura da mídia, que era duríssimo, na época. Assim a tradicional família da classe média mineira descobriu que havia uma ditadura violenta e estava batendo nos seus filhos. A classe média saiu às ruas em defesa dos seus filhos e apanhou também da polícia.
 
Sem alimentos, água e energia, os reféns, sitiados no DA resolveram capitular no final da tarde do dia 4 de junho. Era tanta gente presa, na Medicina ou nas ruas, que as prisões do DOPS, a força de repressão da polícia civil mineira não tinha espaço para essa gente toda.
 
Foram mandados para um curral, em um parque de exposição de gado.
 
Os dirigentes de DCE’s e DA’s foram encaminhados para o DOPS, onde foram enquadrados na lei de segurança nacional, o que prejudicou muita gente por anos.
 
Porém, o que é importante para a história, é nesse encontro foi criada a comissão pró-une, responsável pela reconstrução da UNE em 1979.
 
Uma derrota se transformou em vitória.
 
Hoje os tempos precisam de gente como a do 3 ENE.
 
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  1. Luna Elizabeth Matos

    13 de maio de 2017 4:49 am

    Vigília em1977 no DA/medicina UFMG pela reconstrução da UNE

    Sou testemunha ocular e ativa desse acontecimento. Retifico apenas o seguinte: Eu era presidente do diretório acadêmico da Escola de Enfermagem e como centenas de outros estudantes amanhecemos da vigília cercados de PMs numa formação de corredor polonês. Fomos obrigados a sair no meio deles direto para os ônibus fretados pela repressão. Fomos conduzidos para o parque da Gameleira. Passamos um dia sendo interrogados, os estudantes que não pertenciam a liderança do movimento estudantil foram dispensados e nós dirigentes de diretórios, dce fomos processados. Por causa desse processo tive meu futuro como enfermeira interrompido , pois minha sentença pelo DOPS nas palavras do delegado David Hazan foi que eu não poderia trabalhar para nenhum órgão governamental. Perdi um emprego federal garantido , na LBA por conta dessa sentença, justo eu que desde a escolha da profissão , em atuar na saúde publica. Abandonei a escola por não ter mais validade meu futuro que até no presente momento está travado. Por isso combato toda e qualquer ditadura e digo mais: Ela persiste acintosamente

     

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