5 de junho de 2026

Feminismo de ocasião que hoje ataca Lula nunca defendeu Marisa

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Jornal GGN – Quem teve a oportunidade de visualizar as capas dos principais jornais impressos, nesta quinta-feira (11), pôde identificar um esforço sincronizado de veículos da grande mídia para estabelecer uma narrativa hegemônica que pudesse reduzir quase cinco horas de depoimento do ex-presidente Lula ao juiz Sergio Moro à uma derrota do petista.

Lula teria recorrido ao “não sei de nada” desgastado pelo Mensalão e jogado a culpa do triplex no colo de dona Marisa, dizem as manchetes dos jornalões, em letras garrafais. Como se a democratização das informações pela internet ainda permitisse esse tipo de manipulação.

Certo é colocar Lula como o marido que se aproveitou da morte da esposa para sair pela tangente em relação ao triplex motivou algumas manifestações vergonhosas publicadas. Três delas estão no Estadão, travestidas de jornalismo, mas subestimam a inteligência do leitor.

Primeiro, uma entrevista com o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, do time da Lava Jato, que aproveitou a onda midiática que explora as falas de Lula para dizer que: “Infelizmente, as afirmações em relação à dona Marisa a responsabilizando por tudo é um tanto triste de se ver feitas nesse momento, até porque, como o ex-presidente disse, ela não está aí para se defender.”

 

Fica a pergunta: quem arrastou dona Marisa para esta ação penal foi Lula ou a força-tarefa do Ministério Público Federal?

Lula não jogou apartamento no colo de Marisa como se ela não tivesse tido participação ativa no enredo contado pelos próprios procuradores da Lava Jato.

O nome da ex-primeira-dama consta na aquisição de uma cota parte de um dos empreendimentos da Bancoop no litoral paulista, cota esta que está na raíz do caso triplex.

Marisa era a compradora oficial, não Lula.

Foi ela quem pediu ressarcimento na Justiça quando não quis mais um imóvel do projeto posteriormente tocado pela OAS. 

Também foi Marisa quem visitou duas vezes o triplex, uma ao lado de Lula, que disse a Moro que o espaço era “inadequado para a família” e, por isso, ele não apoiava a compra. Se Marisa ainda pensava em comprar, disse Lula, é “possível” que ela tivesse a intenção de “fazer negócios”, ou seja, revender o triplex.

Tudo isso consta na segunda parte do depoimento de Lula, publicado pelo próprio Estadão.

https://www.youtube.com/watch?time_continue=1288&v=-VNChqfB4-E]

Em um segundo texto, a jornalista Eliane Cantanhêde escreveu“Lula jogou o apartamento no colo da mulher dele, que já morreu e agora está no centro da Lava Jato. Marisa Letícia é quem estava interessada no triplex (para investimento?) e Lula só soube depois que ela tinha ido lá com o filho, mesmo depois da desistência da compra. Essas mulheres…”

 
 
Cantanhêde precisaria ser apresentada ao vídeo abaixo. Nele, a partir dos 10 minutos, vê-se a insistência de Moro em interrogar Lula sobre inúmeros documentos e datas de decisões tomadas por Marisa. Incomodado com a enxurrada de questões que não tinha como esclarecer sozinho, Lula fez um apelo ao juiz:
 
Lula: Doutor Moro, é muito dificil para mim toda hora o senhor citar minha mulher sem ela estar aqui para se defender. É muito dificil…
 
Moro: Não, eu não estou acusando ela de nada, senhor ex-presidente…
 
Lula: Eu sei que não está acusando, mas pergunta muita coisa dela, se eu vi, se eu não vi… 
 
Moro: É que o documento está assinado por ela.
 
Lula: É uma pena que… uma das causas que ela morreu foi a pressão que sofreu. E eu não quero nem discutir isso aqui. Mas quando se tratar dela, peço que o senhor… [faz sinal para se segurar]
 
[video:https://www.youtube.com/watch?v=G3ZDsAvkcBY&t=1453s
 
 
O FEMINISMO DE OCASIÃO
 
Também do Estadão, a jornalista Vera Magalhães publicou sua opinião sobre a faceta machista do depoimento de Lula, no Facebook, na mesma noite em que os vídeos foram disponibilizados pela Vara Federal de Moro à imprensa.

Em “Mulher emerge como investidora”, ela sustentou que Lula “recorreu à dona Marisa para deixar sob sua responsabilidade toda a transação do imóvel. As inconsistências da defesa e o truque de terceirizar para alguém que morreu e, assim, não é mais parte do processo não parecem ser um caminho jurídico seguro para alguém que tem um séquito de advogados à disposição e armou um circo político para posar de vítima de perseguição.”

No comentário que fez à rádio Joven Pan, Vera foi além em sua tese sobre dona Marisa não poder ter comprado o triplex sozinha. E, para isso, deixou a veia feminista em casa:

“Essa coisa da Marisa investidora, não para de pé. Eu cobri durante 10 anos política em Brasilia. Repórter, circulando pelo Palácio do Planalto, trabalhando pela Folha de S. Paulo e pela revista Primeira Leitura. Não foram as vezes que procurei pessoas como André Singer ou Franklin Martins, que eram secretários de imprensa na época, e pedi entrevistas ou ter contato com dona Marisa e fazer um perfil. Qual era a resposta sempre qualquer jornalista que cobriu o poder pode atestar? A dona Marisa não fala, dona marisa é reclusa, ela gosta de cuidar dos netos, ela gosta de cozinhar, ela gosta de cuidar do jardim. É disso que ela gosta.”
 
E continuou:
 
“Naquele próprio comício que Lula fez no velório da mulher, impróprio, ele também descreveu uma mulher que começou a trabalhar como empregada doméstica, que ficava em casa, que dizia pode ir cuidar da política cuidar do brasil, que eu cuido aqui da retarguada. nunca foi pintada como alguém que tinha respsabilidade pelos investimentos da familia. Esse personagem é totalmente novo, criada sem que possa sem se defender, dizer que aquilo é verdade ou não. Do ponto de vista de um marido, um homem, é pusilânime. Do ponto de vista da defesa, é um absurdo jurídico.”
 
Confrontada por uma usuária do Twitter, “militante petista”, sobre a visão errada sobre Lula e Marisa, Vera respondeu que, “por sororidade”, não iria chamar a leitora de “retardada”. 

Sororidade.

Onde estava a sororidade das jornalistas e dos jornalistas da grande mídia quando Marisa faleceu em decorrência de todo esse processo político, jurídico e midiático que a Lava Jato criou? Não só não houve apoio como o assunto pareceu proibido.

A mídia hegemônica, aliás, se apressou em dizer que era bom Lula não ousar usar politicamente a morte da esposa, nem associar o fato à Lava Jato. Quase fizeram um manual de como ele deveria se comportar no velório.

O feminismo (de ocasião) se recolheu, ainda, quando delatores passaram a dizer que Marisa pediu reforma em sítio, mas era segredo. Pediu reforma em triplex, mas era segredo. Pediu terreno para Instituto Lula, mas era segredo. Ninguém presenciou a renião, só o delator e Marisa.

Tudo isso há poucos dias. Dona Marisa já não estava aqui para se defender.

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Cintia Alves

Cintia Alves é jornalista especializada em Gestão de Mídias Digitais e editora do GGN.

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12 Comentários
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  1. romulus

    11 de maio de 2017 8:59 pm

    Em Curitiba o “leão”… miou!


    *

    Link:

    http://www.romulusbr.com/2017/05/em-curitiba-o-leao-miou-altivez-de-lula.html

  2. Anna_

    11 de maio de 2017 9:04 pm

    Aquele julgamentozinho capcioso…
    “… era reclusa… gostava de cuidar dos netos…”

    Ah, as “feministas”… Desrespeitosas até quando tentam “defender”.

    Fico me perguntando: de que geração são as mães e avós dessas jornalistas?

    Quanto desdém. E depois clamam por solidariedade.

    Mais um toque mesquinho no tratamento à Dona Marisa.

    Mas de onde nada se espera…

  3. André Oliveira

    11 de maio de 2017 9:07 pm

    Mas quem tinha dúvida de que
    Mas quem tinha dúvida de que a mídia pinçaria detalhes do depoimento do Lula que lhes interessasse para criar a narrativa negativa de sempre.

  4. Ivan de Union

    11 de maio de 2017 9:37 pm

    “Cantanhêde escreveu: “Lula

    “Cantanhêde escreveu: “Lula jogou o apartamento no colo da mulher dele, que já morreu e agora está no centro da Lava Jato. Marisa Letícia é quem estava interessada no triplex (para investimento?) e Lula só soube depois que ela tinha ido lá com o filho, mesmo depois da desistência da compra”:

    Nao se discute com documentacao documentada e com documentos, filha de uma grandississima puta.  E eh isso que a documentacao mostra, filha de uma grandississima filha da puta.

    Neta da puta.

    O Brasil nao tem mais febre amarela pra voce assassinar pobres e ir se masturbar nao?

  5. LucianaMota

    11 de maio de 2017 9:41 pm

    Pera aí! Canalhice se

    Pera aí! Canalhice se traveste de qualquer coisa! O que não e espera é que o blogue caia na esparrela de também tratar a patranha como feminismo de ocasião ou não.

     

    Luciana Mota

     

  6. Somebody

    11 de maio de 2017 9:52 pm

    O “Estado de São Paulo” é

    O “Estado de São Paulo” é jornalismo tablóide, não levo a sério.

  7. André Oliveira

    11 de maio de 2017 10:57 pm

    Essa é aquela Vera Magalhães
    Essa é aquela Vera Magalhães que foi ombudsman da Folha?

  8. jose carlos lima...

    12 de maio de 2017 8:22 am

    Todos os que desejaram/

    Todos os que desejaram/ torceram pela morte de Dona Marisa, de repente viraram Todos Dona Marisa….tempos atrás eles todos Somos Cunha…que asco…

    1. Rui Ribeiro

      12 de maio de 2017 2:34 pm

      É, e quando a esmola é grande, o cego desconfia

      Não sei quanto ao Lula, mas no que a mim diz respeito, quando eu descaroçar minha pequena safra de algodão, eu vou vender a semente e vou comprar um anel de diamante para a Minha Mulher e tudo o mais que ela precisa, tal qual os Beatles e o Skip James.

      “When I gin my little cotton and sell my seed
      I’m gonna give my baby, everything she need
      Everything she need, ev’rything she need
      I’m gonna give my baby everything she need”

      Skip James, Illinois Blues

      Porque Lula não poderia fazer isso?

      Segui il tuo corso, Lula, e lascia i cani abbaiare, la carovana passa

      Enquanto os cães se limitarem a latir, eles não morderão

  9. Carlos Alberto Freitas Lima

    12 de maio de 2017 1:32 pm

    O CASO DE AÉCIO QUE KIFOURI NARROU UM ESPANCAMENTO DA NAMORADA.

    Estes jornais e suas colonistas feministas de plantão, não me lembro de uma só linha escrita sobre o fato narrado por Juca Kifouri do espancamento de uma namorada de certo senador, é opção do colonista escrever o quer, porém quando EXPUNGIR uma figura pública de seus atos insanos a credibilidade é ZERO, acho até que não deveriam falar nos blogs sobre essas colonista sem sal. Escrevem o que os patrões mandam e a figura crítica é apenas de destruição de qualquer reputação sem nenhuma ética, são apenas propagadores de quem os remunera sabe-se lá de onde veio a grana. O certo é falar dos jornalões é chutar cachorro morto, nunca conseguiram viver sem dinheiro público, e sem subsídio no papel. 

  10. Rui Ribeiro

    12 de maio de 2017 2:13 pm

    Porque a Dona Marisa iria se defender?

    Interessar-se pela compra de um imóvel e desistir é crime?

    Se não é, porque a Dona Marisa teria que se defender?

    Se eu, minha mulher e a prole tivéssemos condições de comprar um imóvel, quem iria escolhê-lo seria a Minha Companheira e a prole.

    É uma das coisas em que eu sou a favor da terceirização, até porque é a Mulher que, infelizmente, fica mais tempo em casa enquanto o homem patriarcal está mais livre nas ruas.

    The woman is the nigger of the World.

    Esse feminismo de ocasião é machista.

  11. Rui Ribeiro

    12 de maio de 2017 10:07 pm

    Bendita Geni

    Zeni e o Zeppelin tem tudo a ver com essa paparicação tardia à Dona Marisa

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