
Jacó Bittar e Lula em audiência em Manaus em 1984 devido aos incidentes no Acre quatro anos antes – Foto: Arquivo
Jornal GGN – Em plena ditadura militar brasileira, no dia 9 de abril de 1981, Luiz Inácio Lula da Silva era intimado a participar de uma audiência de um julgamento no qual era acusado de “apologia à vingança”, “incitamento à luta armada” e à “luta pela violência entre as classes sociais”, em Manaus (AM).
Ao lado de nomes como Chico Mendes, seringueiro morto em 1988, Lula foi acusado por um discurso político, juntamente com José Francisco da Silva, então presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura no Acre, João Maia da Silva Filho (delegado da confederação em Brasileia), e Jacó Bittar, então secretário do PT e que hoje tem o filho Fernando Bittar figurando em acusações contra Lula relacionadas ao sítio de Atibaia.
Em assembleia do sindicato rural de Brasileia, no Acre, Lula falava a mais de 4 mil seringueiros sobre o momento delicado: uma semana antes, o presidente do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Brasileia e presidente da Comissão Municipal do PT, Wilson Pinheiro de Souza, havia sido assassinado com tiros pelas costas, em crime que nunca foi esclarecido.
“Chega de trabalhador chorar a morte de companheiro. Está chegando a hora de a onça beber água”, disse Lula, em tentativa de animar os militantes. Um dia depois, o capataz de fazenda Nilo Sergio de Oliveira foi executado por trabalhadores rurais. A afirmação de Lula foi suficiente para ser acusado de ameaça, ao lado de Chico Mendes, que também participou do ato.
Lula foi levado à audiência por seu discurso político, em meio ao conflito rural das terras de seringais que estavam ameaçadas nas mãos de ruralistas, em plena ditadura do regime militar no Brasil. Absolvido pelo Conselho Permanente de Justiça do Exército, Lula conseguiu sair da perseguição jurídica daquele caso. Mas o cenário de represália contra o seringueiros foi o que levou, até o último momento, à morte de Chico Mendes, sete anos depois.
Por Marcos Sergio Silva
Do Uol
Um ditado popular fez com que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva precisasse sair do Estado de São Paulo pela primeira vez para uma audiência de tribunal, a exemplo do que acontece nesta quarta-feira (10), em Curitiba.
O petista e outros quatro sindicalistas foram interrogados por uma auditoria militar no dia 9 de abril de 1981, em Manaus (AM), segundo documento da Fundação Perseu Abramo. A audiência obedecia à representação do então presidente da Federação de Agricultura do Acre, Francisco Deógenes de Araújo, na Polícia Federal contra eles, aos quais acusava de “incitamento à luta armada”, “apologia à vingança” e incitamento à “luta pela violência entre as classes sociais”.
Lula estava em Brasileia (AC) e participava de uma assembleia do sindicato rural da cidade em 27 de julho de 1980 com cerca de 4.000 seringueiros. Seis dias antes, o presidente do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Brasileia e presidente da Comissão Municipal do PT, Wilson Pinheiro de Souza, havia sido assassinado com tiros pelas costas, enquanto assistia à TV na sede da entidade.
“Eu fui um dia de noite lá e estava um clima pesado, muita gente armada, muita polícia, um clima muito tenso. E, aí, eu fui falar e disse o seguinte: ‘Chega de trabalhador chorar a morte de companheiro. Está chegando a hora de a onça beber água'”, afirmou Lula ao site “ABC de Luta”, que reúne depoimentos históricos de sindicalistas do ABC paulista.
“Bem, eu falei isso e depois fui no bar tomar um conhaque. A Polícia Federal tem até gravadas as conversas no bar tomando conhaque. Eu voltei para São Paulo e, quando cheguei, recebi a notícia de que os trabalhadores tinham matado o suposto assassino do Wilson Pinheiro de Souza.”
A frase dita na assembleia, “chegou a hora de a onça beber água”, foi interpretada como ameaça pela polícia acriana. Lula, Chico Mendes (seringueiro morto em 1988 e então vereador de Xapuri pelo PT), José Francisco da Silva (presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura no Acre), João Maia da Silva Filho (delegado da confederação em Brasileia) e Jacó Bittar (secretário do PT) foram acusados de incitar a violência e enquadrados por subversão no artigo 36 da Lei de Segurança Nacional.
Bittar e a família são donos do sítio Santa Bárbara, em Atibaia (70 km de São Paulo), que teria recebido benfeitorias das empreiteiras OAS e Odebrecht e é citado em operações da força-tarefa da Lava Jato. Em abril, perícia da Polícia Federal apontou a propriedade como sendo do ex-presidente, o que foi negado por seus advogados: “A realidade incontestável é que Lula não detém a propriedade do sítio em questão. Ignoram-se provas existentes nos autos que demonstram ter sido a compra da propriedade feita por Fernando Bittar com recursos doados por seu pai, Jacó Bittar”.
Antonio Carlos Silva - Brasil
9 de maio de 2017 9:24 pmHá décadas a bandidagem insiste em perseguir o grande Lula
Também em 81 o povo teve que tirar o grande Lula das garras de facínoras salafrários .
Véio Zuza
10 de maio de 2017 11:08 amTroca-se a Justiça Federal de
Troca-se a Justiça Federal de Curitiba pela Justiça Militar do Acre???!!!!
Eheheheheh