Por Henrique Marques Porto e Luciano Hortencio

Nascido e criado em Fortaleza, que não tem as quatro estaçoes ou se as tem não são bem definidas, somente tive a sensação de estar em plena primavera, por duas ocasiões, em viagens à Europa. Ainda assim, sou louco pela primavera, sob todos os aspectos e em todos os sentidos. Mesmo estando já na fase outonal da vida, vivo como se estivera em plena primavera.
Exatamente pelo que escrevi acima, solicitei ao amigo Nirez alguns fonogramas com o título PRIMAVERA. Como sempre o amigo Miguel Angelo de Azevedo os enviou prontamente e comecei a editá-los para com eles publicar um post. Ainda não tinha definido como seria nem seu título, porém resolvi publicar no Facebook a edição da Primavera de Eduardo Souto, na interpretação do painista Mário de Azevedo.
Para minha surpresa recebi, do amigo Henrique Marques Porto, o comentário que, por si só, vale por um post:
Luciano, conheci muitíssimo Mário de Azevedo, que eu chamava de Tio Mário. Pianista de formação clássica, iniciou a carreira com recitais e concertos no Rio, inclusive no rádio, no Programa Casé. Grande conhecedor de ópera, colaborou muito com GabrielaBesanzoni, atuando como pianista acompanhador nos recitais e saraus que ela organizava na mansão do Parque Lage. Era excelente pessoa. Amável e bem humorado, sempre tinha na ponta da língua um comentário engraçado sobre música ou qualquer outro assunto. Meu primeiro Whisky foi servido por tio Mário, no Theatro Municipal. Eu tinha 15 anos, e no intervalo de uma ópera ele se virou sorridente para mim: “-Vamos beber uma quentinha?” Respondi “vamos” e me dirigi ao Café do teatro. “-Não, não…não é por aí!”; “-Mas o cafezinho é lá em cima, tio Mário…”; “-Vamos beber outra coisa…” Encostamos num canto do balcão da antiga chapelaria, no corredor da plateia e ele pediu dois whiskys duplos! O funcionário não disse nada, mas franziu o senho, apontando para mim com os olhos. Já se divertindo, tio Mário completou o pedido: “-O dele é com um dedo de whisky, o resto completa com guaraná…” Saí dali com meu “whisky duplo” e bebi aos poucos, enquanto tio Mário bebia o dele (sem gelo) em grandes goles. Ele adorava um “whisquinho” ! Tio Mário faleceu em 1974. Mas está sempre por perto. Uma prova é essa sua postagem.


https://www.youtube.com/watch?v=al7pq3I8ScI
Martim Assueros
5 de janeiro de 2016 7:56 pmDo seio da música
Luciano Hortêncio e Henrique Marques Porto nos saudando com histórias do seio da música. Obrigado, amigos.
lucianohortencio
5 de janeiro de 2016 8:10 pmAo Martin Assueros!
Feliz 2016!
[video:https://www.youtube.com/watch?v=pYq0V9RBkyc%5D
jns
5 de janeiro de 2016 9:07 pmTarzan do Manguezal
A Prima Vera está sempre por perto de você, danado, por isso quero tomar banho na sua água.
“Ainda assim, sou louco pela primavera, sob todos os aspectos e em todos os sentidos.”
Por isso, você é meu ídolo!
Falou e disse!
lucianohortencio
5 de janeiro de 2016 11:03 pmPara Dom JNS, I e Único!
Meu ídolo e Guru!
[video:https://www.youtube.com/watch?v=6q-c0hzAt2I%5D
jns
5 de janeiro de 2016 11:20 pmO Parceirinho Maior
Pega leve apenas no seio da música
Este é o meu Garoto e a doce prima Vera
[video:https://youtu.be/G-SPPVG2adw width:600]
lucianohortencio
6 de janeiro de 2016 11:41 amBota o Jejê pra cantar!
Quem sabe ele não se anima ouvindo essa PRIMAVERA?
[video:https://www.youtube.com/watch?v=oBbU1rYfy7E%5D
PS: Pela raiva da “Jsne”, parece que o Tarzan aí num deu no couro não!
Será o Tarzan de Ipatinga, depois de uma forte gripe?
Jair Fonseca
5 de janeiro de 2016 9:35 pmOutras primaverões.
Outras primaverões.
[video:https://www.youtube.com/watch?v=852uCGcseIs%5D
[video:https://www.youtube.com/watch?v=oScaaauYOBM%5D
[video:https://www.youtube.com/watch?v=6eHrw-vym7s%5D
[video:https://www.youtube.com/watch?v=FDVqxcjoQ_k%5D
Ivan de Union
5 de janeiro de 2016 9:41 pm(Suponho que dois mineiros
(Suponho que dois mineiros chamados Guedes, Fatima e Beto, foram muito mal tratados pela media brasileira por ser toda ela controlada pela media paulista.)
lucianohortencio
5 de janeiro de 2016 9:47 pmAo amigo Jair!
Primavera da Vida!
[video:https://www.youtube.com/watch?v=4Qts9c_wWtk%5D
Jair Fonseca
5 de janeiro de 2016 10:19 pmAos amigos Luciano e Henrique,
Na primavera do cinema brasileiro, uma foto da bela Eva Nil, primeira estrela de nosso cinema, que estreou no primeiro longa-metragem de Humberto Mauro, nosso primeiro grande cineasta: Na primavera da vida, de 1926. O filme se perdeu e Eva fez apenas quatro filmes, sendo três em Cataguazes, MG, com Mauro. O suficiente para a jovem cativar muita gente, e tornar-se lendária. Também pudera!
lucianohortencio
5 de janeiro de 2016 11:00 pmLinda EVA NIL!
Muito obrigado, amigo Jair!
[video:https://www.youtube.com/watch?v=wiwlZ2QkUw0%5D
peregrino
5 de janeiro de 2016 10:00 pmbeleza igual nunca vi…
dito com palavras o que a música e a primavera expressam
e porcelana deu um toque especial, tudo resolvido em flor
parabéns, Luciano
lucianohortencio
5 de janeiro de 2016 10:57 pmMuito obrigado, peregrino!
Abração do luciano!
[video:https://www.youtube.com/watch?v=VouA6ZunY7U%5D
Cafu
6 de janeiro de 2016 12:33 amÓtimo post
Parabéns aos colegas pela parceria. O vídeo é maravilhoso, música e pianista. Adorei conhecê-los.
Henrique e suas histórias deliciosas… Sem falar nos “tios” ilustres, emprestados ou verdadeiros, sempre portadores de memórias preciosas e enraizadas no melhor da cultura brasileira.
Bis! Mais um!
lucianohortencio
6 de janeiro de 2016 9:47 amObrigado, Cafu!
Virgínia Lane pasou a vida SASSARICANDO, porém não esqueceu de louvar e cantar a PRIMAVERA!
[video:https://www.youtube.com/watch?v=rLiF5sZxqbg%5D
Cafu
6 de janeiro de 2016 9:41 pmGracias, Luciano.
Sou fã das vedetes do Teatro de Revistas.
Henrique Marques Porto
6 de janeiro de 2016 3:55 pmPrimaveras…
Salve, Cafu!
Nós (você, Helô, Laura, o saudoso Oscar Peixoto e eu) sabemos o quanto é divertido e importante contar histórias. Contar um “causo” simples às vezes vale mais do que tese inteira sobre um assunto, ainda mais quando o “assunto” são dois grandes artistas, Eduardo Souto e Mário de Azevedo. O Luciano também sabe, e se estivesse no antigo Portal Luis Nassif certamente teria participado do que produzimos na Página Teatro de Revista (http://blogln.ning.com/profile/TeatrodeRevista), que mesmo sem estar atualizada ainda é a melhor e mais bem nutrida fonte de pesquisa sobre o teatro popular brasileiro existente na web. Aliás, o Nassif devia reativar e incrementar o Portal -na verdade uma pequena rede social, com muitas vantagens sobre o Facebook, por exemplo. Renovo a sugestão, que já manifestei pessoalmente ao Nassif. Ainda por cima, esqueci as senhas da minha página pessoal e a da Página Teatro de Revista. A senha que uso aqui não serve para o Portal, e não tem como reavê-la.
Aproveito para complementar: Mário de Azevedo e meu pai foram grandes amigos desde a juventude. Frequentava nossa casa e sempre encontrava com ele no Theatro Municipal, em ensaios e récitas de óperas. Daí chamá-lo de “tio” -no caso dele fazia mais sentido até do que em relação a tios verdadeiros, consanguíneos. Naquele dia em que ele bebeu seu whisky duplo, cowboy, e eu o meu, batizado, conversamos muito. Nessa época eu queria estudar música (violoncelo e regência). Apesar de muito ligado à ópera e ao canto lírico, o que me atraía era o instrumental. Falei a respeito com o tio Mário. Ele ouviu, me olhou muito atento, com aqueles seus grandes olhos, e disse: “-É?! Que bom! Mas, para ser um bom instrumentista tem que estudar muito, viu…E ser maestro não é ficar balançando aquele pauzinho na frente da orquestra, não! Tem que conhecer música e estudar mais ainda! Tem muito maestro fingido por aí…” Tinha mesmo, e ainda tem. Inesquecível tio Mário.
Beijão
Henrique
Cafu
6 de janeiro de 2016 9:48 pmSalve, Henrique!
É sempre emocionante se deparar com fragmentos de histórias, esquecidas no rico baú de tesouros da produção musical brasileira.
Eduardo Souto, autor da música “Primavera”, em excelente interpretação de Mário Azevedo, foi um importante maestro e compositor dos anos 20/30. Falamos dele no blog do Teatro de Revista.
Como muitos artistas de formação erudita, encontrou no teatro popular, em plena expansão à época, oportunidade de trabalho e divulgação de composições para públicos maiores. Uma troca de experiências vantajosa e fecunda para a MPB e para os maestros. Todos cresceram e incorporaram aprendizados provenientes desses intercâmbios e as barreiras entre erudito e popular se enfraqueceram.
Henrique, suas memórias são maiores que sua história pessoal e estão repletas de personagens, narrativas e acontecimentos que fazem parte do cenário cultural carioca e brasileiro. Merecem ser conhecidas e compartilhadas. Hoje em dia ninguém precisa de editora para divulgar suas idéias. Basta criar um blog e mandar ver.
Que tal? Topa o desafio? Você é testemunha ocular e “auricular ” de muita coisa. Não seria interessante abrir gavetas e baús e contar pra nós um pouco do muito que você sabe?
Henrique Marques Porto
7 de janeiro de 2016 5:04 pmPrimaveras e histórias.
Cafu,
Estou somando muitas primaveras, e histórias acho que tenho em todas as estações. Você tem razão. Preciso contar as que lembro antes que o vento as leve, comigo junto. Algumas já escrevi. Na verdade tenho cerca de 150 páginas escritas, mas muita coisa não tem a ver com cultura, teatro e música -exceto o que escrevi sobre meu pai e o tio Agostinho. Tenho que passar esses escritos na peneira e ter disciplina para escrever mais. No mínimo vai ser divertido. Mas, os mergulhos na memória podem ser perigosos também. É preciso fazer o que fazem os mergulhadores de águas profundas -ficar ligado a algum cabo para voltar à tona, caso contrário a gente cai nas redes das memórias -pessoais e coletivas- e fica preso nelas. Lembro sempre o que me disse o Pedro Nava, uns dois anos antes de morrer: “-Vá anotando, fichando, guardando, registrando…Depois escreva. Eu só comecei a escrever aos 70 anos. Você tem a vantagem de ser jovem”. Já sou velho e continuo tentando seguir o conselho. Mas, como demora… 🙂
Beijão
Henrique
Cafu
7 de janeiro de 2016 7:54 pmHistórias de todas as estações
Sem falar que você escreve superbem e transforma detalhes, episódios comuns, e também os incomuns, em narrativas saborosas.
É um dom da sua carioquice, que ainda resta intacto. Um diferencial importante nesses tempos esquisitos, envenenados por ódio, desinformação e intolerância.
Boto fé!
Beijos.
Vânia
6 de janeiro de 2016 3:07 amLindo post, Lu!
Também adoro a primavera, até pq ela começa quase no dia em que nasci 😉
Como se fosse a PrimaVera
[video:https://www.youtube.com/watch?v=LQmrhF7AFtE%5D
Só que não…
Abraços e beijos da PrimaVania!
lucianohortencio
6 de janeiro de 2016 9:50 amPara Oncinha Felix!!!
Com o carinho e amizade do luciano!
[video:https://www.youtube.com/watch?v=W6ftoDyZDk0%5D