5 de junho de 2026

A venerável Constituição de um artigo só sugerida por Capistrano de Abreu

Fiquei surpreso com a divulgação no GGN da Constituição satírica composta por três poetas brasileiros. Apesar de ser um estudioso da história constitucional e literária do Brasil eu não conhecia este texto. Congratulações ao blogueiro que o escavou e o divulgou. 

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Tomo a liberdade de reproduzir aqui a Constituição de um artigo só sugerida por Capistrano de Abreu (1853-1927) a dois jornalistas que o entrevistaram:

“Dois jornalistas, redatoras d’ “A Manhã”, do Rio, foram procurar Capistrano de Abreu, para entrevista-lo sôbre o problema social no Brasil. Ao encontra-lo  na rua, para solicitar-lhe um encontro, o erudito misantropo disse-lhes lógo, hostil:

– Estou em casa sempre até ás 11 do dia e depois das 9 da noite. Si quizerem ir, vão; si não quizerem, não vão. Para mim é indiferente.

No dia seguinte, houve a visita. O misantropo, deitado em uma rêde e cuspindo numa lata, achou que o país estava perdido. Tudo uma lástima. E concluiu, feroz:

– Agora andam falando em reforma constitucional. Querem atribuir os erros à lei… Eu proporia que se substituíssem todos os capítulos da Constituição, decretando: “Artigo único: todo brasileiro fica obrigado a ter vergonha”!

E cuspiu na lata.” (O Brasil Anedótico, obras completas de Humberto de Campos, livraria José Olympio, Rio de Janeiro, 1936, p. 60)

Se a Constituição sugerida por Capistrano de Abreu estivesse em vigor desde o século XIX os “barões da mídia” pagariam impostos e não tentariam comandar o país, FHC não teria sido presidente da República, Gilmar Mendes já teria sido chutado para fora do STF, Eduardo Cunha não teria sido eleito Deputado Federal, José Serra, Aloysio Nunes e  Andrea Matarazzo não teriam entrado na política, a PF não vazaria informações contra o PT protegendo o PSDB, fascistas não exigiriam o retorno da Ditadura, Sérgio Moro seria apenas um juizinho mequetrefe de primeira instância como outro qualquer, aqueles que ameaçam a vida da presidenta já estariam presos, São Paulo certamente continuaria a ter água, Minas Gerais não estaria afundando no pó e o combate à corrupção por Dilma Rousseff não acarretaria uma crise. Desgraçadamente, porém, os brasileiros sem vergonha que perderam a eleição continuam querendo dar as cartas.

Fábio de Oliveira Ribeiro

Fábio de Oliveira Ribeiro, 22/11/1964, advogado desde 1990. Inimigo do fascismo e do fundamentalismo religioso. Defensor das causas perdidas. Estudioso incansável de tudo aquilo que nos transforma em seres realmente humanos.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

1 Comentário
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  1. Fábio de Oliveira Ribeiro

    6 de setembro de 2015 8:29 pm

    Exclui o texto original (que

    Exclui o texto original (que continha erros) e republiquei-o aqui (corrigido).

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