4 de junho de 2026

O canto do uirapuru, por J.Carlos e Nivaldo

O Plano de Vacinação do Planalto é bem claro: enquanto um atrasa as vacinas, outro acelera recebimento de propina

J.Carlos e Nivaldo apresentam:

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O CANTO DO UIRAPURU

(Ridendo castigat mores!)

Simplício: Dá para alguém explicar aí essa confusão com a propina da Covaxin?

Angeline: Você não tem visto a CPI da Pandemia no Senado, Simplício? Está comendo mosca? Não viu que a CPI descobriu o verdadeiro Plano Nacional de Vacinação?

Simplício: Qual é?

Angeline: Simples. Enquanto Bolsonaro, de um lado, fazia tudo para atrasar a compra de vacinas boas, e  baratas, Ricardo Barros, seu líder na Câmara,  fazia tudo no Ministério da Saúde para acelerar a compra da Covaxin com propina. Na caixinha, 1,6 bilhão de reais!

Simplício: E a Covaxin é pelo menos melhor que as outras vacinas, professor Galileu?

Professor Galileu: Nada disso. É uma vacina indiana que sequer foi aprovada pela Anvisa. Assim mesmo, iam fazer um contrato de compra de 400 milhões de vacinas com uma empresa intermediária, que nem vacina tinha. Tudo para garantir a propina de um dólar por vacina. Honesto foi o intermediário, que não aceitou.

Angeline: Mais honesto ainda foi o servidor de carreira de terceiro escalão do Ministério da Saúde que barrou a tramoia, avisou o irmão deputado, e foi junto com ele denunciar tudo ao presidente.

Simplício: E o presidente adotou as devidas providências?

Professor Galileu: Adotou, sim. Mandou investigar o servidor. Mas deu com a língua nosdentes, passando aos denunciantes a dica de que tudo devia ser rolo do Ricardo Barros!

Simplício: Ou seja, tentou tirar o corpo fora. 

Angeline: Como isso não pegou, passou a bola para o ministro Pazuello, na véspera da demissão dele do Ministério. É claro que Pazuello, como bom capacho, vai confirmar essa versão, tirando o dele da reta por não ter tido tempo de dar curso à investigação.

Professor Galileu: Acontece que diante da grave denúncia do deputado, a obrigação de Bolsonaro era mandar a Polícia Federal investigar. Se não fez isso, prevaricou.

Simplício: O que é prevaricar?

Professor  Galileu: Justamente isso. Saber de um crime no governo e não mandar investigar.

Angeline: E foi justamente aí que a CPI pegou no pé dele. Tentaram montar uma farsa para desmoralizar o deputado denunciante, mas também não pegou.

Professor Galileu: O resultado de tudo é que, com a entrada do STF no jogo, a PGR, que tentou assistir tudo de fora, foi obrigada a pedir investigação contra Bolsonaro.

Angeline: É mais um pênalti no caminho do gol do impeachment; o primeiro foi marcado pela CPI do Senado. Gol certo!

Simplício escreveu na agenda vermelha: Não há mito fake que resista à verdade simples!

Este artigo não expressa necessariamente a opinião do Jornal GGN

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